quinta-feira, 30 de abril de 2020

Tag: "Meet a Witch"

A publicação de hoje vai ser muito diferente. Achei que responder à tag que vi no youtube seria uma forma viável de dar a conhecer aos meus seguidores mais sobre mim, ou pelo menos uma parte de mim e as minhas práticas. Nos meus textos de forma geral não  aprofundo muito sobre as minhas práticas, portanto esta é a minha oportunidade para dar a conhecer isso mesmo aos leitores do blogue. 

Segue a tag:
  1. Do you use runes as a written language?
    Sim! Não só como símbolos mágicos, pois gosto de utilizar o alfabeto. 
  2. Do you feel you have natural gifts such as (premonitions, hearing spirits) and if so do you think this is what led you to this path?
    Quando era pequena era sensível a espíritos e energias, mas o que me levou a descobrir bruxaria não foi isso, pois não considero que tenha muitos dons. Estou a trabalhar para desenvolver as minhas capacidades.
  3. What deity do you work with if any and why?
    De momento, nenhum/a.
  4. Have you always worked with this same deity?
    -
  5. Do you use any personal items in your practice, (blood, semen, tears, urine, etc)?
    Nunca utilizei pois não estou totalmente informada sobre o assunto, não tenho nada contra e no futuro talvez utilize. 
  6. Do you do past life readings or have ever had one done; who where you or how did you die?
    Já recebi informação que em alguma das minhas vidas fui uma mulher romana, mas ainda não fiz nenhum trabalho sério sobre vidas passadas.
  7. What is your favorite magical tool?
    Cartas, provavelmente. E o meu caldeirão.
  8. What is a song or type of music that gets you into a witchy mood?
    Tenho algumas músicas que uso nos meus rituais, geralmente são música ambiente pagã.
  9. Where is the most magical place you have ever been?
    Sintra.
  10. What animal is your familiar if any?
    Não tenho nenhum de momento.
  11. If you have a familiar, did you choose them or did they choose you?
    -
  12. What in the craft are you best at (tarot, spells, ritual,) etc?
    Penso que sou boa em divinação no geral. Tenho melhorado imenso em termos de rituais, especialmente de proteções. Também tenho tido resultados em comunicação com entidades.
  13. What in the craft would you say you are weaker at?
    De momento, manipulação energética, meditação e intuição, ainda estou a trabalhar nesses aspectos.
  14. What is your most favorite part of your craft (spell writing, divination, etc)?
    Divinação e rituais.
  15. What was the first tool you ever purchased?
    Um baralho de tarot.
  16. What was your first homemade tool for your practice?
    No futuro adorava fazer a minha varinha, mas em casa apenas faço misturas de ervas/incensos.
  17. What are your feelings on raising kids in the craft?
    As crianças podem ser criadas na religião/práticas/fundo cultural dos parentes, tendo em atenção as suas susceptibilidades enquanto crianças (ou seja, adaptando a religião à mentalidade de crianças) e dando-lhes a liberdade de acreditarem e praticarem no futuro. No entanto, considero que religião deve ser algo abertamente explorado pela pessoa na idade adulta.
  18. If you were a goddess or god, who would you be?
    Acho esta pergunta estranha.
  19. Do you use astrology in your practice? In what ways?
    Sim, costumo fazer rituais de acordo com a situação astronómica. 
  20. What if any ways could you practice dark magic and still respect the beliefs of Wicca?
    Não sou Wiccan. 
  21. Do you have any witches in your family?
    Sim, bastantes.
  22. What item can you not witch without?
    Velas, provavlemente.
  23. What is your favorite sabbat or time of year ritual?
    Gosto de imensos, mas destaco Beltane, Samhain e Yule.
  24. Have you ever had a YouTube burn out?
    Esta tag é direcionada a youtubers, mas eu não tenho canal no youtube.
  25. What is your fav witchy shop, and do they have an online store?
    As minhas lojas favoritas não têm loja online, mas tenho lojas online que gosto imenso. Já fiz uma publicação sobre lojas esotéricas aqui no blog!
  26. When buying witchy items, do they choose you or do you choose them?
    Utilizo a minha intuição.
  27. How do you organize your herbs/ingredients?
    A minha coleção está limitada ao espaço que tenho em casa, mas organizo por jarros e ponho os nomes das ervas em inglês e português. 
  28. Do you have interest in other deities that you don’t work with; if so, which ones?
    Tenho em imensas, especialmente do panteão celta e nórdica, mas também divindades da península ibérica de forma geral.
  29. Do you have a favorite time of day to do spell work; if so, why?
    De noite sempre. É quando as pessoas estão a dormir e sinto-me mais sossegada e a lua está visível. Mas se tiver de me deslocar a algum lado, como não tenho veículo próprio é necessário ser de dia.
  30. Are you solitary or do you work with a coven?
    Totalmente solitária.
  31. If you could pick a certain witchcraft tradition that fits your practice most what would it be (Druid, Celtic, Wicca etc)?
    Sou uma bruxa pagã ecléctica. 
  32. What was the most creative spell you have ever done. What did you use?
    Não sou a pessoa mais criativa, penso que muitas das coisas já foram utilizadas, desde espelhos, fios, etc. Ainda não tenho nenhum ritual que tenha pensado que sou a única a pensar nisso.
  33. What do you prefer for divination (tarot, oracle, runes ,etc, and why?)
    Tarot é o meu sistema favorito, mas também gosto muito de runas. A minha conexão com o tarot é enorme.
  34. What are some ways you keep yourself grounded?
    Não tenho muitos problemas com isso, se necessitar medito com um cristal ou faço exercícios de grounding. Sinto-me mais grounded na natureza. 
  35. Have you ever had a spell go horribly wrong?
    Ainda não, felizmente.
  36. What are your opinions on initiation rituals?
    Esse assunto é complicado. Ando a ler um livro que fala muito sobre isso (Deuses e Rituais Iniciáticos na Antiga Lusitânia) que critica muito as iniciações actuais como sendo puramente simbólicas. Eu acho que rituais iniciáticos são interessantes, até mesmo auto-iniciação, como uma forma de te dedicares à Arte, mas compreendo as críticas do livro, no entanto nem todos conseguimos sair de uma prática solitária. No futuro gostava de aprender isso melhor com um grupo, mas não vejo como necessário, a não ser que a tua tradição o dite (como em Wicca tradicional).
  37. Have you ever had full contact with your deity; if so, what happened?
    Não.
  38. What about you is un witchy?
    Não vejo como algum aspecto de alguém possa ser "unwitchy", visto que não há uma única forma de ser, ou estilo, ligado à prática.
  39. For the dating witch, how do you tell a new love interest that you are a witch?
    Nunca tive problemas com isso. Nem todas as pessoas na minha vida aceitam, mas acho que é bastante claro que eu pratico e eu não mudaria isso para agradar ninguém.
  40. Who is a past witch that has inspired you ,famous or not?
    As minhas maiores influências foram os autores dos livros, mas não podia ser ingrata às pessoas na minha família que praticavam/praticam.
  41. How do you handle rejection from a fellow witch that refuses to do a reading or spell for you?
    Nunca pedi isso a ninguém nem penso que o faria. Sei fazer isso sozinha.
  42. Do you think it is necessary to cast a circle when you do spell work or any magical working?
    Um círculo é só uma forma de uma certa tradição se proteger num ritual, outras tradições de certo que terão as suas práticas. É aconselhável saber manipular energia e proteger o espaço para não estarmos vulneráveis, mas não penso que seja necessário. 
  43. If Steven Spielberg called and wanted to make a movie of your life, who would you want to play as you?
    Não faço ideia.
  44. What is some advice that was given to you that you pass along because it made an impact on your path?
    "Don't run before you can walk" e para ter sempre atenção que tudo isto são trocas de energia, não posso dar a minha energia a troco de nada às pessoas.
  45. What is some advice you would give someone who has not found there diety?
    Aguardem quando estiverem mais experientes na prática, entretanto alguma divindade/deidade entrará em contacto, se não podem sempre tentar estabelecer contacto. 
  46. Where do you buy your herbs?
    Lojas esotéricas online e físicas. Um dia quererei apenas comprar de ervanárias para serem mais naturais.
  47. How did you feel casting your first circle (silly, scared, stumbling, etc)?
    Senti-me um pouco parva, admito. Todos nós sentimos isso pois é algo que nunca fizemos. Com a prática fica mais natural.
  48. What was your first successful spell?
    Um ritual de dinheiro. 
  49. What is your general practice for meditation?
    Ainda estou a apanhar o hábito de meditação, estou a ver se experimento meditações guiadas, mas por agora ouço música ambiente.
  50. Are you a day walker or a night comer?
    Sou muito mais activa à noite.
  51. How and when did you know you wanted to be on this path?
    Comecei a estudar de forma aprofundada no final do meu liceu. 
  52. What type of pagan are you (Wiccan, eclectic, hedge, etc)?
    Ecléctica.
  53. What candle color do you use most?
    Pretas mesmo.
  54. What area would you like to see your craft grow in?
    Ai, imensas. Tenho muito para aprender.
  55. What is your preference, to buy or make your tools?
    De momento, comprar até um certo ponto. Penso que não é possível fazer muitas coisas, mas é possível fazer varinhas e é algo que quero fazer eu mesma no futuro, por isso nunca comprei nenhuma (a não ser que fosse usar uma de cristal, ainda não me decidi). O meu BOS foi feito por um casal maravilhoso no etsy, gosto de apoiar pequenas empresas de pessoas comuns. Agora cristais e baralhos não são possíveis de sermos nós a fazer. No futuro espero conseguir plantar a maioria das minhas ervas.
  56. What fictional witch book/screen inspired you the most?
    Já fiz uma publicação sobre bruxaria em filmes. Diria que The Craft marcou-me imenso pois já vi há muitos anos. Li Harry Potter e tudo mais mas nunca desliguei da ideia da fantasia, apesar de saber que muitas coisas foram baseadas em coisas reais, mas não foi isso que me inspirou.
  57. With your first spell where you alone or in a coven?
    Sozinha.
  58. What is your favorite candle, incense scent for magical purposes?
    Gosto de velas pretas e incenso de sangue de dragão, 7 ervas, canela, etc. Nag champa pelo cheiro.
  59. Where is your favorite place to go to reconnect with nature?
    Tenho um jardim em específico que não vou dizer.
  60. Do you believe in fantasy creatures (unicorns, gnomes, elves, fairies, etc)?
    Sim, como seres espirituais. 
  61. Do you believe in ghosts/spirits?
    Sim.
  62. Would you ever teach the craft?
    Não quero ser professora de ninguém, mas guio e oriento imensas pessoas da melhor forma que posso.
  63. What if any legal herb do you use for moods?
    Algumas ervas calmantes.
  64. What is the most recent spell/ritual you have done? (slight detail please)
    Ainda não se manifestou, logo não vou dizer. Mas antes desse, foi um ritual de intuição. 
  65. Do you have a happy place you go to during meditation?
    Adorava mas ainda não pratiquei muito fora de casa.
  66. What is your favorite witchy book?
    Pergunta complicada. Há uma diferença de livros para iniciantes e livros mais avançados. Já gostei de imensos livros.
  67. Do you have a ritual to get ready before a ritual or spell? (what is it)
    Juntar todos os ingredientes, proteger o espaço e meditar. Geralmente ouço música.
  68. Do you always use your own spells or do you tweak others?
    Crio sempre os meus feitiços com base em rituais que existem há imenso tempo. 
  69. Do you prefer spells/ritual inside or outside?
    Adorava poder fazer rituais no exterior mas não é fácil, por isso tenho de me limitar aos rituais que consigo fazer no interior de casa.
  70. If you are coming from a Christian/catholic background. Did you find the transition hard with family and the whole going to Hell thing? Basically leaving all you been told was right?
    Não fui criada em nenhuma fé em particular.
  71. What are your totem animals?
    AAAA mais outra questão sobre isto. Eu nunca li muito sobre o assunto, sei de algumas práticas na europa ligadas a animais, mas muito desta ideia de "spirit animals" é apropriação cultural. Penso que os termos "familiar" e "totem" são usados para dar a volta a isso por pessoas que *querem* ter um totem/familiar, mas não sabem que isso costuma ser de iniciativa do próprio animal/espírito. Esta publicação fala sobre isto. Algumas pessoas acreditam que familiars são animais vivos, enquanto outras juram que só podem ser animais em espíritos. Esse assunto é todo uma mess e eu mantenho-me afastada disso.
  72. What are some things you reuse after spells/ritual work?
    Tento reutilizar tudo.
  73. Who helped you most when you starting on your path?
    Ninguém, sem serem os autores dos lviros.
  74. Do you know any good witchy phone apps (like moon phases)?
    Sim, tenho imensas.
  75. What is your favorite magical study?
    Baixa magia europeia.
  76. Outside of the YouTube and Facebook community, do you have a lot of witchy friends in the physical world?
    Tenho alguns amigues, sim. 
  77. Do you feel that the deities we work with are a force from one higher power and that all beliefs and religions are from the same one God/place?
    Não vou muito pela conversa do monoteísmo, pois não acredito nisso. Acredito mais que divindades foram um fenómeno de divinação de aspectos do mundo natural, ligado também à ideia de thought-forms. Não gosto de comparar culturas, logo não gosto de dizer que "este deus é igual a este deus de outro panteão" pois cada divindade tem um fundo cultural, mitos e tradições diferentes. Também não acredito no dualismo.  
LINK da tag

Vi no canal de Hearth Witch e quis também responder a algumas das questões. Não traduzi pois quis manter o formato original. Estejam à vontade para responderem nas vossas plataformas. Também acho interessante a ideia de no futuro refazer a mesma tag e observar as diferenças. As práticas e as crenças de cada um mudam e evolvem constantemente. Que tal o projeto de aproximadamente daqui a um ano refazer esta tag? Gostam da ideia?

domingo, 26 de abril de 2020

Bruxaria mais segura - cuidados a ter!

Existem alguns cuidados que se devem de ter, cuidados esses tanto num sentido mais prático, mas como também pelo facto de que bruxaria não é brincadeira, exigindo muito estudo e prática! Decidi aglomerar algumas dicas:

Velas:
Aparem sempre o pavio. É mais seguro, pois diminui o tamanho da chama. As maiores produtoras de velas todas recomendam apararem os pavios. Se necessário, abafem a vela (não se deve assoprar velas de ritual) e cortem de novo, caso esteja a ficar muito grande. Podem repetir isto várias vezes.  Até se vendem kits de cortadores de pavio + abafadores de velas. É todo um mundo. Velas de ritual têm tendência a ter pavios muito grandes e isso poderá criar uma chama enorme que é mesmo assustadora. Recomendo comprarem um apagador de velas para evitarem soprarem, especialmente caso a chama fique muito grande. Cortar pode ser com uma tesoura mesmo.

Velas de parafina são feitas de petróleo e não é recomendável inalar os fumos das mesmas. Também não são seguras para serem enterradas, pois não são biodegradáveis. Investiguem muito bem os materiais de que são feitos as vossas velas - aliás, de todas as vossas ferramentas - e inclusive já fiz um texto no blog sobre isso (materiais das velas, recomendo a leitrua). É também aconselhado ter cuidado com os óleos quanto untamos ervas, falarei disso mais à frente. Velas de rituais com ervas incorporadas podem ser um pouco perigosas de arderem no interior de uma casa. Façam-no no exterior, na dúvida.

Caldeirão/Similar:
Cuidado com os fumos, é aconselhável ventilar muito bem a área. Não tocar no caldeirão mesmo após horas de já terem apagado o fogo, pois o metal demora muito tempo a arrefecer. Investigar muito bem superfícies à prova de fogo, como caldeirões, para poderem queimar ervas, incensos e resinas de forma segura. As lojas esotéricas vendem vários recipientes feitos especificamente para a queima de ervas e incensos. Os caldeirões são ideais pois têm uns pequenos pés (aliviando a pressão de termos de utilizar bases, no entanto é recomendável terem em atenção qual é a superfície em que estão a pousar algo muito quente), são feitos de metal, têm pegas e uma tampa. Grandes trabalhos com fogo são indicados para o exterior, no entanto. Queimam-se apenas pequenas quantidades de incensos soltos em casa ou petições! Cobrir sempre o fundo dos ditos recipientes com algum tipo de areia - também já ouvi falar de sal como fundo, mas há opiniões diversas sobre isso; investiguem. Utiliza-se carvão litúrgico (charcoal disks) com umas pegas e é aconselhável acender com um isqueiro grande ou fósforos longos. É necessário terem cuidado com o fogo, mesmo muito. Existem tutoriais na internet sobre como utilizar charcoal dicks.

A bruxaria é, no final de contas, o que em inglês se chama de "fire hazard". Nós brincamos muito com o fogo, por isso há que ter cuidado. Procurem rituais com outros elementos para além do fogo pois são muito interessantes e são alternativas mais seguras, por exemplo: apesar de queimar papel não ser muito perigoso, experimentem destruir os vossos sigilos com água, como deitando-os num rio para serem levados pela água (não usem esferográfica para o vosso sigilo, mas sim carvão ou algo assim). Outro exemplo é que nem todas as pessoas podem fazer limpezas com ervas e incensos, não pensem que não há alternativas pois existem imensas, mas isso daria para uma publicação por si só. Se vocês estiverem a usar fogo, nunca vistam roupas feitas de poliéster e apanhem sempre o cabelo. 

Cristais:
Alguns cristais são solúveis, portanto não podem entrar em contacto com a água. Outros cristais perdem a sua cor se entrarem em contacto com o sol. Recomendo fazer uma pesquisa sobre isto! Talvez faça um texto com os cuidados para se ter com os cristais em si. Muitas pessoas tentam carregar ametistas com a luz do sol, mas este é um dos cristais que não pode ser exposto ao sol. Investiguem mais quais são as melhores formas de limpar e carregar cada cristal em específico, pois todos os minerais são diferentes.

Mas mais importante que isso, nunca se ingere nenhum líquido que esteve banhado num cristal se vocês não pesquisaram sobre o assunto. Elíxires feitos de cristais não são seguros pois muitos cristais possuem metais pesados/são solúveis. Até aquelas garrafas famosas com um cristal no meio não têm de facto o cristal em contacto directo com a água. Logo, nunca ingerir nenhum líquido que teve um cristal a energizar em contacto directo. Alguns cristais podem estar em contacto, no entanto. Não imitem aquilo que vêem na internet, pois já vi pessoas a ingerirem líquidos energizados com cristais que não são seguros. A pesquisa deve ser feita por vocês mesmos.

Ervas:
Ervas que se compram em lojas esotéricas não são seguras para serem fumadas ou ingeridas de qualquer forma. Estas ervas não possuem uma salvaguarda alimentar, portanto não são seguras. Ao queimar ervas, a divisão deve estar bem ventilada ou então façam-no no exterior. Estas ervas são para incensos e rituais, portanto não se pode comprar louro bem baratinho numa loja esotérica e simplesmente pôr como tempero da vossa comida. Não é seguro, logo não recomendo. Para além disso, nunca fumem nenhuma erva sem pesquisarem quais são as possíveis complicações e quais são as quantidades recomendáveis da mesma. Fumar ervas compradas em lojas esotérica é comparável a fumar incenso, e até esse em pau nem sempre é o mais seguro. Tentem sempre comprar as coisas o mais naturais possível, se tiverem acesso às mesmas. Smoke blends são super interessantes mas pesquisem primeiro, não fumem ervas sem investigarem primeiro.

O mesmo com chás de ervas, por exemplo o chá de hipericão não é recomendável para quem toma anti-depressivos pela minha pesquisa. Por favor, se vocês tomam alguma medicação, estão gravidxs ou têm algum problema de saúde investiguem seriamente antes de tomarem algum chá não muito conhecido. As pessoas das ervanárias também vos poderão dar dicas, de certo que terão toda a disponibilidade para vos ajudar. Na maior das dúvidas, consultem o vosso médico, pois muitas ervas não podem ser misturadas com antibióticos, imunossupressores, para além de algumas alterarem o sangue, diluindo-o. E, retomando ao assunto, ervas de lojas esotéricas podem ter muitos químicos e vocês não o saberem. É recomendável, se tiverem acesso, comprarem sempre ervas naturais e seguras, para poderem estar descansades. Para além disso, investiguem muito bem acerca de quais são as ervas que vocês têm em casa para rituais pois muitas delas são altamente tóxicas e venenosas, no entanto são vendidas nas lojas esotéricas, muitas vezes sem aviso. Muitas ervas até são perigosas no contacto com a pele. Eu possuo ervas tóxicas em casa e é uma grande responsabilidade. E reforço a ideia: não façam um chá de ervas compradas em algum sítio que não seja totalmente seguro. Os preços das ervas nas lojas esotéricas são tão baratos por alguma razão...pensem nisso. Estas ervas servem para rituais, não é por serem uma ervinha que são seguras. Nem todas as ervas são seguras para consumo seja de que forma for. Investiguem cada uma das ervas que vocês possuem ou pensam em adquirir.

Água:
É comum bruxes e praticantes colectarem água da lua, da chuva, entre outras. Os motivos para isso são vários. No entanto, nunca bebam água que esteve parada por muito tempo. Mesmo que ainda pareça boa para um ritual NÃO BEBAM! No máximo, ponham num banho ou algum líquido de limpeza uma água que esteve guardada por o máximo de 3 dias, dependendo do clima da altura ou se a refrigeraram ou não. E o mesmo com água que teve em contacto com cristais - nunca bebam, pois os cristais contêm metais pesados e alguns são solúveis! Também nunca bebam nada que tenha algum óleo essencial, mesmo que seja uma única pinga.

Animais:
Quanto menor for o animal, mais cuidados são necessários. Queimar óleos, ervas, velas ou incenso perto de animais não é seguro. Os animais e crianças pequenas (ou adultos com complicações de saúde, especialmente respiratórias como asma e alergias) não devem estar na mesma divisão e essa mesma deverá ser bem ventilada depois. Os animais de maior perigo são pequenos roedores, pássaros, répteis e outros animais de companhia. Os pulmões dos animais e de bebés e crianças são muito menores. Vocês podem intoxicar o vosso animal.

Óleos essenciais:
Estes óleos são extremamente concentrados e isso faz com que sejam muito perigosos. Só por serem naturais não quer dizer que sejam seguros - óleo essencial também não é o mesmo que óleo de unção ou de ritual. Até mesmo óleos de ritual podem ter ingredientes que não são seguros em contacto com a pele, a não ser que sejam específicos para unção, por isso lavem sempre as mãos. Certos óleos essenciais podem provocar queimaduras de 3º grau se a pele que esteve em contacto com eles for exposta ao sol dias depois. Para além disto, estes óleos necessitam sempre de serem diluídos. Essa é a razão de existirem cursos de aromaterapia, pois as porções são bastante específicas. Investiguem muito bem sobre isto, comprem uns quantos livros sobre o assunto. Também é preciso de fazer notar que óleo não se mistura com água, portanto é necessário diluir óleos essenciais se forem postos em banhos, pois óleo só pode ser diluído com outros óleos. Vocês não podem simplesmente deitar pingas de óleo essencial directamente numa água em que se vão banhar! Investiguem sobre os vários carrier oils que existem (azeite, jojoba, etc). Para me fazer entender, não ponham gotas de óleo essencial nos vossos banhos antes de diluírem com um outro óleo primeiro. Repeti, mas é mesmo necessário. Lavem muito bem as mãos após usarem estes óleos, caso untem uma vela por exemplo. Para além disto, nunca ingiram óleos essenciais, nunca mesmo. Óleos essenciais são apenas para uso externo após diluídos com outro óleo.

De forma geral:
Há muitas coisas que nem se devem fazer em casa pois simplesmente não é seguro. Para além disto, sempre que queimam alguma coisa deve ser regra geral o fazer numa área bem ventilada. Tentar fazer uma limpeza e banimento num quarto de janelas fechadas é contra-produtivo, para além de prejudicar a vossa saúde e possivelmente das pessoas ao vosso redor. Este é um texto mais sobre os cuidados práticos, pois as pessoas preocupam-se mais em espalhar "não invoquem algo sem saberem banir!" (um conselho totalmente legítimo, obviamente) mas não alertam para os perigos de alguns rituais, pois às vezes as pessoas seguem simplesmente as instruções que viram em algum lado sem pensarem na execução. Por exemplo, se nas instruções disser para enterrar os restos do ritual, muitas pessoas fazem-no sem pensarem bem no local nem nos itens que vão enterrar. Muitos dos livros mais antigos de bruxaria utilizam ingredientes que não são seguros. É aconselhável primeiro pensar de forma prática antes de executar alguma coisa. Agora, vamos às dicas mais específicas, visto que é isso que a maioria das pessoas gosta de ouvir.

Cuidados específicos:

Limpem sempre os espaços e também a vocês mesmos antes de começar um ritual. A limpeza pode ser física e energética e deve vir acompanhada de banimento se necessário. É do interesse do praticante proteger-se em rituais em que está mais vulnerável, como cerimonias ou divinação, para evitar a interferência de outras energias e entidades, e para tal costuma se criar um círculo mágico ou usando protecções tanto pessoais como do próprio espaço - amuletos, sal, cristais, entre outros. Muitas pessoas até usam espelhos em rituais para evitar que energias interfiram (espelhos têm mesmo muitos usos na magia, no entanto). Resumindo, aprendam bem o que estes termos significam: limpeza, banimento, proteção, programação, encantar, entre outros. Protejam-se bem for algo cerimonial, se invocarem ou convidarem alguma entidade ou deidade/divindade, também se for algum ritual em que vocês estão particularmente vulneráveis, e obrigatoriamente se esse ritual envolver alguma maldição ou trabalho com espíritos - após o contacto com espíritos, limpem-se sempre para evitarem ficarem com entidades agarradas a vocês, para além de banirem se algo ficar no espaço.

Antes de invocar algo, deixem sempre bem claro aquilo que estão a permitir no vosso espaço, como dizerem que só estão a convidar entidades positivas, por exemplo. E despeçam-se sempre das entidades, dizendo que esperam que tenham a continuação de um bom descanso e que a comunicação já terminou. Se forem a um cemitério, tentem fazer pelo menos 3 paragens no caminho para casa, para confundir qualquer entidade que vos possa estar a seguir. E existem muitas mais regras e dicas. Também recomendo terem atenção ao tentarem expulsarem entidades, pois muitas delas poderão não gostar e ficar mais agressivas. Por vezes bons espíritos coexistem no nosso espaço. Se forem tentar expulsar alguma entidade, limpem o espaço mas também a vocês mesmos, depois façam banimento e proteção. Essa é a melhor forma de expulsar uma entidade rapidamente. No entanto, poderão ter de repetir o processo várias vezes.

Não deixem outras pessoas tocarem nos vossos itens sagrados, como cartas ou até no vosso altar. Se fizerem leituras de cartas, recomendo terem um 2o baralho para fazerem leituras para outras pessoas. Se não, será necessário estarem constantemente a limpar as energias dos vossos itens. A energia em si não é negativa, eu gosto de ter os meus baralhos com alguma energia e por vezes até os guardo com certos cristais para esse fim. Ter de limpá-los constantemente é muito chato.

Não tentem mesmo fazer rituais em outras pessoas se vocês são iniciantes, especialmente se esses indivíduos forem praticantes, pois a maioria das pessoas tem entidades que as protegem (ancestrias, anjos, espíritos guias) sem sequer o saberem ou então têm proteções e tudo aquilo que vocês enviarem voltará para vocês, por vezes até coisas positivas. Para além disso, muitos rituais até para vocês mesmos podem falhar e isso nem sempre significa que não acontece nada. Se um ritual falhar, é bem melhor que não aconteça nada, pois há um termo chamado "spell backfires" e é muito real. Isso significa que algum ritual ripostou de forma negativa. Isto é bastante comum em iniciantes ou quando tentamos fazer um ritual para outra pessoa. Se nós nos sabemos proteger, as outras pessoas também. Se forem fazer algum trabalho negativo em alguém, protejam-se imenso e limpem-se. Não estou a pregar a Wiccan Rede, pois eu até acredito que essa ideia vem de que por vezes os praticantes fazem trabalhos negativos e depois corre mal porque o outro praticante manda a energia de volta. Vocês têm é de se responsabilizar pelos vossos próprios actos e saber os perigos associados, especialmente se pretendem incorporar trabalhos negativos, caso isso não vá contra a vossa tradição, pois a Wicca afirma que nem se devem fazer trabalhos para outros sem o consentimento dos mesmos, para além de termos de respeitar o livre arbítrio. No entanto, isso não invalida que existam tradições mágicas milenares que fazem trabalhos negativos e não têm nenhuma ideia de "karma" como a Wicca tem. Tudo depende das vossas crenças pessoais, qual é a vossa moral e qual tradição vocês seguem e o vosso fundo cultural. Façam as coisas de forma informada e de certo que correrá tudo bem. Sejam também inteligentes e saibam o limite das vossas capacidades, pois amaldiçoar outro praticante poderá resultar em este enviar as energias todas de volta para vocês (com trabalhos de return to sender, por exemplo).

Também é recomendável manterem os vossos trabalhos segredo até se manifestarem - não postem fotos dos rituais, não digam aos vossos amigos "fiz um feitiço para arranjar emprego", pois o mau olhado é bastante real e há muita superstição nisto. A pessoa poderá tentar interferir com o vosso ritual, especialmente após saber o que vocês pretendem. A inveja e as más intenções das pessoas poderão estragar os vossos trabalhos. Optem por dizerem "fiz um feitiço para arranjar emprego e resultou!", se quiserem partilhar, mas não refiram a ninguém antes de se manifestar. Também tenham em atenção a quem contam as vossas práticas, pois essas pessoas podem espalhar, pode chegar à vossa família e como qualquer outro assunto tenham em atenção que há muita intolerância com a bruxaria e vocês podem estar a expor-se ao perigo. Nem todas as pessoas vão respeitar as vossas práticas/crenças. Para além disso, outras pessoas podem saber que vocês praticam e podem tentar vos magoar de alguma forma. Estejam sempre protegidos.

Não aconselho praticarem aspectos avançados, portanto comecem sempre pelos básicos e muito cuidado a se mexer com entidades - não façam invocações se não sabem banir, e para limpeza é preciso saber banir também. Primeiro façam limpeza, depois banimento e proteção. Para além disso, tenham atenção que entidades se fazem passar por outras, por isso se vocês não têm experiência com trabalho com espíritos não acreditem no que as entidades dizem (por exemplo, podem se fazer passar por um familiar) e deixem isso para a parte mais tardia dos vossos estudos. Também recomendo terem em atenção aquilo que lêem em livros e em especial na internet. Investiguem, não acreditem apenas porque uma pessoa aleatória na internet vos disse algo, e eu estou incluída nessa lista. Os vossos caminhos são unicamente vossos, portanto são individuais, mesmo que pertençam a um grupo pois isso não apaga a vossa individualidade. A dúvida é muito importante. Para além disto, nem toda a gente na comunidade é honesta. Não confiem demasiado nas pessoas nem naquilo que lêem apenas uma vez, não caiam em falsos profetas. Vocês podem querer conhecimento, mas exporem-se a alguém da comunidade e porem-se numa posição de "ensina-me, por favor" poderá correr mal. Em qualquer lado existem  pessoas más. Qualquer pessoa na comunidade terá disponibilidade de vos ajudar e tirar dúvidas, mas não confiem cegamente em alguém. Se querem pertencer a um grupo, estudem também primeiro fora do círculo dessa tradição. É bom termos várias fontes de conhecimento, em vez de nos limitarmos apenas à palavra de uma pessoa/grupo específico. A maioria dos praticantes poderá vos guiar, dar-vos dicas, encaminhar-vos para o conhecimento, dar-vos fontes, livros, e uma comunidade. Levem as coisas mais dessa perspectiva, não se inferiorizem nunca. Todos nós começamos por algum lado, mas os iniciantes caem no erro de quererem o conhecimento o mais rápido possível pois acham que poderão não ter acesso a tudo, e por vezes podem se expor ao perigo nesse sentido.

Por fim, não estou a afirmar que a bruxaria não é segura de todo, mas a verdade é que há muitos perigos associados. Tenham noção de qual é o vosso nível de conhecimento e quais são os rituais que devem fazer em casa ou no exterior. Fora de casa, tenham muita atenção para não poluírem a natureza. Espero que tenham gostado destas dicas! Tenham sempre cuidado e bons estudos.

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Void Moon

Este é um tópico meio esquecido nos tempos de hoje, portanto achei que era ideal para uma publicação mais curta. A astrologia é um tópico popular. Basicamente, a void moon ocorre no tempo entre o último aspecto que a lua fez e a entrada no próximo signo, e este intervalo pode durar minutos, horas e um bom meio dia. A tradução seria "lua vazia". A lua fica a flutuar entre signos, portanto está vazia.

É notável que por vezes existem aqueles finais de tarde que são muito vazios, e é também quando as lojas e as ruas não têm quase ninguém. As pessoas sentem-se vagas e com dificuldade a se concentrarem. É altura de rever e terminar projectos, em vez de começar algo novo. Para além disso, também não é boa altura para planear alguma coisa ou fazer marcações. A atmosfera é muito mais vazia e não temos grande força de vontade. São simplesmente alturas estranhas, ideais para descansar ou fazer umas arrumações. É só uma questão de aguardar, pois estes períodos não duram muito tempo.

Podemos esperar que isto aconteça nas mudanças de signos após a lua terminar algum aspecto, no entanto é difícil de acompanhar sem ver um calendário. Felizmente há vários sites, como este, este este, em que podemos consultar em que dia estas estranhas 2-6 horas, em média, podem ocorrer. É preciso notar que a lua muda de signo a cada 2.5 dias. Talvez isto seja mais familiar às pessoas que costumam acompanhar as fases da lua, os eclipses e os diferentes aspectos que a lua faz. A astrologia é uma prática diária, pois os adeptos vão verificando quais planetas estarão em curso retrógrado, que aspectos estão a fazer de momento e em que signos estão. É necessário algum estudo! Não se preocupem se nunca ouviram falar deste termo.

As pessoas descrevem como uma "influência colectiva e atmosférica". A expressão completa para este fenómeno seria "void of course moon". Também pode ser considerada uma altura muito neutra, talvez o desconforto origine de a lua geralmente nos trazer conforto e agora estar mais vazia. Afinal, nós somos influenciados não só pela fase da lua como também em que signo está. Isto faz parte do ciclo normal da lua. Neste período em que a lua está vazia é aconselhado serem cuidadoses, por esta é uma altura ideal para nos esquecermos das chaves de casa ou acontecerem imprevistos e atrasos. Algumas pessoas também prestam atenção se o aspecto que a lua fez em último lugar antes de ficar vazia é harmonioso ou não. 

Recentes Void Moons:
  • 22 de Abril de 2020: 12:31 PM - 7:36 PM (Carneiro/Aries --> Touro)
  • 25 de Abril de 2020: 0:43 AM - 7:20 AM (Touro--> Gémeos)
  • 27 de Abril de 2020: 5:00 PM - 5:28 PM (Gémeos --> Caranguejo/Cancer)
Fuso horário: UTC (+0) 

Fontes:
Para além das já identificadas: 1#2#3# e 4# (este último em português).

Imagem

domingo, 19 de abril de 2020

Diferentes formas de cartomancia

Uma das minhas publicações mais recentes foi sobre tarot, este que é o meu método de adivinhação favorito. No entanto, não me queria alongar no texto anterior sobre as várias formas de cartomancia, pois poderia ficar confuso. O tarot é de certo a forma de divinação com cartas mais popular, no entanto não é a única. A cartomancia é um tema extenso e existem várias formas de a praticar. Apesar de serem todos sistemas similares - afinal são cartas - são de facto todos diferentes, cujas escolas divergiram e cujas finalidades das leituras podem variar, pois cada um destes métodos produz uma diferente forma de leitura. 

Primeiramente temos o tarot, este que é um método de divinação e uma ferramenta espiritual e de introspecção. Este é um oráculo específico composto por 78 cartas, em que 22 das mesmas são chamados de arcanos maiores e as restantes de arcanos menores. Todos os baralhos de tarot obedecem à mesma estrutura (exceptuando o tarot de thoth). É um sistema fixo. Podem ler este meu texto que é mais aprofundado sobre tarot, como já referi. O tarot de thoth é um baralho criado por Aleister Crowley, teorizado em Livro de Thoth (1944). A iconografia é bastante diferente da clássica de tarot e a estrutura também não é totalmente igual, sendo portanto uma diferente escola no que se trata de tarot. Existem diversas formas de analisar tarot, por exemplo. Muitas pessoas lêem de forma intuitiva, outros baseiam-se muito na numerologia e nos naipes. Há quem leia apenas com os arcanos maiores, algo que de certa forma considero que é uma leitura mais de oráculo, pois o sistema não está completo, no entanto já foram criadas muitas variações de tarot. Talvez as grandes divisões sejam mesmo: Rider Waite Smith, este que se baseou muito em Marselha, e depois Thoth. Os significados das cartas foram passados ao longo do séculos e cada carta tem um significado correspondente que não irá se alterar consoante baralho. As leituras costumam ser emocionais e é um óptimo sistema para se obter respostas bastante específicas.

Depois temos Lennormanduma espécie de versão simplificada de tarot, também chamado de baralho cigano. Este sistema possui 36 cartas e as leituras são bastante diferentes do tarot tradicional, sendo mais práticas e directas. A história de Lennormand é muito interessante, esta que data ao final do século XVIII. Estas cartas geralmente são de um tamanho pequeno, sendo mais portáveis, e as leituras são mais no sentido de aconselhamento, ou melhor dito, mesmo uma forma de "fortune telling". Também existem as cartas Kipper, sobre as quais há quem diga que é um sistema ainda mais próximo daquele que era usado pelos Roma. Este sistema data o final do século XIX. Não é dos sistemas mais populares, sendo mais fácil obter um na Alemanha, lugar de onde origina o baralho, do que no resto do mundo. Neste site encontrei uma possível explicação para a falta de popularidade de Kipper: se um leitor quer conselhos, usam as suas cartas de oráculo; se um leitor pretende prever o futuro, utiliza Lennormand; se um leitor tem perguntas específicas, então vira-se para o tarot. Por Kipper não ter nenhum uso específico, acaba por não se destacar. No entanto, parece-me ser um sistema de cartomancia muito interessante e sugiro para aqueles que nunca ouviram falar.

De seguida existem as leituras feitas com cartas de jogar (normais - não marselha). É uma boa forma de praticar divinação de forma discreta. Há pessoas que lêem baseando-se na numerologia e naipe, já outros utilizam cartas de jogar de uma forma semelhante à estrutura de tarot - e essa forma é excelente para aqueles que não conseguem comprar um baralho de tarot de momento. Muitas vezes, divinação com cartas de jogar é apenas apelidada de "cartomancia". 

Por fim, existem os oráculos. Estes são baralhos criados por alguém, geralmente um artista, e é uma das formas mais simples de divinação. As suas leituras são bastante intuitivas. Cada leitor pode escolher - intuitivamente - um baralho, pois existem centenas de diferentes temas, artes variadas, e diversas mensagens para diferentes públicos. Cada oráculo é diferente, portanto vêem acompanhados com um livrinho a explicar como funciona. Alguns oráculos podem ser complexos, mas de forma geral é um bom meio de fugir aos sistemas complexos de tarot, por exemplo, pois tal não agrada a toda a gente. Cada baralho de oráculo é um sistema próprio e o criador é que decide as mensagens e quantas cartas irá incluir. Muitas vezes as cartas de oráculo são usadas como forma de escolher uma intenção diária, pois a arte costumam ser bastante bonita e ótima para uma pessoa se focar nela. Já encontrei oráculos que são baseados em runas, nas fases da lua, em anjos, tudo e mais alguma coisa! Também há pessoas que mandam fazer os seus próprios oráculos, pois querem algo muito específico que ainda não encontraram. 

Este foi um pequeno texto para aprofundar algumas das diferenças na cartomancia. Pelo menos estes foram os métodos mais populares que encontrei! Espero que tenha dado alguma ideia para um primeiro baralho, ou então para alguém que queira experimentar algo novo.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Velas: parafina, soja ou cera natural?

As velas podem ser feitas de diferentes tipos de cera. Os materiais que identifiquei no título são os mais comuns, mas também já ouvi falar de cera feita de óleo de palma, entre outros. Este texto será bastante básico pois não sou especialista no artesanato de fazer velas nem na indústria das mesmas, no entanto deixo aqui um alerta - que irei desenvolver ao longo do texto - para vocês fazerem a vossa própria pesquisa no que se trata a este assunto e, assim, poderem fazer escolhas e compras mais conscientes. 

É possível identificar o material de que são feitos as velas por vários indicativos, como a temperatura, tempo que demoram a queimar, se evaporam ou deixam restos, e tudo mais. A parafina arde a uma temperatura mais baixa e forma uma pequena piscina de cera . Por essa razão, estas velas não deixam restos de cera. Em inglês, o termo para referir a esta característica das velas de parafina é que são "no drip", ou seja, não pingam. As velas mais comuns são as de parafina. Este é o material mais barato, no entanto é também o mais tóxico e o menos sustentável. Velas de parafina são tóxicas e são feitas para arderem mais pela estética, cheiro e ambiente e, portanto, foram desenhas, na maioria dos casos, para a cera evaporar sem deixar restos, como já referi. As velas mais naturais derretem com seria de esperar e por isso pingam, algo que não é desejável para quem quer jantar à luz das velas com a pessoa especial e não pretende que caia cera por todos os lados. No entanto, não é recomendável inalarem de perto as toxinas que saem das velas de parafina, pois esta mesma é feita de petróleo. Os seus fumos não são o mais saudável para respirar. 

Os outros dois tipos de cera mais comuns são as velas de origem vegetal, também chamadas de soja, no entanto o uso desta cera é mais comum em cosméticos do que propriamente para a utilização de velas. E o segundo tipo são as velas de cera natural (beeswax). Na minha apreciação pessoal, recomendo mais este tipo de cera. O tom natural desta cera é amarelo. Por vezes as pessoas imaginam estas velas com aquela textura icónica, mas na realidade isso é uma escolha estética. Estas velas existem em formatos comuns da magia simpática e até em tealights - e também em todas as cores. São as mais comuns em pequenos negócios de velas artesanais para praticantes.

A comunidade pretende, por vezes, que as velas deixem restos de cera. Os usos destes são infinitos e dariam para uma publicação por si! No entanto, vai depender da tradição de cada um. Também pretendo fazer um texto em breve sobre as diferenças entre as magias de velas. Bem, o uso mais comum dos restos de cera é serem lidos de forma divinatória para analisarmos como o trabalho se vai manifestar, sendo uma das formas de divinação associadas a velas. Também podemos querer nos desfazer dos restos das velas de forma ritualística, como por exemplo enterrá-los. Para tal, é muito recomendável não enterrar parafina (o que sobrar), pois esta é tóxica.

No entanto, são vários os factores que influenciam o facto de uma vela deixar ou não restos e esse tópico também é bastante extenso. Mas dou ênfase que um dos fatores que mais influencia é mesmo o material de que são feitas as velas. É sempre recomendável verificar com os donos das lojas de que material são feitas as velas, visto que a maioria das velas de ritual são compradas de forma sortida. 

Muitas pessoas da comunidade também afirmam que as velas para rituais devem de ser de beeswax por ser natural. Apesar disto, muitas pessoas escolhem parafina por ser de forma geral ligeiramente mais barata e isso faz com que a longo termo fique mais em conta. Não julgo as escolhas pessoais de cada um, e admito que já encontrei muitas lojas esotéricas que apenas vendem velas de parafina - mas, por acaso, o que encontrei nos últimos tempos foram velas de cera natural cada vez mais baratas. Dependerá daquilo que é acessível a cada um e também qual é o uso que pretendem dar às velas. Na magia tradicional europeia não encontramos uma associação à cor ou formato das velas, portanto não existe a mesma discussão acerca do material das mesmas, pois o ritual todo não costuma ser à volta das velas em si e quando o é apenas se foca na chama.

Este foi um pequeno texto apenas a ilustrar alguns pros e cons das diferentes velas, e também qual é a opinião das pessoas da comunidade acerca disto. Aconselho sempre a fazerem a vossa pesquisa! 

domingo, 12 de abril de 2020

Breve introdução à bruxaria

Este texto faz parte da minha série de introdução a vários temas. No nome está "breve" pois é isso mesmo: é o básico dos conceitos e da história para aqueles que não fazem ideia do que são práticas de bruxaria fora do contexto de fantasia! Este texto estará dividido em pequenas partes para facilitar a compreensão.

Aviso que não consigo falar por todas as tradições e, sendo uma introdução, não vou falar das minhas práticas, no entanto estas influenciam o texto pois sou uma bruxa neo-pagã. Considero, e espero mesmo, que seja um texto útil para iniciantes e pessoas curiosas. Respeitarei ao máximo todas as tradições, culturas, espiritualidades e religiões associadas e que irei mencionar, portanto peço que façam o mesmo. Não aceito comentários intolerantes, racistas, discriminatórios, entre outros. Para além disso, não consigo tocar em tudo o que envolve práticas de bruxaria, pois existem imensos conceitos: altares, livros das sombras, espiritualidade, ferramentas, entre outros.

PS: também poderei ter alguns termos que não sei bem traduzir

Conceito

A bruxaria é um conjunto de práticas difícil de definir. Podendo, portanto, envolver manipulação da realidade, manifestação de intenção, divinação, entre outros. No fundo, a bruxaria é a prática da magia e muitos dos seus aspectos estão intercalados com filosofia e religião, mas não há nenhuma restrição. Sendo uma prática, a bruxaria não tem, portanto, religião ou cultura associada de forma intrínseca. E, mais uma vez, sendo uma prática, qualquer pessoa pode praticar aspectos de bruxaria e magia, sendo comum a várias culturas, tradições e religiões. Em suma, não existe um único caminho para a bruxaria. A magia é a prática de manipular energias. No entanto, nem todas as práticas mágicas são consideradas bruxaria. A bruxaria pode ser considerada um sistema por si ou um estilo de vida. Existem pessoas que praticam outras vertentes da magia e que utilizam outros títulos como magistas. Recomendo a leitura da minha publicação acerca de alta magia vs. baixa magia. Aí pode entrar a questão que curandeiras, benzedeiras, herbalistas, médiuns e adivinhos têm um pé no mundo na magia e bruxaria, mas podem não utilizar o título. O mundo da espiritualidade alternativa é muito vasto. 

Para deixar aqui algumas distinções, de forma a me fazer entender da melhor forma: quando digo religião estou a referir-me a espiritualidade organizada; quando falo de diversas espiritualidades e religiões, quero deixar bem claro para não as confundirem com bruxaria. Quando digo que bruxaria não tem religião, estou a querer dizer que é de todo separada da mesma, podendo ser adaptada a todos os credos. Portanto, bruxas cristãs também existem e afirmo que são muito comuns em Portugal (a minha avó era uma). Isto deve-se à bruxaria e a sistemas mágicos originarem das religiões europeias iniciais. Quando o cristianismo foi levado para a Europa, estes sistemas também foram apropriados. Isso não quer dizer que o culto pagão não se tenha mantido, pois existem vários registos do mesmo. Existiram vários grupos de praticantes de bruxaria pagã na Europa, mas também existiram praticantes cristãos de algum sistema similar que foram perseguidos. No fundo, o cristianismo tinha medo de muita coisa e não discriminava, fossem pessoas com dons, padres que praticavam magia e escreviam grimórios, ou grupos pagãos. E a bruxaria, sendo um conjunto de práticas heterogéneas, a mesma encontra-se em todo o mundo e em todas as culturas, não tendo nenhuma em específico associada. Alguns nomes de tradições que entram dentro da enorme abrangência de bruxaria são voodoo, hoodoo, brujeria, santeria, umbanda, magia tradicional nativa americana e nativa-tribal africana e os seus sincronismos, como também a enorme relevância das tradições pagãs e folclóricas europeias, especialmente nos locais em que o cristianismo chegou de forma menos tardia, logo a sua influência foi menor. Portanto, não é uma prática uniforme e varia consoante o fundo cultural e a tradição de cada praticante. E a bruxaria também pode envolver práticas que nem todos poderiam considerar como bruxaria por si, mas que são comuns entre os praticantes, como por exemplo: astrologia, divinação no geral, reiki, entre muitos outros.

Na Europa podemos encontrar raízes da bruxaria actual no paganismo, com a prática de feitiços, oráculos, medicina tradicional, religiões de mistério, xamanismo, entre outros. Após a implantação do cristianismo, várias práticas continuaram vivas como pelos termos de cunningolk, as mezinhas e ervinhas, tirar o mau olhado, utilização de pêndulos, magia popular e simpática (simpatias), muitas destas que foram comuns até aos tempos dos nossos avós - pela minha experiência e falando da minha geração. Ao longo do tempo, estas práticas foram se tornando menos comuns, também pela forma com são retratadas como sendo apenas fantasia nos media.

Existem vários livros e fontes acerca da história do ocultismo e misticismo em Portugal, mas também no contexto mundial. Neste país tivemos muitos momentos em que a história do ocultismo se intercalou com a história comum, como por exemplo Fernando Pessoa ter sido um ocultista e astrólogo conhecido por ter ajudado Aleister Crowley, um dos ocultistas mais famosos, a fingir o seu suicídio na Boca do Inferno, e Pessoa ajudou-o com todo o esquema mediático que veio por de trás, para além de ter sido afirmado que Pessoa corrigiu o próprio mapa astral do Crowley. 

O ocultismo eventualmente caiu nas sombras mas começou a sair das mesmas utilizando os media da altura, tornando estas figuras famosas. Já na época vitoriana havia um crescente interesse pelo misticismo, especialmente pelo trabalho com espíritos, tal que eventualmente culminará na escola de kardecismo e espiritismo, com ideias de mediunidade, entre outros. No entanto, grandes ordens ocultistas que praticavam alta magia sempre existiram. Foram estas figuras que moldaram o ocultismo moderno, mas isso não quer dizer de todo que seja um assunto recente. 

Em inglês, bruxaria (witchcraft) também é apelidado de "the craft" e é uma prática em si não religiosa que pode ser combinada com qualquer espiritualidade, em que muitas vezes se é pedido o auxílio de divindades, espíritos, entidades, anjos, universo, entre outros. A bruxaria manipula a energia à nossa volta para iniciar mudança. Em português, a bruxaria é chamada de A Arte. A mesma pode envolver rituais, feitiços, propriedades das ervas, velas, cristais, rezas, meditação, manipulação energética, entre muitas outras coisas. A ação da mesma costuma subtil e os rituais podem durar umas horas, dias, semanas ou meses.

Wicca

Para não me alongar muito na história, saltarei para o século passado: vamos falar de uma religião recente cuja crescente popularidade tem intrigado as pessoas - vamos desmistificar a Wicca. O chamado criador de Wicca, Gerarld Gardner, britânico, começou por ter de lançar o seu livro Com o Auxílio da Alta Magia (High Magic's Aid - 1949) como se fosse uma narrativa fantasiosa, pois o seu coven* não o autorizou a falar do assunto abertamente no início. No entanto, há muita questão acerca desta figura, e que se terá sido ele o criador da religião moderna. Regra geral, pelo que eu compreendi, Gardner foi iniciado num coven desta religião, mas não sabemos ao certo a data de criação da mesma. 

*Coven: um grupo de praticantes de bruxaria; hoje em dia, um coven é mais entendido como um grupo organizado e hiearquizado que se junta para celebrar datas relevantes para a religião do mesmo ou para fazerem trabalhos em conjunto; comum na bruxaria tradicional, podendo ter sacerdotes e sacerdotisas; em português, a expressão é Conventículo; outro nome em inglês é Convenant; já um Círculo é como alguns praticantes chamam a grupos de amigos e conhecidos que se encontram casualmente, no entanto estes significados podem variar consoante as pessoas e as tradições, pois o termo mais comum aplicado é Coven. 

Apesar de ser um velho nudista (estou a tentar ser humorosa), Gardner conseguiu popularizar bastante a religião, esta que já se dividiu em várias tradições e evoluiu ao longo do tempo.  Então, o que é que a Wicca se relaciona com este assunto do texto? 

Não me irei alongar demasiado sobre esta religião, pois seria injusto só me focar neste elemento, para além de não ser praticante nem adepta desta religião em específico (e também é um tópico digno de uma publicação por si), mas o facto é que a bruxaria é relevante para aqueles que já ouviram falar de religiões neo-pagãs como Wicca, esta mesma que envolve práticas de bruxaria. Originalmente dualista, a religião prega o culto de um Deus e de uma Deusa, mas o politeísmo coexiste dentro da mesma de diversas formas, algo que varia consonante o praticante e a tradição - este assunto é um pouco controverso dentro da comunidade, mas estou a falar de forma geral, pois os praticantes não têm um só entendimento acerca deste assunto. Wicca original pode ser chamada de Wicca Tradicional e cujas ramificações mais comuns são a Wicca Gardneriana (segue a tradição de Gardner), Alexandriana (tradição de Alex Sanders), Feri (fundada por Victor Anderson), Dianica (mais focada na Deusa), entre outras. Porém, também surgiu a Wicca solitária, popularizada por Scott Cunningham com o seu livro Guia Essencial da Bruxaria Solitária (A Guide for the Solitary Practitioner - 1993), tão popular que até teve um seguimento. Recomendo muito este autor, pois todos os seus livros são excelentes, quer os leitores pratiquem ou não a religião Wicca.

Algumas diferenças entre estas duas formas da religião é que a Wicca tradicional é praticada em grupo (coven) e requer iniciação. Já a Wicca solitária é uma forma de prática individual, com as "divisões" mais populares da bruxaria no geral, tais que irei falar mais à frente, como bruxaria natural ou elemental. Esta é mais flexível em termos de práticas. É também falado de auto-iniciação destes crentes. 

Wicca, sendo uma religião, tem princípios e dogmas e práticas que lhe são característicos, e como qualquer religião exige prática e estudo. Na Wicca, os Sabbats são as celebrações do sol, portanto do Deus, e os Esbats as celebrações da lua, portanto da Deusa que é considerada tripla. Existem muitos mais aspectos desta religião, atenção que não estou a referir tudo! A Wicca vai beber muito do que seria a mitologia e espiritualidade dos povos celtas maioritariamente, mas existem outras tradições populares no neo-paganismo que não se limitam a estes povos, incluindo inspirações na antiga religião egípcia, suméria, grega, entre outros. Fazendo uma ponte ao próximo tópico, muitos dos países destas religiões experienciam um movimento crescente de adeptos das religiões antigas, estas que "morreram" há séculos. 

Neo-Paganismo

Para poderem compreender melhor o que eu disse, tenho de falar um pouco de paganismo vs. neo-paganismo, visto que é uma associação comum na bruxaria, no entanto é preciso destacar a ideia de que nem toda a bruxaria é pagã! Neo-paganismo seria uma designação abrangente para diversas religiões e espiritualidades. Difere de certa forma de reconstrucionismo politeísta/pagão, daí o termo "neo", o que não quer dizer que todos os pagãos gostem de utilizar os mesmos termos. Regra geral, neo-paganismo inclui tradições como Wicca e Druidismo, enquanto outros pagãos podem não se sentir tão confortáveis a utilizar o termo neo pois querem recriar, da melhor forma e dentro do possível, as religiões originárias pagãs, tais como tradições que seguem politeísmo nórdico ou greco-romano. 

O neo-paganismo é um movimento moderno que incorpora práticas e crenças fora do espectro das religiões abrâamicas, tendo especial atenção ao culto da natureza. No entanto, nem todos os pagãos são praticantes de bruxaria, e até muitos Wiccans seguem mais os aspectos espirituais do que práticos. O paganismo é focado na interconetividade e sacralidade do mundo natural e do universo. Muitos pagãos consideram que a humanidade está desconectada da natureza e isso resulta em muitos problemas sociais actuais. Muitos pagãos também são panteístas pois acreditam que o divino é algo de que também fazemos parte, no entanto paganismo também se refere ao politeísmo (por vezes usado como sinónimo) e ao animismo. Paganismo é, portanto, uma vertente espiritual. 

Para explicar melhor, a Wicca é uma religião por si, portanto nem todos os neo-pagãos são wiccans, como já enumerei tradições dentro dessa espiritualidade como Druidismo. Para além disso, muitos neo-pagãos não aderem a nenhuma tradição específica. Neo-paganismo é um conjunto de espiritualidades, neste que se inserem algumas religiões modernas! Esta confusão é comum, pois Wicca é tão popular que é difícil escapar da sua influência nos livros e nos media. E, como já afirmei, nem todos os praticantes de bruxaria são pagãos ou sequer wiccans, pois a bruxaria é uma prática sem religião associada. Já todos os wiccanos (se for assim que se diz em português) são neo-pagãos, e muitos reclamam o termo de bruxos, devido às práticas da mesma religião. 

Cada tradição vai, portanto, ter práticas muito diferentes das outras quando misturadas com bruxaria.

Sincronismos

Quanto ao cristianismo, a mistura deste com a bruxaria vai para além do que seriam simplesmente bruxas cristãs, podendo se encontrar sincronismos do mesmo. Falando brevemente de duas distintas tradições, temos o Voodoo que é uma tradição que se divide em New Orleans / Louisiana Vodou e Haitan Vodou, sendo uma tradição mais organizada que requer iniciação, e depois também existe o Hoodoo que tem na sua base o que seria folk magic originária do continente africano, tal como Voodoo, no entanto este segundo chama os Loas/Lwa (semelhantes aos Orixás) por via de santos católicos, enquanto Voodoo utiliza as divindades africanas. Hoodoo também é chamado de rootwork ou conjure. Outras práticas semelhantes seriam a religião yorubá que influenciou práticas como Candomblé e/ou Santería. Existem imensas tradições de que poderia falar, no entanto só pretendia dar uma imagem geral para as pessoas entenderem que de facto estamos a falar de um assunto muito vasto e que se encontra em todo o mundo.

Aviso: por favor não apropriem estas práticas! O básico da magia branca já o fez sem dar créditos e vocês não precisam de o repetir também. E também não vou tolerar comentários racistas em relação a estas práticas que são lindas e cuja base é o trabalho com ancestrais, divinação, entre outras, e não há nada maligno sobre estas mesmas. Por favor repensem o quão racistas são as representações das mesmas nos media, como por exemplo quando mostram as espiritualidades dos nativos americanos e povos indígenas como sendo só acerca de maldições. Basta entrarem em qualquer loja esotérica em Portugal para verem a enorme diversidade de tradições representadas e podem reparar na quantidade de artigos que são específicos para cristãos e outras tradições como afro-brasileiras, nem tudo é só sobre práticas mais modernas ou apenas influências europeias. Eu foco-me mais em tradições ocidentais / europeias, mas não permito que o meu blog tenha espaço para intolerantes.

Divinação

Muitas das questões que recebo são acerca de divinação, pois as pessoas acham este assunto muito fascinante. É uma forma de sabermos mais acerca de nós mesmos e também sobre o futuro. Algumas formas comuns de divinação:

Cartas: a utilização de cartas pode se dividir em vários grupos, mas os mais comuns são as cartas de jogar, oráculo e de tarot. Tarot é das formas de divinação mais populares, sendo este um método de divinação e ferramenta espiritual que utiliza um oráculo específico composto por 78 cartas. Já fiz uma publicação acerca de tarot, podem carregar aqui se quiserem ler. Foco-me no tarot tradicional mas também toco um pouco em outras tradições como Lenormand. Também está para sair uma breve publicação acerca de cartas de oráculo.

Runas: um oráculo moderno geralmente utilizando antigos alfabetos nórdicos (rúnicos), sendo o mais comum elder futhark, mas também podem ser inscritos outros símbolos que derivam ou não destes. Há muito debate acerca desta prática, no sentido de se é possível comprovar o uso histórico das mesmas, ou se é apenas uma recriação moderna. O uso das runas também evolui na época medieval, como por exemplo com as runic staves.

Similar a runas, também existem tradições que "lançam" pequenos objectos como conchas e ossos, comuns em tradições afro-brasileiras. As leituras deste tipo de oráculos podem ter origem na intuição do leitor, na posição e formas que os objetos fazem e/ou nos significados associados a cada um destes. Há quem não lance as runas, mas sim abane um saco e tire algumas, e ainda há quem as posicione como se fossem cartas em diversas formações.

Pêndulos: uma forma simples de divinação utilizando um objeto pesado suspenso por um fio. Os usos são variados, como responder a perguntas de sim/não, encontrar objectos perdidos, comunicação com espíritos, entre outros. O seu uso é antigo e muitos dos vossos familiares devem de o praticar ainda nos dias de hoje. Parece ter origem na tradição de dowsing.

Borras: ler borras de chá e café também é uma forma antiga de divinação. A interpretação provém da intuição do leitor, das formas que as borras fazem e/ou do seu posicionamento na chávena. Regra geral, primeiramente a pessoa a quem se vai fazer a leitura pede um pouco do líquido.

Scrying / Perscrutar: tem a ver com entrar num estado de trance olhando para uma superfície reflectiva (geralmente água, espelhos negros e/ou feitos de obsidiana ou bolas de cristal feitas de diversos cristais - se forem transparentes, costumam ter uma percentagem de vidro; muitas vezes também são feitas de obsidiana). Também já li quem o fizesse através de fumos, apesar de ser discutível se essa prática pertence a esta categoria.

As práticas de divinação são imensas. A lista nunca mais iria acabar, para além de se poder escrever imenso acerca de cada uma delas.

Necromancia, dons e fadas

O objectivo da divinação é variado, mas um deles é a necromancia, ou seja, a comunicação com espíritos / spirit work. Tal é feito de ainda outras formas diversas. A mais popular são ouija boards. Apesar da imagem moderna ser sobre "ressuscitar os mortos", na realidade necromancia seria apenas uma forma de divinação através dos mortos, obtendo respostas através da comunicação com espíritos. Falar com os mortos pode trazer-nos muito conhecimento. Este tipo de divinação pode ser feita de diferentes formas como invocações, divinação com ossos, pêndulo, e muitos outros rituais.

Isto levanta a questão: para alguém se envolver em bruxaria, seria necessário algum dom? Quais são os requisitos? Apesar da meduinidade ser um assunto comum e existirem diversas formas da mesma, a nossa percepção actual foi muito influenciada pelo espiritismo. Existem certos dons, mas qualquer pessoa pode trabalhá-los, juntamente com a sua intuição. Portanto, eu afirmo que não há requisito de dons psíquicos, ou qualquer requisito de todo. Não é necessário pertencer a uma família de bruxos ou a alguma tradição de todo. Para além disto, a comunicação com espíritos não se limita apenas a espíritos humanos. Muitos praticantes trabalham com diversas entidades e divindades, como ancestrais, elementais, fadas (não são as da Disney), espíritos guias, anjos, santos, daemons, entre outros.

Bruxaria no dia-a-dia 

A bruxaria é algo que pode envolver o quotidiano de uma pessoa, especialmente se esta estiver ligada a alguma prática ou tradição espiritual/religiosa. Quando falamos de algo que envolve o nosso dia-a-dia, tal vai depender da visão que essa pessoa tem do mundo. Fazendo uma ponte para o nosso próximo tópico, uma das religiões e espiritualidades mais populares que utiliza práticas de bruxaria é o neo/paganismo - e esta é a tradição que me sinto mais confortável a falar sobre. Apesar de nem todos os crentes se envolverem em práticas de bruxaria, uma grande maioria considera-se um ávido praticante da mesma. Portanto, a espiritualidade e estas práticas acabam por se misturar bastante. Um crente irá chamar pelos seus deuses durante as suas práticas e rituais para pedir auxílio ou irá fazer um altar consoante aquilo que acredita.

Altares é algo abrangente a todas as religiões. Os crentes costumam criar altares consoante aquilo que acreditam. Basta tirar o exemplo dos altares do Dia de Los Muertos, ou os altares específicos da religião Wicca, estes com um esquema específico orientado para a visão dualista da religião. Altares servem para honrar deuses / divindades, ancestrais, para realizar trabalhos e rituais, para honrar a roda do ano, ou simplesmente para depositar as ferramentas que os praticantes usam. Também são criados altares de foco / manifestação.

O tópico da bruxaria no dia-a-dia seria bastante longo, mas quis deixar aqui este pequeno texto pois nem todos os praticantes apenas fazem rituais de alta magia a cada mês. Muitos praticantes têm um culto constante que se interliga com a bruxaria.

Sobre a roda do ano 

Este é um conceito do neo-paganismo europeu que pega em diversas festividades de diversos politeísmos ocidentais, na sua maioria. O conceito de roda é muito familiar aos celtas. Estas festividades consistem em eventos astronómicos, mas também culturais. O tema mais comum destas festividades é o culto da natureza nas suas diversas formas ao longo do ano, algo comum na bruxaria pois a maioria das práticas envolvem muitos objectos naturais como cristais e ervas.

Estas datas são sagradas e também utilizadas como altura ideal para diversos rituais. Estas festividades têm, na sua maioria, origens comprovadas nos paganismos originários europeus. Estas festividades na Wicca chamam-se de sabbath e são as celebrações do Sol. É possível mencionar as festividades mais comuns, no entanto há praticantes que seguem certas tradições como o politeismo romano que tem festividades próprias que não se encontram nas imagens populares do instagram da roda do ano. De forma geral, o solstício de inverno é a noite mais longa do ano (Yule, nome de origem nórdico) e tem o seu oposto que é o solstício de verão (Litha, nome nórdico; Midsummer, apesar desse nome nem sempre se referir ao fenómeno astronómico específico), sendo o dia mais longo do ano. Entre estes teremos os equinócios de outono (Mabon, nome celta) e da primavera (Ostara, nome anglo-saxónico/germano) em que se atinge o equilíbrio. Estes seriam os quatro festivais principais do sol. O nome destes festivais pode variar e nem todos os praticantes seguem estes mesmos. Ainda existem outros festivais, como Samhain (não se pronuncia como se escreve, já agora) proveniente da cultura celta, sendo esse o último dos 3 festivais de colheita (Sendo estes Lammas / Lughnasadh, nome celta, seguido de Mabon, e por fim Samhain), ligado ao culto dos mortos, entre outras associações. Também existem os festivais do fogo, como Beltane, outra altura em que o designado véu entre os espíritos e os vivos está mais fino, sendo este no oposto da roda do ano a Samhain. É aconselhável ver imagens online pois ilustram bem a ideia de "roda" do ano, esta que tem origem na visão cíclica celta e não seria uma visão comum a todos os povos pagãos, apenas uma recriação moderna.

Os eventos astronómicos iriam depender se eram ou não observados pelos povos em questão. E, como referi, há muitos outros festivais que apenas têm um fundo cultural destes povos, muitas vezes ligados a divindades específicas dos politeísmos antigos. Logo, a roda do ano não reflete todos os neo-pagãos, apenas é comum na Wicca e é uma forma de uniformizar as práticas, mas nem todos os crentes seguem ou festejam os mesmos festivais. No hemisfério sul, as datas destes festivais seriam, em teoria, invertidas - quando estamos a festejar o solstício de inverno, o hemisfério sul festeja o de verão; no entanto, nem todos os praticantes do sul invertem as datas de todos os festivais, uns apenas o fazem nas datas astronómicas e não nas datas culturais.

Astros

Quando falamos de eventos astronómicos, também não nos podemos esquecer da influência da astrologia na bruxaria. Nem todas as tradições de bruxaria utilizam o sistema ocidental de astrologia, mas é um tópico comum na bruxaria moderna. Na Wicca, os Esbats são os rituais de lua cheia. A lua é um dos tópicos mais populares! Um conceito interessante é o de astrolatry ou astrotheoloy, sendo este o culto e divinação de astros e outros corpos celestes, muito comum nos politeismos antigos, como na antiga religião greco-romana. Um artigo muito interessante sobre isso seria este aqui.

"The thesis that these bone markings also reflect the “moons” or menstrual periods of women is likewise sound; hence, it has been suggested, women were the “first mathematicians.”
Retirado do link que deixei acima

Muitos praticantes seguem as fases da lua e consideram que certas fases são ideias para fazer certos rituais ou para a manifestação de intenções. Originalmente, a astrologia e a astronomia foram um só saber, logo os eventos astronómicos também têm o seu significado na astrologia, como os eclipses. O básico da astrologia, mas mesmo básico, começa pela leitura do mapa astral, como se fosse um "print" do céu no dia, hora e local exacto do nascimento de uma pessoa. No entanto, os astros movem-se todos os dias, e são estas posições e os aspectos que os planetas/astros fazem que a astrologia analisa de forma diária, dessa forma fazendo previsões, criando horóscopo, entre outros. Para além disso, a astrologia tradicional é muito diferente da astrologia moderna, sendo que a primeira tinha um foco mais exterior, enquanto a mais recente tem um foco na personalidade das pessoas, e não tanto em previsões. As bases da astrologia provêm da antiga babilónia. A astrologia costuma se dividir nos planetas e nas casas. Os planetas costumam ser categorizados em planetas pessoais, sociais e transpessoais / geracionais.

Como a bruxaria utiliza muitas correspondências, não só as fases da lua, há quem pense até ao pormenor da hora e o dia da semana para os seus rituais. Os dias da semana são todos pagãos, excepção em português por uma razão muito idiota que nem vale a pena mencionar. Dando o exemplo: Monday, seria o dia da lua, em espanhol Lunes; a Terça-Feira está ligada a Marte, como em espanhol Martes e em inglês Tuesday vem do deus germano Tyr.

Ferramentas

Quando mencionei os altares também falei de ferramentas, estas que vão mudar, como já devem de esperar, consoante a tradição. Eu sigo a ideia de que qualquer coisa pode ser uma ferramenta de bruxaria, desde que seja separada do uso mundano (e desde que o praticante a sacralize da forma que achar melhor). Não posso falar das ferramentas de todas as tradições, e já mencionei algumas no trecho da divinação, mas deixo aqui um exemplo de uma ferramenta comum na Wicca que é a Bowline, esta que serve para o corte físico de coisas como ervas, e o Athame para cortar e direccionar energia em termos ritualísticos. Isto foi apenas um exemplo, pois nenhuma ferramenta é estritamente necessária, pois as práticas de cada um são totalmente diferentes e ninguém é obrigado a seguir nenhuma tradição. Agora em Wicca, mais cerimonial, várias ferramentas são necessárias. Outras coisas que não seriam consideradas propriamente ferramentas como já mencionei são objectos como incensos, cartas, cristais, ervas, velas, entre outros. Estes itens são chamados de "props" em rituais.

Cristais são itens comuns na bruxaria mas não são específicos da mesma, pois as práticas são muitas. Há quem os utilize em rituais para representar energias e também podem ser utilizados em meditações, em curas, em trabalhos, entre outros. Já ervas são utilizadas em rituais de diversas formas para representar a intenção que pretendemos alcançar ou então mesmo para as suas propriedades medicinais. Aconselho sempre verificarem as tags do blog se quiserem ler sobre algo em específico.

Bruxaria: a variedade

Outros conceitos comuns na bruxaria moderna e na teoria mágica é a manipulação energética, como grounding, centering, curas energéticas, fazer círculos mágicos, entre outros. Estou completamente a me esquecer das traduções destes termos em português, mas vocês entendem a ideia. O uso de círculos energéticos é mais comum na Wicca, sendo uma das suas práticas mais cerimoniais, com a função de proteger um ritual de energias que possam interferir, como também para criar um espaço para conter a energia que é elevada durante o mesmo ritual, especialmente em rituais de grupo. No entanto, não é necessário o fazer, mesmo que todos os wiccans do mundo digam que sim, visto que existem tradições mágicas desde sempre que não utilizam este conceito. É aconselhável proteção nos rituais, mas essa pode ser alcançada de diversas formas, consoante a tradição de cada um. Não estou informada até que ponto existe o conceito de manipulação energética noutras tradições para além da europeia.

Os trabalhos mais comuns de bruxaria em termos de feitiços e rituais podem envolver qualquer um dos elementos (em Wicca é comum dividir os trabalhos pelo elemento principal, e também na bruxaria elemetar), como utilização de fogo (velas, por exemplo), no entanto utilizam-se muitas outras coisas, como jarros, frascos, pequenas bolsas, fetiches / poppets / bonecos, entre outros. A variedade de rituais é imensa e podem ser tão simples ou tão complicados e cerimoniais como uma pessoa os quiser fazer. Aconselho lerem a minha publicação acerca de alta magia cerimonial vs baixa magia! Os objectos utilizados podem ser quaisquer, como espelhos, fios, cristais, ervas, petições, entre outros.

A bruxaria pode se distinguir por diversos elementos, tais como: a religião (cristã, pagã, etc); tradição específica a que pertence (paganismo pode se dividir em politeísmo grego, wicca, druidismo, etc); solitária ou em grupo; alta magia ou não; entre muitos outros termos. Um dos tipos mais comuns de bruxaria é a chamada de ecléctica, isto que significa que retira práticas e elementos de diversas tradições. A bruxaria cerimonial ou alta magia bebe muito das ordens ocultistas ocidentais e incluí termos como cabala mística ou thelema. Também existe a bruxaria hereditária, ou seja, praticantes que descendem de uma família de praticantes, no entanto não existe exclusão mútua (existem bruxas hereditárias wiccanas). Ainda existem muitos outros rótulos criados pelos praticantes com o objectivo de 1) encontrar pessoas com práticas semelhantes; 2) focarem-se em algum tópico que gostam; 3) melhor se entenderem na comunidade. Esses rótulos incluem bruxaria cósmica, lunar, natural, elemental, entre outros. Os diversos tipos de wiccans também se aplicam aqui, muitas vezes chamados de "paths" (caminhos).

Tudo o que toquei neste post merecia uma publicação por si mesma, mas penso que um post de introdução a um tópico tão variado seria útil.

Perguntas frequentes
  • A bruxaria tem algo a ver com Satanás?
Apesar de existirem tradições do que seria chamado "left hand path" em alta magia cerimonial, e de também existirem praticantes de luciferianismo (satanismo teísta) ou satanismo de la vey, o conceito de Lúcifer / Satanás é cristão, logo nem todos os praticantes de bruxaria acreditam no mesmo sequer, e daqueles que acreditam poucos fazem culto ao mesmo. Nada contra quem faz trabalhos com essa entidade, no entanto não afirmo que seja o mais comum. Dentro do "left hand path" existem muitos outros caminhos, como o trabalho com demónios de forma geral. Se na crença de alguém a prática de bruxaria é um pacto com Satanás, quer a pessoa o esteja a fazer de forma consciente ou não, diria que tal não é razão para hostilidade, pois isso é uma interpretação pessoal. Ninguém é obrigado a se comunicar com uma certa pessoa, no entanto o respeito é uma obrigação para podermos conviver em sociedade, pois se formos por essa interpretação, muitas coisas que as pessoas fazem seriam pactos com o Diabo, logo não podemos ser selectivos nas pessoas a que mostramos respeito.
  • É possível se praticar sozinho? É necessário se praticar para se ter algum interesse e ler sobre o assunto?
Sim! E não! É possível alguém investigar, começar os seus estudos e práticas, mesmo que estejamos a falar de tradições de grupo, pois muitos destes implicam um ano e um dia de estudo sem contar com um ano de experiência para poderem pertencer ao mesmo grupo - tal vai depender. No entanto, existem religiões fechadas a iniciação. Ninguém pode impedir outra pessoa de ler sobre algo e de se interessar.
  • O que é necessário para se ser praticante? E por onde começar? Quais são os primeiros passos para quem tem interesse e quer experimentar? Há algum requisito?
1. Muita pesquisa, muito estudo, muitas leituras, documentários, entre outros. Apesar de bruxaria ser entendida como algo que empondera as pessoas, é preciso ter muito cuidado com utilizar o termo sem o praticar, pois isso vira a comunidade uma contra a outra, para além de nem toda a gente levar a bem. É tentador começar a utilizar o rótulo mal se descobre algo novo e fascinante, no entanto, tal como em qualquer tradição / religião, é preciso muito estudo e muita prática. Estamos a falar de práticas que muitas vezes estão envolvidas com espiritualidade. Tal como um cristão tem de saber os seus textos sagrados, a mitologia e a teologia, seguindo também as doutrinas da religião e prestando culto sério, com qualquer outra religião passa-se o mesmo. Como referi, muitas tradições têm o requisito de um ano de estudos para sequer se poder fazer iniciação / auto-iniciação.

2. Tentar encontrar comunidade, pois é muito mais fácil assim. Existem muitos sites, blogs, fóruns, entre outros. Eu própria estou a tentar unir a comunidade cá em Portugal (e fora também!) e tenho parcerias neste blog com pessoas da comunidade. Apps comuns são os Aminos de bruxaria. Existem óptimos sites para se pesquisar, como o learnreligions. Há também locais em Portugal onde os praticantes se costumam encontrar. É muito mais fácil aprender com a ajuda de outras pessoas, mesmo que pretendam manter uma prática solitária

3. Escolher uma tradição em que se focar, lendo um pouco acerca de várias, para ser mais fácil afunilar o conhecimento inicial. Não é necessário desistir da fé cristã para praticar bruxaria ou acreditar em algo que a pessoa não acredita como astrologia, usando como exemplo. Tendo sempre sensibilidade que existem religiões fechadas e abertas. É necessário compreender as várias tradições dentro da comunidade da bruxaria e respeitá-las. É preciso ser muito sensível com assuntos de apropriação cultural e tentar usar o vocabulário mais adequado que consigamos. Muito cuidado com os termos. Existem conceitos transversais a várias tradições, cujos termos, no entanto, são limitados a essas mesmas. Um exemplo disso seria "smudging", um ritual nativo americano utilizando fumos. Não é que o conceito de limpeza através da queima de ervas ou incenso seja exclusivo do mesmo de todo! Simplesmente este ritual é específico da sua espiritualidade. Ninguém fora destes povos é capaz de fazer o ritual, pois nem sequer o sabem fazer. Não se pode chamar de "smudge" a um líquido/spray de limpeza, por exemplo. Seria melhor utilizar termos abrangentes e que não ofendam as pessoas da comunidade. É, por isso, aconselhado fazer muita pesquisa. Também aconselho terem cuidado ao chamar de "fantasia" às histórias de certos povos, pois isso é muito ofensivo. Ter um interesse vasto é muito bom, mas não é demais reforçar o cuidado que devemos ter com a nossa linguagem.

4. Ter em atenção que conhecimento teórico lido no tumblr ou num amino não é o mesmo que ser praticante. Uma coisa é ter interesse pelo ocultismo, misticismo, esoterismo, mitologia, entre outros, outra coisa é praticar bruxaria - e bruxaria é uma prática. O básico é praticar aquilo que pregamos. Sendo uma prática, o tempo leva à perfeição. É preciso praticar muito e criar uma prática só nossa (já repeti esta palavra muitas vezes). Há quem passe anos para formar o seu caminho e descobrir o que funciona com eles. Sem contar que as nossas crenças pessoais estão sempre a se alterar - e isto implica respeitar as escolhas dos diferentes praticantes. Portanto, ser um investigador e ter muito afecto e interesse pelo paranormal não é ser um bruxe!

5. Não comprem coisas logo no início. Eu tenho uma drive de livros sobre ocultismo e bruxaria que disponibilizo neste blog. Poupem o vosso dinheiro e pensem nas fotos para o instagram depois! Não sejam alimentados pela ideia que têm de comprar cristais se, por exemplo, nem os vão utilizar nas vossas práticas - pois nem todos os bruxes os usam. Já partilhei na conta twitter do blog várias coisas sobre o materialismo na bruxaria. Forço muito esta ideia acerca de ferramentas, pois muitas pessoas compram as ferramentas da Wicca cerimonial para ficarem numa prateleira abandonadas. Recomendo primeiro lerem sobre o assunto, para entenderem aquilo que vos interessa, e comprem uma coisa de cada vez, à medida que vão estudando.

6. Não existem requisitos de religião, género, etnia, seja o que for. Qualquer pessoa pode praticar. Tudo está ao alcance de alguém aprender.
  • A bruxaria é real? Feitiços funcionam mesmo?
Não estou aqui para convencer que misticismo, paranormal, etc. são reais, só afirmo que estas práticas são comuns a diversas culturas e ainda estão presentes hoje em dia. Poucas pessoas fazem ideia, mesmo com a crente popularidade.
  • O culto à natureza é necessário?
Não. A bruxaria não tem religião associada. É um conjunto de práticas que não são uniformes.
  • X é moralmente correcto?
A moral é algo que vai depender de cada pessoa e da sua tradição. Não devemos impor as nossas crenças nos outros. Há que ser tolerantes, é uma obrigação num estado de direito democrático. Se na dúvida, verifica com a tua tradição se X é aceite se fazer (exemplo: a Wicca tem vários dogmas, uns que afirmam serem modernos ou não, tal dependerá da pesquisa individual de cada um).
  • Existe alguma interpretação de "como funciona"?
Muitos crentes que praticam bruxaria irão interpretar os rituais como similares a orações para os seus deuses/deus/divindade, outros vão interpretar como uma forma de manifestar intenção com o uso de manipulação energética e correspondências, entre muitas outras interpretações. É complicado de explicar a um público que não conhece teoria mágica. Não há uma única interpretação, em suma. Tudo irá depender da religião ou espiritualidade, se existir, e ao que a pergunta se referir (feitiços? cartas? astrologia?) para se responder de forma apropriada.
  • O que é o livro de São Cipriano?
É um grimório (termo que não mencionei no texto - era impossível referir tudo numa só publicação), ou seja, uma colectânea de rituais e feitiços. A sua má fama vem de ter alguns rituais duvidosos, como a famosa costura de boca de sapo. Não diferente muito dos outros grimórios. Os cristãos não gostam de bruxaria, logo há essa má fama, mas no fundo é um grimório cristão. É irónico. Não há nenhum perigo associado em tê-lo em casa.

Não toquei nem em um terço do que significa ser um praticante de bruxaria. Não falei nem metade das ferramentas, práticas, crenças. Se vocês são iniciantes ou baby witches, vejam a conta twitter do blog. Escrevi já uma thread de dicas para iniciantes com diversas sugestões de tópicos de pesquisa, de sites para consultarem, etc. Carreguem aqui para lerem a thread.