Mostrar mensagens com a etiqueta spirit work. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta spirit work. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Ouija / Spirit Boards

A ideia de comunicação com entidades revela sentimentos contraditórios em praticantes. Se por um lado o uso de pêndulos é recomendado, por outro os tabuleiros de ouija estão repletos de mitos. Já falei imenso sobre isto no meu twitter - "angel boards" são boas, mas "ouija boards" são más. Vamos então desmitificar este método de divinação? O mundo inteiro já ouviu falar de tabuleiros ouija e o quão perigosos eles podem ser, afinal há muitos mitos sobre isso. Vou matar a vossa curiosidade sobre se estes são um mito ou um simples jogo e o que realmente acontece num seancé para leigos.

O que é um tabuleiro de ouija?
Um tabuleiro de ouija não é mais do que uma simples "spirit board", um dos métodos de comunicação com entidades mais populares e existem diversos formatos e feitios. Este método em si requer que praticantes pousem as mãos sobre um ponteiro (planchette) que depois é conduzida pela entidade que se estão a tentar comunicar. Estes tabuleiros inserem-se numa categoria de ferramentas utilizadas por pessoas que se comunicam com entidades. O sucesso com este método varia de praticante para praticante, pois cada pessoa tem os seus métodos favoritos de comunicação com espíritos. Este não é o único! Não se preocupem se não resultar tão bem como outros. Tal como há quem prefira runas a baralhos de tarot, cada praticante tem as suas ferramentas. Portanto, tal significa que o tabuleiro de ouija não é mais do que uma ferramenta entre muitas. Então, isto pode ser perigoso ou não? Absolutamente! Pode ser perigoso.

Porquê as histórias de terror sobre ouija boards?
As duas principais razões são: 1) mitificação, as pessoas naturalmente adoram este tipo de histórias e têm medo de espíritos; 2) inexperiência. Sobre as histórias verdadeiras de más experiências, tal deve-se a pessoas ignorantes utilizam o tabuleiro (ou fazerem qualquer outro jogo associado a espíritos como o jogo do copo) sem terem o devido conhecimento e as devidas proteções. Séance são rituais, especialmente para quem ainda não desenvolveu dons. A origem destas práticas provém da época vitoriana!* Não se invoca aquilo que não se sabe banir. Sabes te livrar de algum espírito? Conheces alguém que consiga te desapegar de um espírito? Não? Então não o faças. Simples!
*A comunicação com espíritos/ancestrais/divindades é uma prática milenar e transcendente a todas as culturas. Aqui refiro-me à origem de "séances" ou sessões espíritas.

Quais são os perigos reais associados?
O primeiro perigo é realmente ficarem com uma entidade apegada a vocês mesmes ou à vossa casa. Pior é se for uma entidade negativa. Para além disso, se vocês não querem se expor à possibilidade de ficar assombrados não façam trabalho com espíritos (isto exclui utilizar métodos divinatórios para entrar em contacto com divindades, pois são práticas diferentes). Geralmente essas mudanças não ocorrem de um dia para o outro mas poderão constantemente serem atormentades com entidades pois começaram a trabalhar com as mesmas sem terem esse compromisso em mente. Isto vai de encontro com QUALQUER forma de comunicação com espíritos - pêndulos, varas de radiestesia, spirit boxes, etc. É algo a ter em consideração. 
O segundo grande perigo associado é a inexperiência de forma geral. Trabalho com espíritos é muito complexo e requer muito estudo. Vocês precisam de saber o básico de proteção e manipulação energética para criarem um espaço seguro. Se isso não acontecer, vocês estão a convidar qualquer entidade a se comunicar com vocês. Resultado? Não estão a barrar as entidades negativas. Daí existirem muitas experiências negativas com pessoas que utilizaram o tabuleiro sem terem qualquer proteção mínima. É mais fácil atrair entidades de frequência baixa. A inexperiência também leva ao facto das pessoas acreditarem em tudo o que as entidades dizem, pois não têm conhecimento de spirit work e não sabem que espíritos mentem. Isto leva a deixarem as entidades abusarem das pessoas e ficarem agarradas às mesmas. 

Mitos acerca do tabuleiro de ouija:
A possessão é possível? Pouco provável, se não que é impossível. Era preciso ter azar. Nunca vi uma história realista disso a acontecer. Demónios possuem pessoas e geralmente com autorização das mesmas. Espíritos humanos não possuem pessoas. Para não ficarem com obsessores / encostos recomendo terem atenção para não estarem vulneráveis enquanto fazem o ritual.
Todos os espíritos que falam através da ouija board são inferiores ou negativos. É possível encontros com espíritos inferiores, de frequência baixa, negativos ou até demónios. Se vocês estiverem a chamar qualquer entidade, então é mesmo qualquer entidade que possa estar nas redondezas (os demónios também têm os seus territórios, a casa pode estar assombrada, alguém presente tem um encosto...). 
Ouija boards são portais. Não, são bocados de madeira, papel, cartão. Os espíritos estão ao nosso redor, nós é que os chamamos. O tabuleiro não é um portal mais do que qualquer outra ferramenta de comunicação com espíritos. 
Existem demónios associados à ouija board (zozo, etc). Tudo aponta a serem mitos urbanos. Os espíritos gostam de assustar pessoas, logo provavelmente não significa nada. Se um espírito disser algo que não faz sentido pode dever-se a ser uma entidade fraca ou então está a gozar contigo. Se esses demónios realmente existissem, qual é a pancada deles com o tabuleiro? Por que razão se limitam ao mesmo?

Instruções: como usar; sinais de alerta
PS: isto não é a ensinar como fazer uma sessão espírita, podem perder a esperança nisso; não ensino tal coisa pois quem pode estar a ler é inexperiente. 
É necessário aprender proteção de vocês mesmos e do vosso espaço. Não consigo ensinar como utilizar de forma segura a não-praticantes, pois falta-vos imensas bases. Se querem um dia trabalhar seriamente com espíritos, investiguem as várias tradições com práticas de necromancia. Falem com praticantes, mediuns, etc. Eu só posso falar pela minha tradição. Se querem só matar a vossa curiosidade esperem conhecer algum praticante que tenha disponibilidade de fazer uma sessão com vocês. Estas minhas instruções servem de trouble shooting caso vocês alguma vez tenham tentado comunicar com alguma entidade de forma geral ou através de um tabuleiro.

Primeiramente aqueles básicos que qualquer praticante sabe: limpeza, proteção; tanto do espaço, de vocês mesmes, do tabuleiro, do ponteiro, todos os objectos relacionados. As proteções pessoais são importantes, o estabelecimento de um espaço seguro como um círculo mágico. Vocês não podem estar desprotegides espiritualmente nem podem deixar que energias negativas entrem no vosso espaço. Podem fazer a sessão fora de vossa casa, no exterior talvez, mas não façam num cemitério pois estão rodeados de imensas entidades e ficará confuso. Fazerem a sessão fora de casa pode baixar as chances de ficarem com algo agarrado, no entanto isso não vos salva de ficarem com algo agarrado a vocês. Se vocês fizeram a sessão num local com muita actividade paranormal, antes de voltarem a casa façam três paragens no caminho para evitarem que alguma entidade vos siga. Mas é melhor evitar do que remediar, pois isto não é um método infalível sem proteção. Se puderem trazer incenso de limpeza com vocês para utilizarem também depois da sessão ainda melhor. Isto é senso comum mas tentarem fazer uma sessão num sítio onde sabem que ocorreu uma morte brutal e violenta não é a coisa mais inteligente de se fazer. Há espíritos em todo o lado, por que raio querem se comunicar com alguém que não vão conseguir ajudar? 
Também recomendo não fazerem comunicação com espíritos sozinhes no início da vossa prática. E se vocês têm medo ou paranoia ou alguém do grupo sente isso, não participem. Essas pessoas são vulneráveis e vão atrair entidades inferiores que se alimentam desses sentimentos. Também jamais forcem alguém a participar contra a sua vontade. Não façam comunicação com entidades se: estão doentes, enfraquecides, tristes, sob o efeito de álcool ou drogas, tendo em vista que estas situações te tornam vulnerável a perigos. 
Têm de saber como abrir uma sessão espírita e chamar entidades positivas e pedir que se comuniquem. 

Alertas durante a sessão (alguns de acordo com mitos urbanos - mais vale prevenir do que remediar - e coisas realmente factuais)
  • Nunca permitir que o ponteiro vá para as extremidades do tabuleiro de forma que possa sair/cair do mesmo. O mito urbano diz que pode ocorrer possessão, algo que eu duvido pois não acho que as entidades "escapem" do tabuleiro pois elas não estão realmente no tabuleiro, mas pronto. O tabuleiro não é um portal.
  • Similar, se o ponteiro se mover para os quatro cantos do tabuleiro pode indicar que têm uma entidade engativa ou instável com vocês. Outros mito urbanos incluem: se o ponteiro apontar o número oito repetidamente, um mau espírito está a controlar o tabuleiro; os famosos espíritos maus do tabuleiro são zozo e mana; se o ponteiro começar a contar de forma decrescente as letras do abecedário ou os números quer dizer que o espírito está a tentar sair do tabuleiro; não deixar cair ou voar o ponteiro; jamais deixar que alguém retire as mãos do ponteiro durante a sessão, têm de estar todos a tocar até a sessão acabar, e se alguém precisar de se ausentar sem a sessão acabar podem "subsistuir" com outra pessoa que fica no lugar dela. 
  • Factualmente, se alguém se sentir mal durante a sessão parem imediatamente. Digam adeus e fechem a sessão. Se o vosso sentido de passagem do tempo estiver alterado, parem. É por isso que alguém deve estar a ver e a alertar estas coisas, sendo também útil alguém que vá apontando o que a entidade está a dizer. 

Finalizar a sessão
Isto é das partes mais importantes para não sofrerem consequências após a sessão - despeçam-se sempre das entidades. A entidade também deve se despedir de vocês, idealmente. O ponteiro deve ir até ao adeus. Digam sempre adeus às entidades, o tabuleiro deve ser fechado correctamente após a sessão. Antes de entrar na sessão e antes de sair é preciso pedir permissão, desejar a continuação de bom descanso, informar que a sessão chegou ao fim, e ao longo da sessão é importante verificar se a entidade gosta de falar com vocês ou se deseja encerrar a sessão. 

- Trabalho com espíritos e entidades: métodos, precauções

Sobre precauções gerais com espíritos, estes vão mentir. Isto é o que qualquer pessoa com experiência vos irá dizer. Se vocês não conseguem sentir espíritos, ouvi-los, etc. e perguntarem “és a minha falecida avó?” garanto-vos que um espírito “trickster” (ou pior, malévolo) irá dizer que sim. Não assumam coisas. Façam as perguntas. Se alguma entidade disser que é da vossa família, façam perguntas de despiste. Os espíritos contactados através do tabuleiro, especialmente se a sessão não for feita correctamente, tentarão ganhar a tua confiança através de mentiras. Por exemplo, um mau espírito irá obviamente alegar que é bom. Nunca confiar no que as entidades dizem.

É muito importante manter o contacto sempre de forma respeitosa e só convidar para a sessão pessoas de confiança, seguras e que o farão seriamente. Pessoas que fazem piadas ou gozam vão irritar a entidade não são boas companheiras. Mais vale não fazerem a sessão se não têm ninguém de confiança para fazer com vocês. Sessões sozinhes é mais avançado, não utilizem o tabuleiro sem um mínimo de duas pessoas.. Reforço também para não forçarem pessoas a utilizarem o tabuleiro contra a sua vontade, quem não quer participar fica a ver. Até é importante terem alguém que fique a ver pois é bem complicado ler o que está a ser soletrado. A pessoa que fica a ver pode apontar as letras para poderem formar uma frase.

Outras dicas:

  • Não façam perguntas com ironia. Não tentem “alertar” a entidade de que está morta. Maus espíritos também poderão fazer piadas obscenas. Jamais se riam ou se irritem. Encerrem a sessão.
  • Também evitem perguntar coisas relacionadas ao futuro ou perguntas filosóficas. Vocês não têm experiência para isso. Não perguntem se Deus existe, etc. 
  • Nunca insultem um espírito. Terem um espírito chateado apegado a vocês é bem chato, aviso já.
  • O grande aviso é que necromancia (divinação com espíritos) NÃO É trabalho de iniciantes.
  • Apenas uma pessoa deve de falar com o espírito – é o porta-voz. Nunca retirem as mãos do ponteiro. 
  • Primeiro têm de se despedir do espirito antes de encerrar a sessão. É muito importante despedirem-se das entidades após uma sessão espírita.
  • Se tens um tabuleiro que te assustou, pára de usar e guarda-o simplesmente. Nunca deixar o ponteiro sozinho sobre o tabuleiro se não o estiveres a utilizar. Guarda o ponteiro separado do tabuleiro.
  • O mito urbano diz que POSSUIR um tabuleiro de ouija é um compromisso para a vida. Tabuleiros de ouija que são deitados fora incorrectamente libertam diversos espíritos que poderão assombrar o dono, especialmente se vocês não limpam o vosso tabuleiro. Dizem que a forma correcta é dito que devem de partir o tabuleiro em sete bocados e enterrar em sete locais diferentes. No entanto, as tradições variam. Muitas pessoas dizem que não é realmente possível te livrares do tabuleiro. Não vos consigo confirmar se é verdade, nunca me tentem livrar do meu.

Últimos avisos:

1- Não façam do uso de qualquer forma de comunicação com espíritos um vício. Se vocês se sentem sozinhes, estão a passar por luto, etc não o façam.

2 - Último aviso é que trabalho com espíritos não é um jogo!


sábado, 2 de janeiro de 2021

Etiqueta de cemitérios

 Num post anterior Bruxaria e a Morte escrevi sobre a relação entre estes dois assuntos mas esse texto era mesmo muito longo. Pelo meio desse texto toquei na etiqueta de cemitérios, mas decidi fazer um post mais aprofundado sobre a mesma. Se tiverem interesse em trabalhar com espíritos e gostarem de saber algumas formas de o fazer, tal como trabalhar nos cemitérios recomendo esse texto. Se vocês tiverem zero experiência com espíritos não recomendo tentarem avançar para trabalho com os mesmos, mas se já estiverem com algumas leituras e quiserem saber pequenas dicas, superstições e crenças populares, bem tentei aglomerar algumas dicas. Se pretendem seguir uma etiqueta espiritual numa ocasional visita a um cemitério ou simplesmente algum censo comum, espero conseguir ajudar com algumas coisas que me foram ditas e outras que vejo serem passadas pela comunidade.

  • Existe a crença de que são vários os espíritos importantes nos cemitérios mas no que consta esses mesmos espíritos é algo variado. Fala-se no guardião do cemitério que podem ser entidades que guardam os portões do mesmo (e todos os espíritos e o espaço) ou então o espírito mais velho do cemitério (ou os dois casos misturados). Por conta disto há quem deixe oferendas na entrada do cemitério para os guardiões ou pedem autorização ao espírito mais antigo para retirar algo da propriedade como terra do território do cemitério (diferente de terra de campas, algo que eu explico no texto que tenho referido - recomendo a leitura para interessados). 
  • Os guardiões do cemitério costumam gostar de moedas ou bebidas alcoólicas (libações, por exemplo). Outras oferendas comuns são pequenas ervinhas como alfazema. A comida não costuma ser muito apreciada pelos trabalhadores dos cemitérios, logo não recomendo, pois o cemitério não é uma floresta mas sim um espaço que tem manutenção e muitos visitantes. A etiqueta comum é deixar moedas nos portões do cemitério e cumprimentar estas entidades. Se as moedas forem de prata ainda melhor, mas basta algumas moedinhas como pagamento. Muitas pessoas tentam se familiarizar com estes espíritos e criar uma ligação, como explico no post que referi sobre trabalho com a morte e espíritos em geral.
  • Recomendo não retirar absolutamente nada de um cemitério sem pensar duas vezes. Algo que jamais se deve retirar de lá são oferendas de famílias de defuntos. Podem parecer apenas pedras mas vocês não sabem se não serão uma oferta de alguém que conhecia a pessoa. Não retirem nada de campas de defuntos! Pensem que vocês deixavam algo com grande valor sentimental na campa de alguém querido e alguém roubava, como se iriam sentir? 
  • Peçam permissão aos espíritos para fazer alguma coisa que planeiam fazer. Falem com os mesmos. Pensem no local em que estão e que se fazer o que pretendem fazer pode ser ofensivo ou pode não ser o momento ideal para as entidades. As coisas nem sempre são como e quando nós queremos, é preciso trabalhar para elas. Entidades também têm as suas vontades, daí pedirmos permissão e consentimento. 
  • Sair de um cemitério com um encosto ou a ofender entidades não é uma experiência divertida. Retirar terra de campas é um processo mais longo e requer uma conexão com a entidade em específico e também não deve ser de uma sepultura qualquer. Não façam se são iniciantes, podem pedir serviços a praticantes mais experientes para casos destes. Não recomendo comprarem essa terra se for de uma grande superfície como uma loja esotérica que vem com a terra já embalada, peçam mesmo a um praticante. Geralmente nas lojas vende-se terra de cemitério apenas, mas se virem terra de campa jamais comprem, não parece ser muito inteligente pois vocês nem sabem de que campa poderá ser (ou se é mesmo real). 
  • Algumas pessoas cobrem a cabeça (veiling) como forma de proteção espiritual. Sobre roupa é recomendado algo mais simples e há a crença de não usar roupa nova quando se vai a cemitérios. Há praticantes que consideram a cor branca e/ou a cor preta de proteção. Escolham o que acharem melhor, mas recomendo roupa minimamente apropriada. 
  • Tirar fotos a campas não costuma ser problema e nem ao cemitério em si, mas não tirem fotos a funerais ou a pessoas em luto pois acham "estético". Nada de selfies ou selfie sticks. Não pousem em cima de campas, isso é muito desrespeitador.
  • Frisar: Não interrompam funerais também; Não interrompam o luto das pessoas nos cemitérios. Cuidado com conversas com pessoas estranhas pois muitas pessoas que lá vão não estão para conversas. Podem estar de luto, não a passear. 
  • Não façam coisas indecentes como barulho, pôr música, uma festa, seja o que for. Podem fazer atividades com respeito tais como ler um livro, passear, tudo mais. No entanto o que é aceitável muda de cultura para cultura, pois há países em que os cemitérios parecem quase parques e têm estradas onde passam carros. 
  • Podem existir sinais que indicam as regras do cemitério. Sigam essas regras. Tenham em atenção as horas de fecho do cemitério pois muitos fecham bastante cedo. 
  • Cada cemitério que visitam é uma parte da história bastante real pois quem está lá a descansar são pessoas reais com família. Pensem bastante nisso. Tratem cada cemitério como um local de descanso. Profanação é muito mal vista aos olhos de bastantes religiões. Recomendo sensibilidade cultural em cemitérios especialmente se forem visitar cemitérios em outros países. Também recomendo manterem o mesmo respeito caso seja a campa de alguém famoso que está sepultado ou alguma pessoa estranha e até um familiar. Todas as pessoas merecem o mesmo nível de respeito. Em diversos países a cultura em volta de cemitérios é diferente também. 
  • Se virem alguma campa muito mal cuidada com ossadas expostas e tudo mais não tentem simplesmente "resolver isso" e consertá-la.  Podem arranjar flores caídas, atender às campas, mas sejam cuidadosos se pegarem em pedras pois podem se magoar ou partir ainda mais. A manutenção de cemitérios requer cuidado pois as pedras podem já estar fragilizadas e os cuidadores do cemitério podem achar que estão a vandalizar. Não mexam em ossadas, não entrem dentro de jazigos que estão abertos devido a degradação, nada disso.
  • Não sujem o cemitério e isso inclui tentarem fazer rituais lá e deixarem lá restos e tudo mais. Não façam isso. Retirem lixo e deixem o terreno limpo mas não confundam lixo com oferendas. Nem toda a Arte requer itens sequer.
  • Jamais pisem campas de alguém, nem se sentem lá, não tirem fotos em cima de campas, não passem por cima de campas. Tenham cuidado a passar em locais de relva pois pode estar alguém a descansar lá de baixo. Se isso acontecer peçam desculpa.
  • No assunto de não tirarem fotos em cima das campas, além de ser horrível também é perigoso pois muitas pedras são mesmo antigas e podem danificar a campa, magoarem-se, entre muitas coisas erradas que podem acontecer se se puserem em cima de campas. Não façam isso. A pior coisa sobre se encostarem em alguma campa é acabarem por partir a mesma. Imaginem o quão horrível isto seria. Por favor nem tentem. 
  • Muitas pessoas creem que não se deve assobiar em cemitérios.
  • Agradeçam aos espíritos (incluindo os guardiões). Despedirem-se também ajuda para não ficarem com alguma entidade a seguir-vos até casa. Isto é um pouco básico de trabalho com espíritos mas digam sempre adeus e desejem a continuação de bom descanso.
  • Recomenda-se no caminho de volta a casa fazerem diversas paragens para confundir alguma entidade que vos estejam a seguir, isto especialmente se estiveram a trabalhar com entidades ou se por acaso foram desprotegidos a um cemitério (ou se estão fragilizados de alguma forma). Podem também fazer algum banho de limpeza quando chegarem a casa.
  • Não incomodem o descanso dos defuntos em vão. Devem ter um motivo, os espíritos não são brinquedos.
  • Sobre ingredientes e diferentes trabalhos que podem ser realizados em cemitérios recomendo lerem o meu post. Existem praticantes que são desrespeitosos em cemitérios sim! Houve casos de praticantes roubarem ossadas de cemitérios, jamais façam isto! 

  Há que frisar que devem saber também qual é a cultura daquele cemitério ou se possui divisões para diferentes culturas pois isso vai alterar imenso aquilo que é aceite se fazer lá tanto por respeito ao descanso dos defuntos como também à família das pessoas que lá estão sepultadas. Devem sempre respeitar os desejos dos mortos se creem em entidades. Seria contraditório acreditar na vida para além da morte, na alma, o que quiserem chamar, no entanto não achar que as pessoas têm vontades na outra vida. Tenham isto em consideração quando lidarem com espíritos em particular (como falo naquele post que referi) e tentem aprender sobre essas pessoas, a sua história, a religião ou cultura a que pertencem, e também tendo em consideração a época em que viveram. Eu acredito que as pessoas na outra vida ganham alguma iluminação espiritual, especialmente ancestrais, mas nem todos os espíritos são bons e têm de ter isso em consideração! Mais uma vez, trabalho com espíritos 101 básico mas reforço para não serem ingénuos. Uma dica é não se apresentar a entidades como praticantes de bruxaria, fica um conselho ("Olá Espírito, sou bruxa, queres falar?"). Apresentem-se com quem vocês são e só deem explicações se já tiverem alguma ligação com as entidades e tenham cuidado com as palavras. A forma de falar com entidades é importante, devem apenas chamar aquelas que pretendem se comunicar (como aquelas que são do bem, se for esse o caso) e também esclareçam que têm boas intenções, pois isso é muito importante. Além disso cada entidade é diferente. Um à parte, cemitérios não são um local "fixe", poderão assistir a cenas muito duras como o luto de pessoas que acabaram de perder uma criança. Tenham respeito pois um cemitério é um lugar pacífico, de luto, de culto e de descanso. 

PS: algumas destas práticas que descrevi entram em "superstições"; vocês não são obrigados a seguir as coisas como eu vos disse, apenas transmiti informação, pois cada praticante é diferente e vocês podem não acreditar nas mesmas coisas (como no caso dos guardiões dos cemitérios e tudo mais).

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Radiestesia: pêndulos e varas

Pêndulos costumam ser uma das primeiras ferramentas divinatórias que iniciantes começam a trabalhar, alguns mesmo antes de um baralho de cartas. No entanto, leio poucos textos em que enquadram os mesmos na prática a que pertencem: dowsing, também chamado de radiestesi ou rhabdomancy. Como possuo dois instrumentos ligados à mesma área - varas e pêndulos - decidi fazer um pequeno texto introdutório aos mesmos e explicar o que são, os seus usos, como adquirir e o básico sobre os mesmos. Porém, este texto não é uma introdução ao tópico de radiestesia, pois esse é bastante abrangente. Fiz há pouco tempo uma thread na conta twitter do blog acerca dos mesmos mas decidi aprofundar e deixar registado no blog para caso alguém a tenha perdido poder aprender sobre estas duas práticas simples e eficazes! Deixo o apontamento que estes dois instrumentos também podem ser aplicados a trabalho com espíritos - um dia farei um texto sobre este assunto. A prática de dowsing evoluiu ao longo dos tempos e duas formas bastante comuns são estas mesmas: pêndulos e varas.

Pêndulos 
  • O que é um pêndulo?
É uma forma simples de divinação utilizando um objecto pesado suspenso por um fio. Pode ser qualquer objecto, no entanto lojas esotéricas vendem tipicamente pêndulos de cristais ou de metal. Existem vários praticantes que fazem os próprios pêndulos. Como qualquer ferramenta, pêndulos devem ser limpos, carregados, consagrados e programados. Pêndulos são das práticas mais antigas - até a minha bisavó utilizava.

  • Quais são os usos de um pêndulo?
Pêndulos são utilizados para se conectarem com o vosso subconsciente ou entidades espirituais para responder a perguntas de sim/não, encontrar objectos perdidos, entre outros usos. Quanto às entidades, os usos são variados, tais como guias espirituais, ancestrais, divindades (segundo alguns) ou para necromancia de forma geral. Também podem ser usados em curas ou para equilibrar chakras.

  • Como programar e utilizar um pêndulo?
Primeiro, é aconselhável limpá-lo e consagrá-lo pois estamos a falar de uma ferramenta sagrada e espiritual. Estes objectos são instrumentos mas tal requer cuidados. Depois, para programar existem três formas:
- Podem perguntar ao pêndulo para mostrar "sim" e o "não"; depois podem testá-lo com perguntas básicas como "eu sou uma menina?" ou "o meu cabelo é preto?"; porém, alguns praticantes têm problemas com este método, especialmente no que se trata de comunicação com espíritos, pois estamos a dar demasiado controlo aos mesmos.
- Programarem o que é o "sim" e o "não"; exemplo: o "sim" poderia ser um movimento de frente para trás e o "não" de esquerda para a direita.
- Utilizarem um "pêndulum chart/board"; podem ser impressos, comprados ou desenhados como alguns praticantes fazem nos seus Livros das Sombras (imagem abaixo para ilustrar).

  • Alternativas
Outras formas menos tadicionais para quem tem problemas de mobilidade ou dificuldade a segurar um objecto por muito tempo de forma delicada são os "pendulum holders" que seguram o pêndulo pela pessoa e podem ser usados juntamente com o terceiro método que falei anteriormente. Também já vi DYI dos mesmos dentro de garrafas em que as mesmas são decoradas. Neste último caso, o pêndulo está prendido à tampa da garrafa pelo inteiro, ficando perfeitamente imóvel e pode ser estabelecido contacto com entidades e observar os movimentos sem que seja necessário agarrar no mesmo. Tal se aplica aos objectos vendidos para segurar pêndulos, afinal nem todas as pessoas têm a capacidade de segurar um objecto delicado como uma corrente por um período prolongado de tempo. 

  • Como segurar um pêndulo?
Acima dei alternativas para aqueles que tiverem impedimentos que não os permitam segurar um pêndulo. A forma de segurar um pêndulo na verdade é variada. É recomendável também apoiarem o cotovelo em alguma coisa pois pode ser cansativo para alguns. A maioria dos pêndulos tem algo no final da corrente tanto para segurarem a partir do fim como para impedir que escorregue e que vocês deixem cair. Não precisam de segurar o pêndulo pelo fim da corrente especialmente porque os pêndulos são vendidos com correntes de diversos comprimentos. No pêndulo que mais uso apoio o mesmo no meu dedo indicador e agarro no que sobra da corrente com a mão. Cada pessoa encontra uma forma de segurar no seu pêndulo individual. Se funciona com vocês é tudo o que importa. Podem ver esta imagem e esta imagem para entenderem o que eu quero dizer. Esta imagem também é útil. Também é recomendável utilizarem esta ferramenta dentro de casa, pois vento não é uma boa ideia.

"The basic way to make a pendulum work is to pinch the top of the string between your thumb and forefinger. Use your dominant (projective) hand— basically, the hand you write with. Allow the weight to hang freely. Sometimes if you’re trying to ‘read’ something, such as energy, you may have more success if you switch the pendulum to your ‘receptive’ hand (non-dominant hand)." - Fonte, esta que tem óptimas sugestões de como utilizar pêndulos, como por exemplo para a interpretação de sonhos.

  • Conclusão

Os pêndulos podem variar em tamanho, formato, tudo. Também podem ser feitos por vocês mesmos ou adquiridos. Tal como qualquer ferramenta, os pêndulos requerem prática e com o tempo torna-se mais natural para além dos movimentos ficarem mais fortes e evidentes. Podem utilizá-los para se comunicarem com o vosso subsconsciente pois não se lembram onde deixaram as chaves pela casa ou então para necromancia. Os usos de pêndulos são muito variados e isto é apenas o básico. É uma forma de divinação bastante acessível. 

Pinterest: pendulum chart

Varas de radiesesia 
  • O que são varas de radiestesia?
Estas são as descendentes mais próximas desta prática. A radiestesia era utilizada para fins mundanos como encontrar água, minerais ou objectos perdidos mas evoluiu para o mundo esotérico em conjunto da explicação do fenómeno pelo efeito ideomotor, ou seja, movimentos involuntários do corpo. Isto faz com que o pêndulo e as varas sejam uma forma de acedermos ao nosso subconsciente e a memórias que já não temos acesso, mas também como forma de necromancia pois, tal como na escrita automática, são as entidades que se comunicam através do nosso corpo e daí podemos aceder a conhecimento que nos ultrapassa. Tal não é o mesmo que incorporação mas é preciso ter cuidado com o trabalho com entidades - não comecem a chamar por espíritos! Não é para iniciantes, essa técnica é avançada, requer proteções, entre outras coisas. 

  • Como são as varas de radiestesia?
Apesar do imagem tradicional de radiestesia ser uma vara bifurcada (forquilha), as varas da imagem (fim da publicação) são as mais comuns nos dias de hoje, sendo chamadas de dual-rods ou L-rods.

  • Qual é o uso de dowsing rods?
As varas são utilizadas para encontrar objectos perdidos, campos energéticos, alinhamento de chakras e outras terapias, mas acima de tudo para comunicação com espíritos pois o efeito é mais notável para essa finalidade.

  • Como segurar nas varas?
Nas varas modernas, a base das mesmas deve ser agarrada de punho fechado. As varas movem-se livremente pois não estão ligadas à base, existindo um mecanismo. Podem verificar na imagem no fundo da publicação. As varas em si encaixam dentro do sítio onde se deve de segurar. O punho deve ser fechado e não entrar em contacto nem com o fim das varas nem com o início das mesmas. Portanto, as mãos devem ficar centradas na pega já existente.

  • Como programar as varas?
Apesar de haver algumas interpretações tradicionais dos movimentos das varas, quando estas são utilizadas para a comunicação com entidades geralmente dita-se o seguinte "se alguma entidade estiver presente, por favor cruze as varas" ou em alternativa "cruze as varas para sim, afaste as varas para não". Outra utilidade das varas é que estas podem apontar diretamente numa direção ou local, sendo mais fácil serem guiadxs por entidades ou para estas apontarem para o local onde as mesmas estão. Podem fazer outros testes como pedirem para as entidades apontarem para alguma parte da divisão, como por exemplo "por favor apontar as varas para a porta", e ainda existem outros jogos para vocês irem treinando.

Porém, é preciso relembrar que existem muita regras, ética e cuidados quanto a comunicação com espíritos. Lembrem-se de serem sempre educados. Devem de tratar entidades com respeito e perguntar se estão a gostar de se comunicarem daquela forma, se gostam de falar com vocês ou se preferem acabar a comunicação, para além de pedirem permissão para tudo. Necromancia é uma técnica avançada. Não se deve pegar nestes instrumentos quando estão aborrecidos sem nenhuma preparação, especialmente se vão trabalhar com espíritos. É recomendável abrir um círculo mágico e criar uma seancé como se faz em qualquer outro instrumento de necromancia.

  • Onde adquirir?
Pêndulos são de muito fácil acesso, qualquer loja esotérica vende. Para além disso, podem fazer vocês mesmxs. Já as varas são mais difícies de encontrar mas comprei as minhas na amazon.

Conclusão geral: quais são os pontos positivos e negativos de dowsing?

Para pessoas que ainda estão a trabalhar a sua intuição ou a entrar no mundo espiritual, dowsing é uma boa ferramenta para quem não tem muitos dons desenvolvidos. Pêndulos são fáceis de encontrar / fazer e também práticos de transportar. As varas são uma forma bastante clara e óbvia de que não são vocês a mexer as varas e torna-se bem mais difícil o movimento ideomotor pois a pega é fixa nas mãos mas as varas andam livremente por uma tubagem interior. Outro ponto positivo é que é uma boa forma de obter respostas rápidas, simples e diretas, por exemplo de espíritos guias, sem ser necessário uma tiragem completa. É uma boa forma de trabalhar juntamente com qualquer entidade e de obter respostas sobre o estado do plano astral, se possuem algum mau olhado ou maldição, afinal de contas o conhecimento que os espíritos possuem ultrapassar-nos. Tal como vocês poderiam fazer uma tiragem para saber se sofreram de algum ataque, também podem perguntar aos vossos espíritos guias se tal aconteceu. Isto torna as práticas de bruxes bastante variadas. São um óptimo instrumento para introduzirem nas vossas práticas. Podem requerer algum treino mas acreditem que um dia serão bastante úteis. Para além disso, estas ferramentas possuem usos bastante práticos que vão para além de comunicação com entidades.

Os pontos negativos é que pêndulos e dowsing apenas respondem sim/não, logo não é possível uma comunicação profunda e clara. É preciso fazer perguntas adequadas que apenas possam ser respondidas dessa forma, logo vocês não vão obter respostas complexas. É bom para algum trabalho com entidades pois podem confirmar se existe alguma no cómodo onde vocês estão, caso ainda não tenham desenvolvido dons de sentir entidades, como também podem estabelecer alguma forma de comunicação mas não podem estabelecer uma conversa fluída com as mesmas. Também não é indicado fazer perguntas filosóficas ou profundas no início como se existe Deus ou assim, algumas entidades não gostam disso. Também não peçam sinais de não souberem nada sobre a entidade com quem se estão a comunicar. E lembrem-se que entidades mentem e podem manipular-vos dizendo que são um ancestral ou algo similar. Necromancia não é uma técnica para iniciantes, vocês precisam de ter a certeza que convidaram apenas boas entidades e devem de trabalhar os vossos dons para poderem ter a certeza. Para além disso, perguntem as coisas mais do que uma vez mas de forma diferente, só que de forma espaçada, para verificarem se existe alguma contradição do que a entidade diz.

Não esperem que as entidades saibam tudo, muitas delas estão confusas. Muitas vezes movimentos ambíguos querem dizer um simples "não sei". Também é preciso notar que existem entidades com mais presença do que outras, mas tal será do conhecimento de quem conhece o trabalho espiritual. Existem vários tipos de entidades. Pode calhar-vos alguma entidade muito fraca, logo os movimentos do pêndulo vão ser igualmente fracos. Podem acender velas ou disponibilizarem a vossa própria energia para as entidades. Também é recomendável deixar oferendas no final da comunicação, para além de sempre se despedirem das mesmas. 

Curiosidade: Uma vez estava a conhecer uma entidade e a fazer-lhe perguntas acerca de ela mesma e acabei por perguntar se a mesma podia apontar para o meu computador. As varas não se mexeram. Perguntei se sabia o que era um computador e respondeu que não. Mais à frente perguntei-lhe de seguida mais sobre a mesma e descobri que essa entidade tinha nascido há dois séculos! Achei muito engraçado. 

No futuro próximo farei mais publicações acerca de trabalho com entidades. Espero ter dado a conhecer algo novo aos leitores. Sempre obtive óptimos resultados com ambas as ferramentas.

Possuo um pêndulo de opalite e outro de ruby zoisite (anyolite) e um par de varas de radiestesia banhadas a cobre como é tradição.