Pêndulos costumam ser uma das primeiras ferramentas divinatórias que iniciantes começam a trabalhar, alguns mesmo antes de um baralho de cartas. No entanto, leio poucos textos em que enquadram os mesmos na prática a que pertencem: dowsing, também chamado de radiestesi ou rhabdomancy. Como possuo dois instrumentos ligados à mesma área - varas e pêndulos - decidi fazer um pequeno texto introdutório aos mesmos e explicar o que são, os seus usos, como adquirir e o básico sobre os mesmos. Porém, este texto não é uma introdução ao tópico de radiestesia, pois esse é bastante abrangente. Fiz há pouco tempo uma thread na
conta twitter do blog acerca dos mesmos mas decidi aprofundar e deixar registado no blog para caso alguém a tenha perdido poder aprender sobre estas duas práticas simples e eficazes! Deixo o apontamento que estes dois instrumentos também podem ser aplicados a trabalho com espíritos - um dia farei um texto sobre este assunto. A prática de dowsing evoluiu ao longo dos tempos e duas formas bastante comuns são estas mesmas: pêndulos e varas.
Pêndulos
É uma forma simples de divinação utilizando um objecto pesado suspenso por um fio. Pode ser qualquer objecto, no entanto lojas esotéricas vendem tipicamente pêndulos de cristais ou de metal. Existem vários praticantes que fazem os próprios pêndulos. Como qualquer ferramenta, pêndulos devem ser limpos, carregados, consagrados e programados. Pêndulos são das práticas mais antigas - até a minha bisavó utilizava.
- Quais são os usos de um pêndulo?
Pêndulos são utilizados para se conectarem com o vosso subconsciente ou entidades espirituais para responder a perguntas de sim/não, encontrar objectos perdidos, entre outros usos. Quanto às entidades, os usos são variados, tais como guias espirituais, ancestrais, divindades (segundo alguns) ou para necromancia de forma geral. Também podem ser usados em curas ou para equilibrar chakras.
- Como programar e utilizar um pêndulo?
Primeiro, é aconselhável limpá-lo e consagrá-lo pois estamos a falar de uma ferramenta sagrada e espiritual. Estes objectos são instrumentos mas tal requer cuidados. Depois, para programar existem três formas:
- Podem perguntar ao pêndulo para mostrar "sim" e o "não"; depois podem testá-lo com perguntas básicas como "eu sou uma menina?" ou "o meu cabelo é preto?"; porém, alguns praticantes têm problemas com este método, especialmente no que se trata de comunicação com espíritos, pois estamos a dar demasiado controlo aos mesmos.
- Programarem o que é o "sim" e o "não"; exemplo: o "sim" poderia ser um movimento de frente para trás e o "não" de esquerda para a direita.
- Utilizarem um "pêndulum chart/board"; podem ser impressos, comprados ou desenhados como alguns praticantes fazem nos seus Livros das Sombras (imagem abaixo para ilustrar).
Outras formas menos tadicionais para quem tem problemas de mobilidade ou dificuldade a segurar um objecto por muito tempo de forma delicada são os "pendulum holders" que seguram o pêndulo pela pessoa e podem ser usados juntamente com o terceiro método que falei anteriormente. Também já vi DYI dos mesmos dentro de garrafas em que as mesmas são decoradas. Neste último caso, o pêndulo está prendido à tampa da garrafa pelo inteiro, ficando perfeitamente imóvel e pode ser estabelecido contacto com entidades e observar os movimentos sem que seja necessário agarrar no mesmo. Tal se aplica aos objectos vendidos para segurar pêndulos, afinal nem todas as pessoas têm a capacidade de segurar um objecto delicado como uma corrente por um período prolongado de tempo.
Acima dei alternativas para aqueles que tiverem impedimentos que não os permitam segurar um pêndulo. A forma de segurar um pêndulo na verdade é variada. É recomendável também apoiarem o cotovelo em alguma coisa pois pode ser cansativo para alguns. A maioria dos pêndulos tem algo no final da corrente tanto para segurarem a partir do fim como para impedir que escorregue e que vocês deixem cair. Não precisam de segurar o pêndulo pelo fim da corrente especialmente porque os pêndulos são vendidos com correntes de diversos comprimentos. No pêndulo que mais uso apoio o mesmo no meu dedo indicador e agarro no que sobra da corrente com a mão. Cada pessoa encontra uma forma de segurar no seu pêndulo individual. Se funciona com vocês é tudo o que importa. Podem ver
esta imagem e
esta imagem para entenderem o que eu quero dizer.
Esta imagem também é útil. Também é recomendável utilizarem esta ferramenta dentro de casa, pois vento não é uma boa ideia.
"The basic way to make a pendulum work is to pinch the top of the string between your thumb and forefinger. Use your dominant (projective) hand— basically, the hand you write with. Allow the weight to hang freely. Sometimes if you’re trying to ‘read’ something, such as energy, you may have more success if you switch the pendulum to your ‘receptive’ hand (non-dominant hand)." -
Fonte, esta que tem óptimas sugestões de como utilizar pêndulos, como por exemplo para a interpretação de sonhos.
Os pêndulos podem variar em tamanho, formato, tudo. Também podem ser feitos por vocês mesmos ou adquiridos. Tal como qualquer ferramenta, os pêndulos requerem prática e com o tempo torna-se mais natural para além dos movimentos ficarem mais fortes e evidentes. Podem utilizá-los para se comunicarem com o vosso subsconsciente pois não se lembram onde deixaram as chaves pela casa ou então para necromancia. Os usos de pêndulos são muito variados e isto é apenas o básico. É uma forma de divinação bastante acessível.
Pinterest: pendulum chart
Varas de radiesesia
- O que são varas de radiestesia?
Estas são as descendentes mais próximas desta prática. A radiestesia era utilizada para fins mundanos como encontrar água, minerais ou objectos perdidos mas evoluiu para o mundo esotérico em conjunto da explicação do fenómeno pelo efeito ideomotor, ou seja, movimentos involuntários do corpo. Isto faz com que o pêndulo e as varas sejam uma forma de acedermos ao nosso subconsciente e a memórias que já não temos acesso, mas também como forma de necromancia pois, tal como na escrita automática, são as entidades que se comunicam através do nosso corpo e daí podemos aceder a conhecimento que nos ultrapassa. Tal não é o mesmo que incorporação mas é preciso ter cuidado com o trabalho com entidades - não comecem a chamar por espíritos! Não é para iniciantes, essa técnica é avançada, requer proteções, entre outras coisas.
- Como são as varas de radiestesia?
Apesar do imagem tradicional de radiestesia ser uma vara bifurcada (forquilha), as varas da imagem (fim da publicação) são as mais comuns nos dias de hoje, sendo chamadas de dual-rods ou L-rods.
- Qual é o uso de dowsing rods?
As varas são utilizadas para encontrar objectos perdidos, campos energéticos, alinhamento de chakras e outras terapias, mas acima de tudo para comunicação com espíritos pois o efeito é mais notável para essa finalidade.
Nas varas modernas, a base das mesmas deve ser agarrada de punho fechado. As varas movem-se livremente pois não estão ligadas à base, existindo um mecanismo. Podem verificar na imagem no fundo da publicação. As varas em si encaixam dentro do sítio onde se deve de segurar. O punho deve ser fechado e não entrar em contacto nem com o fim das varas nem com o início das mesmas. Portanto, as mãos devem ficar centradas na pega já existente.
Apesar de haver algumas interpretações tradicionais dos movimentos das varas, quando estas são utilizadas para a comunicação com entidades geralmente dita-se o seguinte "se alguma entidade estiver presente, por favor cruze as varas" ou em alternativa "cruze as varas para sim, afaste as varas para não". Outra utilidade das varas é que estas podem apontar diretamente numa direção ou local, sendo mais fácil serem guiadxs por entidades ou para estas apontarem para o local onde as mesmas estão. Podem fazer outros testes como pedirem para as entidades apontarem para alguma parte da divisão, como por exemplo "por favor apontar as varas para a porta", e ainda existem outros jogos para vocês irem treinando.
Porém, é preciso relembrar que existem muita regras, ética e cuidados quanto a comunicação com espíritos. Lembrem-se de serem sempre educados. Devem de tratar entidades com respeito e perguntar se estão a gostar de se comunicarem daquela forma, se gostam de falar com vocês ou se preferem acabar a comunicação, para além de pedirem permissão para tudo. Necromancia é uma técnica avançada. Não se deve pegar nestes instrumentos quando estão aborrecidos sem nenhuma preparação, especialmente se vão trabalhar com espíritos. É recomendável abrir um círculo mágico e criar uma seancé como se faz em qualquer outro instrumento de necromancia.
Pêndulos são de muito fácil acesso, qualquer loja esotérica vende. Para além disso, podem fazer vocês mesmxs. Já as varas são mais difícies de encontrar mas comprei as minhas na amazon.
Conclusão geral: quais são os pontos positivos e negativos de dowsing?
Para pessoas que ainda estão a trabalhar a sua intuição ou a entrar no mundo espiritual, dowsing é uma boa ferramenta para quem não tem muitos dons desenvolvidos. Pêndulos são fáceis de encontrar / fazer e também práticos de transportar. As varas são uma forma bastante clara e óbvia de que não são vocês a mexer as varas e torna-se bem mais difícil o movimento ideomotor pois a pega é fixa nas mãos mas as varas andam livremente por uma tubagem interior. Outro ponto positivo é que é uma boa forma de obter respostas rápidas, simples e diretas, por exemplo de espíritos guias, sem ser necessário uma tiragem completa. É uma boa forma de trabalhar juntamente com qualquer entidade e de obter respostas sobre o estado do plano astral, se possuem algum mau olhado ou maldição, afinal de contas o conhecimento que os espíritos possuem ultrapassar-nos. Tal como vocês poderiam fazer uma tiragem para saber se sofreram de algum ataque, também podem perguntar aos vossos espíritos guias se tal aconteceu. Isto torna as práticas de bruxes bastante variadas. São um óptimo instrumento para introduzirem nas vossas práticas. Podem requerer algum treino mas acreditem que um dia serão bastante úteis. Para além disso, estas ferramentas possuem usos bastante práticos que vão para além de comunicação com entidades.
Os pontos negativos é que pêndulos e dowsing apenas respondem sim/não, logo não é possível uma comunicação profunda e clara. É preciso fazer perguntas adequadas que apenas possam ser respondidas dessa forma, logo vocês não vão obter respostas complexas. É bom para algum trabalho com entidades pois podem confirmar se existe alguma no cómodo onde vocês estão, caso ainda não tenham desenvolvido dons de sentir entidades, como também podem estabelecer alguma forma de comunicação mas não podem estabelecer uma conversa fluída com as mesmas. Também não é indicado fazer perguntas filosóficas ou profundas no início como se existe Deus ou assim, algumas entidades não gostam disso. Também não peçam sinais de não souberem nada sobre a entidade com quem se estão a comunicar. E lembrem-se que entidades mentem e podem manipular-vos dizendo que são um ancestral ou algo similar. Necromancia não é uma técnica para iniciantes, vocês precisam de ter a certeza que convidaram apenas boas entidades e devem de trabalhar os vossos dons para poderem ter a certeza. Para além disso, perguntem as coisas mais do que uma vez mas de forma diferente, só que de forma espaçada, para verificarem se existe alguma contradição do que a entidade diz.
Não esperem que as entidades saibam tudo, muitas delas estão confusas. Muitas vezes movimentos ambíguos querem dizer um simples "não sei". Também é preciso notar que existem entidades com mais presença do que outras, mas tal será do conhecimento de quem conhece o trabalho espiritual. Existem vários tipos de entidades. Pode calhar-vos alguma entidade muito fraca, logo os movimentos do pêndulo vão ser igualmente fracos. Podem acender velas ou disponibilizarem a vossa própria energia para as entidades. Também é recomendável deixar oferendas no final da comunicação, para além de sempre se despedirem das mesmas.
Curiosidade: Uma vez estava a conhecer uma entidade e a fazer-lhe perguntas acerca de ela mesma e acabei por perguntar se a mesma podia apontar para o meu computador. As varas não se mexeram. Perguntei se sabia o que era um computador e respondeu que não. Mais à frente perguntei-lhe de seguida mais sobre a mesma e descobri que essa entidade tinha nascido há dois séculos! Achei muito engraçado.
No futuro próximo farei mais publicações acerca de trabalho com entidades. Espero ter dado a conhecer algo novo aos leitores. Sempre obtive óptimos resultados com ambas as ferramentas.
Possuo um pêndulo de opalite e outro de ruby zoisite (anyolite) e um par de varas de radiestesia banhadas a cobre como é tradição.