quinta-feira, 1 de abril de 2021

Coven Vs. Circle

    Um dos termos que mais vejo a ser usado na comunidade é de coven. Com este texto pretendo sugerir sermos mais específicos com os termos que usamos, para melhor nos conseguirmos explicar em termos de comunidade. Aqui não vamos aprofundar a origem da palavra, mas pelo que me parece está ligado à hipótese witch-cult e tem origem no livro The Witch-Cult in Western Europe (1921) de Margaret Murray. A ideia era que as descrições de bruxaria sabática dos documentos da inquisição correspondiam aos sabats em que um grupo de praticantes se reunia, grupo esse que seria um coven. A palavra foi utilizada pela Wicca para significar também um grupo de praticantes. No entanto, aqui coven tem um significado muito específico.

    Quando vejo as pessoas falarem sobre quererem um coven (coventículo), raramente estão a referir-se a quererem entrar numa tradição fechada iniciática, mas sim a quererem ter um grupo de amigues com quem praticar. Por isto mesmo é que quero introduzir uma palavra que é pouco usada na comunidade: círculo! Na mesma altura em que a Wicca estava em alta e toda a gente queria um coven, surgiu a palavra círculo para significar grupos mais informais ou até open circles, dias em que covens tinham celebrações abertas para o pagan pride ou sabats e afins. Vamos então explicar as diferenças! Mas antes de mais, vou deixar um alerta:

Cuidados

Muitas pessoas procuram covens para lhes ensinarem a prática, algo que deve ser evitado a todos os custos. Isto acontece muito com iniciantes que não sabem os perigos de se exporem numa situação de "ensinem-me gratuitamente, por favor". Nada é gratuito e há muitos auto-proclamados profetas que têm zero talento ou treinamento para serem sacerdotes seja de que tradição for que irão aceitar-vos de bom grado, com uma grande diferença de idades e um fosso de diferença na dinâmica de poder, e fazer-vos passar por iniciações...duvidosas. Só por serem pessoas da comunidade não quer dizer que não possam ser abusadores. Estudem primeiro para saberem em que tradições gostariam de ser iniciados, não aceitem algo só porque sim. Os covens irão obrigar-vos a estudar e ler livros, irão vos mandar textos, irão exigir em alguns casos um ano e um dia de estudos antes da iniciação, poderão ter de decorar textos específicos dessa tradição. As coisas não são como nas séries de TV. Primeiro interajam com a comunidade, façam amigos, pratiquem com pessoas que ainda estão a aprender como vocês e depois talvez encontrem um grupo destes mais sérios se é o que vocês procuram! 

Sugestão de leitura do blog Sob o Luar

Red flags na procura de covens / grupos 

Auto-proclamados mestres no paganismo e na bruxaria 

Prática solitária e em grupo 

Os cuidados nas comunidades pagãs

por favor tenham em consideração os avisos que estão em cima pois eu sei de diversas histórias de abuso em ditos "covens" e em grupos da comunidade de bruxaria pagã, tenham muito cuidado em se exporem como iniciantes que querem um grupo que vos ensine pois as pessoas dispostas a isso são duvidosas

Coven

    A Wicca começou como uma tradição fechada a iniciação e hierárquica que bebeu das tradições de bruxaria sabática inspiradas nas divindades de Aradia em Itália e também tem influências da alma magia europeia, especialmente da thelema. Algo que provocou um grande debate na comunidade foi a popularização da Wicca solitária, mais tarde chamada de Neo-wicca pois passou a ter grandes influências new age, mas essa é outra história. É importante realçar que Gardner não criou a tradição, mas foi sim iniciado (alegadamente, tenho de fazer a minha revisão da história da Wicca e para isso recomendo o livro da Thorn Mooney) A Wicca é uma religião e tradição bastante específica com a sua ritualística e dogmas que lhes são específicos. A Wicca solitária causou tanto debate pois a Wicca tradicional acreditava que a iniciação era um requisito para seguir a tradição - mais tarde surgiu a "auto-iniciação" na Neo-wicca, bastante criticável e com os seus motivos óbvios pois nada daquilo era uma iniciação, no máximo era uma dedicação a uma tradição. Águas passadas à parte, a iniciação num coven era algo muito importante para a Wicca pois era a base da religião. 

    A Wicca tradicional é organizada desta forma, o que não quer dizer que os praticantes estivessem a dizer que ninguém podia praticar bruxaria sem ser iniciado, mas sim pertencer à tradição da Wicca. A Wicca tinha a sua hierarquia e os conventículos exigiam um ano e um dia de estudos antes da iniciação e fazer um oath, entre outros requisitos que vão variar de coven para coven, sendo um dos requisitos mais populares a maioridade. Se procuram um coven para aprender bruxaria, podem dar meia volta pois esses praticantes não iriam ganhar nada em ensinar iniciantes e neófitos gratuitamente. Poderão estão a confundir com outras ordens como a OBOD em que se paga para se ir obtendo informação e subindo de grau. Essas organizações são diferentes de covens! Covens são formados por praticantes de bruxaria, nunca irão aceitar iniciantes por mais "dons" que vocês tiverem pois o que importa é a vossa dedicação à tradição, e nem uma pessoa que só quer "ver como as coisas são", pois primeiramente para ter acesso a este tipo de covens que estou a falar é necessário serem convidados, e depois geralmente isso envolve dedicação a uma certa tradição. Atenção que eu estou a generalizar, além do mais existem muitos grupos de praticantes que se intitulam covens e não estou a afirmar que um coven tem de descender de uma grande tradição ou assim - no fundo as palavras não interessam, mas estou a tentar alertar iniciantes pois muitos me pedem por "covens" como se eu tivesse o poder de fazer algum grupo que conheço aceitar um iniciante que estuda há 2 semanas, pois eu tenho zero influência nos mesmos e covens não se procuram por se pesquisar no google "coven portugal". Salvo uma ou duas tradições que têm um site pois já são internacionais, quase como organizações, e que se dividem em covens, posso afirmar que os covens não funcionam assim e a maioria costuma funcionar apenas com 13 pessoas. Resumindo? É uma questão de sorte e de se envolverem na comunidade e encontrarem pessoas e verem em que grupos estão: farão culto em algum templo? farão parte de alguma associação? alguma dessas pessoas fará parte de um coven? Resumidamente, o segredo é procurar comunidade e fazer amigos e de certo que encontrarão pessoas que iriam praticar com vocês e aprenderem em conjunto. A definição oficial é a que estou a dar de coven vs círculo e queria alertar para isso mesmo - que coven tecnicamente aponta para o género de grupo iniciático que descrevi, não quer dizer que seja assim que a palavra é usada no quotidiano! 

    Um aviso: se algum grupo estiver à procura de praticantes e aceitar menores de idade, fujam! Nenhum grupo decente - isto quer dizer, com reputação e sem predadores - irá aceitar menores de idade em religião organizada (não me vou explicar mais, acreditem em mim). 

    Portanto, para pertencer a um destes grupos, o indivíduo tinha de ser aceite.  O trabalho em covens é muito sério pois forma-se uma egrégora que segue uma certa tradição. As pessoas usavam nomes mágicos e não podiam relevar quem pertencia ao coven ou que deuses celebravam (seria uma sociedade discreta). Existiam graus que culminavam em high priest / high priestess que tinham as suas funções dentro da organização. 

    De novo, um à parte: criticar religião organizada, pessoas que falam de quantos graus têm e afins, fica para outra publicação, pois existem os seus problemas.

Circles

    A ideia de círculos já é bastante antiga na comunidade, como referi. Aqui sugiro utilizar a palavra círculo para significar qualquer uma destas coisas: um grupo de praticantes de bruxaria, seja aberto ou fechado, que se reúne esporadicamente para rituais específicos ou celebrações sem existir formalidade ou hierarquia bem definida, nem iniciações ou ritualística específica criada pelo grupo. Também acho importante que estes grupos não tenham a intenção de criar uma nova tradição em específico, algo diferente de isso surgir de forma orgânica entre praticantes, como já aconteceu na história. A experiência de um coven e de um circle são bem diferentes. Eu pessoalmente não me importava nada, mesmo nada, de entrar num coven de bruxaria tradicional que cultuasse o panteão ibérico sem saudosismos e nacionalismos lá pelo meio, se alguém do coven que estou a falar estiver a ler, olá! 

    Não obstante que existia um grande elitismo sobre a formação de novos covens, pois estes teriam de descender diretamente de alguma das grandes tradições da Wicca (exemplo: "este coven foi formado por um aprendiz de Alex Sanders!"), algo que posso dizer é que covens geralmente estão ligados à Wicca ou a Bruxaria Tradicional / Sabática, e não a grupos de amigos que praticam juntos de vez em quando! Muitas pessoas procuram um coven mesmo por quererem ser iniciadas, mas outras esperam que o coven lhes vá ensinar tudo, quando na verdade um grande problema que pessoas que estiveram em covens e experienciaram isto são pessoas iniciantes não avançarem na prática e isso entravar o progresso do grupo, por isso é que desde o início que os covens tornavam obrigatório os estudos introdutórios à tradição, a pessoa assistia a rituais e participava para verem se gostavam dela e se tudo funcionava e só depois disto tudo é que era iniciada e aceite na tradição. Os covens não são grupos de amigos, geralmente são desconhecidos e estas organizações têm a intenção de durar algum tempo e de seguir alguma tradição em específico. Já círculos têm uma maior flexibilidade de tradições, podem ser um grupo de amigos que faz celebrações de sabats ou leem as cartas uns aos outros.

    Para mim faz mais sentido deixar a palavra coven para grupos iniciáticos, hierárquicos ou mistéricos, mas por outro lado também acho que devemos popularizar a palavra circles pois é destes que precisamos, enquanto comunidade: grupos informais e locais de praticantes de bruxaria que fazem as suas celebrações em conjunto enquanto comunidade - um sonho seria todos se unirem em festivais, sem nunca deixar de existir descentralização local, mas isto seria imaginar um futuro em que existisse maior comunidade de paganismo e de tradições mágico-religiosas. Espero que este texto tenha ajudado a esclarecer algumas dúvidas e que vos tenha feito sonhar com mais pessoas ligadas à espiritualidade, cada uma com o seu papel na comunidade. 

segunda-feira, 29 de março de 2021

Magia e feitiços, os detalhes

    O título desta publicação foi inspirado neste vídeo pois concordo com os pontos que são feitos: raramente se fala nos detalhes de feitiços, utilizar a intenção nas mais pequenas coisas. Quantos iniciantes conhecem que invocam entidades que não sabem banir? Quantos iniciantes conhecem que não sabem as bases de proteção, limpeza, purificação e banimento, mas querem fazer feitiços? Aliás, encontrar feitiços online é bastante acessível, mais quantos desses são realmente bons? Quais vão funcionar? Utilizar feitiços escritos por outras pessoas como uma "receita" não resulta tão bem, pois não sabemos exatamente o porquê de estarmos a usar aquela técnica ou aqueles ingredientes. Também poucas vezes vemos falar sobre o que realmente é um feitiço: elevação de energia com uma intenção específica. Essa energia vem de nós, dos itens que usamos ou da assistência de entidades. Durante um feitiço temos uma intenção e um desejo que queremos que se manifeste (não aplicável a todos os feitiços), portanto temos de visualizar essa intenção, elevar a energia e depois libertá-la. No meio destes passos de manipulação energética é que muitos iniciantes se perdem. Ou falham a elevar a energia ou a libertá-la. Vamos então falar dos detalhes de feitiços para podermos ter práticas com sucesso? 

Para melhor compreender este texto, recomendo a leitura de Limpeza e Proteção - o básico + Bruxaria mais segura - cuidados a ter.

1. Bruxaria é uma prática e necessita de estudo

    O título deste tópico pode parecer parvo, mas isto é o que muitas pessoas se esquecem: bruxaria é uma prática; bruxes praticam bruxaria; nem toda a magia é bruxaria. Portanto, praticar bruxaria é o requisito para se ser praticante de bruxaria. Mas sendo uma prática, é também chamada de Arte. Tal como ninguém aprende a tocar guitarra sem estudar as bases e praticar, aqui a mesma coisa se aplica. Além disso, vocês iriam mandar mensagens a pessoas para lhes pedirem em tom de desespero para lhes ensinarem a tocar guitarra, a troco de nada? E vocês sabem mesmo tocar guitarra só em teoria, se não há prática? Tudo isto se aplica na magia. Apesar das raízes folclóricas da bruxaria, uma Arte passada de geração em geração, a bruxaria também pertence ao ramo do ocultismo. Todos os ocultistas são estudiosos, esse é um facto. Se querem ser mestres nesta Arte, então têm de estudar e praticar. Isto é um processo sem fim. Ninguém sabe tocar um instrumento sem saber as bases de teoria musical, coisas simples como saber dizer aos notas. Para a magia é necessário estudar as bases de teoria mágica, o porquê de fazermos as coisas, quais são as diversas tradições.

2. Praticar as bases

    Limpeza, purificação, banimento, proteção, manipulação energética, capacidades psíquicas, intuição, meditação, visualização, entre outras coisas são as bases para fazer magia. Magia não é atirar ingredientes para um frasco sem qualquer intenção, sem programar os itens, sem bases de trabalho energético. Primeiro têm de aprender as bases. 

3. Trabalhos de magia são, no fundo, manipulação energética

    Tudo tem energia. Durante um feitiço, elevamos energia utilizando a nossa própria energia mais dos nosso itens que correspondem com a nossa intenção. Alguns detalhes sobre isso: podem utilizar aterramento (grounding) para utilizarem energia da terra, assim ficam menos cansados após um feitiço, pois imensas pessoas utilizam demasiada energia e ficam muito esgotados quando fazem rituais; nesse sentido, outra forma de resolver isso é também com aterramento para recuperar alguma energia que perdemos. No início da nossa prática é recomendável fazer aterramento antes e após fazer feitiços e rituais. Se vocês se sentem cansados depois de um feitiço, é porque de facto utilizaram bastante energia e isso é bom! Depois, devemos aprender a direcionar energia (centramento é a base disto) para direcioná-la para onde queremos. Círculos mágicos também são bons pois elevamos energia e depois libertamos quando abrimos o círculo. Nunca se esqueçam de fechar os círculos por causa disto! Aliás, círculos mágicos são, no fundo, apenas manipulação de energia. Círculos de proteção são bolhas de energia. Portanto, até para fazerem um círculo precisam de aprender a sentir e manipular energia. A forma como me ensinaram a sentir energia é que nós mandamos a nossa energia para fora de nós, como se fôssemos um réptil a sentir o mundo. Portanto, para sentir a energia de um cristal direcionem a energia para as vossas mãos e sintam. Com o passar do tempo tudo isto se torna automático, mas no início têm de praticar.

3. Fazer tudo com intenção é a chave para o sucesso 

    Porque é que dizem para usar x ingrediente em x feitiço? Investiguem sobre isso. Porque é que não se deve apagar velas com o sopro ou porque é que a direção em que fazemos as coisas, seja do ponteiro dos relógios ou não, importa? Porque é que se deve untar as velas de baixo para cima se banir e de cima para baixo se querem atrair algo? O que são taglocks? Porquê programar cada um dos itens e porquê mexer as intenções nos feitiços? Quais são os diferentes tipos de magia de velas? Porque é que os famosos frasquinhos do tiktok não são a forma mais indicada de manifestar algo? Bem, a resposta à última pergunta posso dar eu: pois frascos servem para conter energia, não para a soltar para o universo. Posso levar um frasco comigo para trazer proteção, mas isso não quer dizer que tenha trazido proteção para o meu espaço, pois eu não libertei essa energia. É por isso que os frascos eram usados historicamente para conter feitiços ou como poppets nossos, como witches bottles, estas que absorvem a energia negativa lançada para nós. Resumidamente: saibam o porquê de fazer as coisas dessa forma, estudem o tipo de magia mais adequado para a vossa intenção.

    4. Usem o que está ao vosso redor. 

    Vocês não precisam de raiz de mandrágora para ter sucesso em feitiços. Itens que uso na minha magia que encontro cá por casa: sal, café, canela, cebola, alho, azeite, alecrim, pimenta, cinzas, cascas de ovo, louro, cravo-da-índia, manjericão, laranja, limão, entre muitos outros itens. Temos de acabar com o materialismo na comunidade, está a ir longe demais! Vocês não precisam de um cristal raro que vos promete milagres, precisam sim é de estudo, prática e disciplina. Toda a gente tem uma curva de aprendizagem diferente. Antes de começarem a comprar mil itens que nem sabem se vão usar, utilizem o que têm por casa. Utilizem também como correspondência as cores, os dias da semana, a fase da lua, até as horas planetárias. Vocês podem explorar a vossa magia para tantos lados. Não se limitem, explorem e experimentem. 

5. Programar os itens

    Se estão a usar ervas ou cristais, cada um desses deve passar pelas vossas mãos e devem programar os itens para a sua intenção em específico, pois uma erva tem várias associações. Não é só despejar os ingredientes para um frasco, sem intenção não é um feitiço! 

6. Todos os passos de fazer magia são importantes

    Feitiços precisam de preparação e também de cuidados após os acabarem. Se fizeram um feitiço de banimento, livrem-se dos restos do ritual longe de casa. Se querem atrair prosperidade, guardem os restos de ritual perto de vocês. A magia pede intenção a cada passo. Fico também com a ideia de escrever um post sobre como lidar com restos de rituais de melhor forma. 

Conclusão 

Estas foram só algumas dicas para tornarem a vossa magia mais rica e com mais intenção. Se têm negligenciado o estudo e a prática, este é o sinal para investigarem tudo aquilo que referi. Espero que alguma destas dicas tenha sido útil!

Petições e Name Papers

    Petições são usadas em diversas tradições, agora bem famosas com pessoas que manifestam. Estes papéis podem ser usados de diversas formas, dentro as quais: name papers, papeis que identificam os alvos dos trabalhos como uma taglock; afirmações; descrição da intenção que queres manifestar, podem até ser quase uma carta ao universo. Esta prática pode ser usada para manifestação ou incluída em feitiços!

    Estes papeis podem ser adicionados em sacos ou frascos, podem ser postos em altares, queimados, enterrados ou até postos de baixo da almofada. Tudo vai depender da intenção! Queres banir algo? Então queimar ou desfazer em água é uma boa ideia. Queres atrair ou manifestar amor? Manter a petição de baixo da almofada ou do colchão poderá ser uma boa ideia. 

    Como fazer petições com sucesso? O segredo está nos detalhes. Mas usem aquilo que vocês têm à mão. Eu já tive sucesso escrevendo em folhas de louro com uma caneca bic e queimando-as. Estas dicas são para adicionar camadas de intenção nos feitiços, muito importantes para a visualização. Isto ajuda a se concentrarem na vossa realidade desejada. São só sugestões, não são regras. Como já disse, um lápis e um pedaço de saco de papel servem perfeitamente. Se não têm nada que não uma caneta bic, então usem as outras dicas que eu dei.

Uma sugestão de como escrever um petition paper com bastante sucesso - instruções:

    Em primeiro lugar, escolham o vosso papel e material de escrita que vão usar. Pensem se querem desenhar com óleo algum sigilo ou assim. Peguem no papel e virem para vocês. Vão escrever a vossa intenção três vezes, sempre no presente. Se querem manifestar algo, têm de visualizar isso a acontecer. No futuro hei de escrever uma publicação sobre as bases da manifestação. Portanto, algumas ideias para afirmações (há imensas na internet): Eu tenho charme e atraio amor OU Eu atraio dinheiro, tenho sucesso no meu trabalho e recebo um aumento. Coisas deste género. Escrevam essa frase três vezes. Depois, virem o papel para a direita, no sentido dos ponteiros do relógio. Porquê? Pois querem atrair algo e esse é o sentido que se usa para atrair. Após virarem o papel, escrevam por cima três vezes de novo a mesma afirmação. Depois, voltem a virar o papel para a direita e escrevam de novo três vezes a afirmação. Três vezes, três vezes. Podem usar a numerologia que quiserem, isto é só uma sugestão. Até há numerologia mais adequadas a prosperidade, amor, etc. 

PS: vejam fonte #1 e 2# pois inclui um vídeo que demonstra como escrever petições da forma que sugeri!

a minha péssima representação de como fazer este processo (feito no paint) 


    Sim, é suposto escreverem por cima! Depois, após terem o papel como está na última imagem, dobrem o papel em direção a vocês mesmos. Neste passo, há quem vire a terceira vez, outros não e após escreverem pela terceira vez dobram logo. Tanto faz. Ou seja, peguem na parte mais afastada e dobrem para vocês. Isto é porque querem atrair algo e não banir! Virem o papel para a direita, dobrem de novo em direção a vocês. Voltem a virar para a direita, voltem a dobrar. Fizeram isso três vezes! Para isto resultar, têm de usar um pedaço de papel minimamente grande, quase uma folha normal de papel. Depois, se quiserem assinem o vosso nome três vezes ou usem algum sigilo ou runa. Não precisam de usar a mesma numerologia que eu, podem usar outros números. Se quiserem dobrar mais vezes, virar mais vezes, escrever mais vezes a frase, tudo bem. Se só quiserem escrever uma afirmação também está tudo bem. 

    Eu costumo utilizar este método para uma manifestação com afirmações. Em name papers, só precisam de escrever o nome da pessoa, data de nascimento ou visualizar a pessoa. Quanto mais informação, melhor. No caso de escrever uma manifestação muito longa com detalhes, utilizem outras correspondências, como a cor da tinta.

 Detalhes nas petições:

  • Cor da tinta ou tintas mágicas (como tinta de resina de sangue de dragão, por exemplo)
    Neste caso, a intenção importa. Escrever uma petição com tinta dourada, prateada, amarela ou verde para atrair prosperidade, ou usar uma caneta vermelha ou cor-de-rosa para atrair amor. Pensem em tudo até ao último detalhe. Queres banir algo? Então escrever a lápis invés de tinta permanente poderá ser útil. Se não, podem queimar. 
  • Cor do papel e arestas do papel
    Se queres algo mais suave na manifestação, porque não tornar as pontas redondas, em vez de terem pontas tão bicudas? Há pessoas que rasgam o papel em todos os lados para não ser algo tão agressivo, pois podes querer manifestar harmonia. E o tipo de papel também pode importar, queres algo mais permanente ou temporário? Queres te desfazer de algo? 
  • Numerologia
    Em petições com afirmações, porque não repetir a mesma frase várias vezes? Ou o número de vezes que dobram o papel? Ou umas pingas de óleo. Pensem nos detalhes de numerologia.
  • Símbolos!
    Usar sigilos, runas, símbolos de dinheiro como do euro ou dollar, entre outros.
  • Óleos, pós, cristais
    Podem deixar a petição com um cristal que corresponda à intenção e guardá-los juntos ou podem utilizar um óleo ou pós para desenhar sigilos. Sejam originais.
  • Escolham bem os nomes
    Deadnames não servem, não importa o que está no papel mas sim o nome com que uma pessoa se identifica. 
  • Palavras importam
    Tenham cuidado com as palavras que usam. Não escrevam coisas no negativo (como: eu não sou pobre) e escrevam sempre no presente como se aquilo que querem manifestar já estivesse a acontecer. 

    Atenção que nem toda a gente manifesta de forma igual. Há dezenas de técnicas. Eu costumo utilizar técnicas em concordância com as fases da lua, mas também uso outras que hei de descrever. Em muitos feitiços também faço petições e deixo de baixo do recipiente onde está a vela (não em contacto com a vela) e depois guardo-as no meu caldeirão. Há pessoas que rasgam também em direção a eles mesmos ou o oposto. Tudo aquilo que fazem à vossa petição pode ter intenção. usem a vossa imaginação. 

    Isto são só ideias para tornar a vossa prática mais detalhada. Se costumam escrever em cadernos e tudo mais, não precisam de usar papeis soltos. Mas investiguem sobre name papers e petition papers, há muita informação online! Apenas quis partilhar algumas dicas que aprendi e a forma como costumo fazer as minhas petições. Espero que este post seja útil para alguém.


FONTES: 

1- Este vídeo aos 14:55 exemplifica a forma como escrevo petições, poderá ser mais fácil de entender do que com o meu desenho mal feito! O método não é exatamente o mesmo, pois as pessoas escrevem petições de forma diferente. 

2- Um vídeo bom sobre petições.

3- Mais um vídeo

4- Último vídeo

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Familiars e a confusão sobre eles

Este texto não vai aprofundar os familiares na idade média/moderna europeia, mas sim clarificar a confusão acerca dos mesmos na comunidade! Vou deixar fontes sobre este assunto, pois infelizmente poucas pessoas acreditam em mim quando digo isto...primeiramente, começo o texto para dizer: o vosso animal de estimação não é um familiar. Até a Wikipédia é capaz de fazer a distinção: a espiritualidade new age, neopagã, wiccana, entre outras, utilizou o conceito de familiars para significar algo totalmente diferente. 

Os familiars são entidades descritas há bastante tempo como ferramentas de um praticante, não um animal de estimação que vocês amam e consideram parte da família! Aliás, a Wikipédia tem bastante informação acerca de como funcionava os familiares na idade moderna europeia. A ideia de familiar era muito vaga, eles mudavam de forma e até podiam ter forma humana! É só preciso fazer uma pesquisa mínima. O vosso gato faz isso? Não! Um familiar é um espírito, uma entidade. Aliás, a associação destas entidades a praticantes tem origem pelo menos na idade média. Resumidamente, um familiar é uma entidade que faz um pacto com um praticante e que o auxilia na magia. Eu duvido que muitos praticantes tenham interesse em pactos com espíritos nos dias de hoje, mas para quem tiver: consegue-se encontrar muita informação sobre isso online! 

Já vi praticantes a obrigar animais de estimação a fazer "treino" no plano astral. Vocês não querem que o vosso gato seja o vosso familiar, pois quando isso acontecer será o primeiro a levar os golpes psíquicos. Basicamente podem ser usados como escudos, eles fazem aquilo que o praticante manda. Não existe livre arbítrio. São ferramentas. O que pode acontecer é o vosso animal falecer e em espírito quiser vos auxiliar na magia e voltar. Isso é diferente do vosso gato olhar para o altar. Todos os animais são curiosos. Mas não tenham muita esperança disso, a maior parte dos espíritos animais segue em frente com muita facilidade. Não há nada que os prenda cá. No entanto, já li descrições de um espírito de um animal de estimação voltar e se voluntariar para ter este pacto, ou pelo menos voltar e ficar por uns tempos a tomar conta do dono. Pode acontecer, mas hoje em dia na comunidade é mal visto tentar "forçar" estas entidades a alguma coisa. Na bruxaria de antigamente não havia ideias demarcadas sobre sermos bonzinhos para os espíritos, então elas entidades eram um pau-mandado, basicamente.

Na tradição, supostamente era o "diabo" que dava os familiares aos praticantes e eram vistos como entidades que os praticantes mandavam fazer o que eles queriam. Houve a associação com rãs, cães,  lebres e os famosos gatos pretos! Sei que também há alguma associação no folclore com fae e outros espíritos da natureza, mas há menos fontes sobre o assunto. Sei que os livros da Morgan Daimler mencionam fae familiares! Muitos textos vão dizer que familiars eram guias enviados para ajudar os praticantes, mas as descrições que temos é que não era algo assim tão bonito. Eles eram usados pelos praticantes. Já ouvi descrições de que realmente existem animais de estimação que agem como protetores, mas isso surge da sua vontade, e não por forçarem, e não são familiares por causa disso, ou pelo menos não encaixam na descrição. Isto e consequências do que séries como Sabrina trouxeram à ideia popular de uma bruxa com um gato preto, bebendo do antigo folclore, mas os praticantes modernos levaram séries de fantasia muito a sério. O medo de familiares era tão grande que chegaram a matar imensos gatos pretos, o que levou a uma peste de ratos, e depois veio a peste negra e sabem o resto da história... 

O termo familiar não se pode aplicar a um gato que vocês encontraram na rua e gostam muito. É algo mais complexo do que isso! É suposto vos ajudar no plano astral e eram associados tanto a demónios como a fadas, mas era sempre algum espírito, não um bicho que existe fisicamente. Estes espíritos adotavam a forma de animais, o que é diferente. Todas as fontes que deixei abaixo também sugerem que nenhuma pessoa quer que o animal de estimação seja um familiar, pois isso é um escudo. Por favor, deixem de achar que os animais que existem neste mundo estão aqui para nos servir. Nem todos os bichos são sinais dos deuses ou um objecto que vocês podem usar. Familiares são parte de magia complexa! E antiga! E que de certo o vosso gato preto chamado Salem não é o vosso familiar...pois não tem o contrato com vocês, não é um demónio que incorpora um gato, nem vos ajuda no plano astral, nada disso...

Para além de Sabrina, há mais algum culpado nisto tudo? Sim! Na comunidade new age existiu uma grande apropriação de cultura nativa americana. Muitos praticantes começaram a procurar os seus "spirit animals" ou "totems" sem saberem o que realmente são...e há uma grande mistura disto com familiars. Não apropriem cultura índigena, vocês não têm totems nem spirit animals, ok? 

Já ouvi falar bastante bem do livro Cunning Folk and Familiar Spirits que estuda as confissões para a Inquisição de praticantes e também o folclore popular que rodeava estas entidades, caso queiram ler um livro académico sobre o assunto. 

 Se alguém quiser tirar os pontos-chave deste texto, então são os seguintes:

  • o vosso animal de estimação (pet) não é o vosso familiar 
  • um familiar é um espírito que um PRATICANTE DE BRUXARIA faz um pacto
  • spirit animals e totems não são familiars, não usem esse termo
Fontes:

https://medium.com/@EquanimousRex/are-pets-familiars-1e50b8c4748b
https://slavicpolytheist.wordpress.com/2017/06/24/familiar-spirit-vs-pet/
https://traditionalwitchcraft.wordpress.com/2019/01/31/no-your-pet-is-not-your-familiar/
https://eclecticwitchcraft.com/pets-not-witch-familiar/

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Egg Cleansing

     Oomancy (tem muitas formas diferentes de escrever) é a divinação com ovos. Este artigo vai se focar no ritual em específico de limpeza com ovos, no entanto falarei um pouco sobre o mau olhado e amuletos para o mesmo. A origem deste ritual é incerta. Na Europa esta forma de divinação é comum na tradição de benedicaria, combinação de magia folclórica e catolicismo praticado no sul de Itália e Sicília (diferente de stregheria). Nesta tradição, os ovos são usados para cura e para contra malocchio. Curas com ovos são encontradas na Ásia e África, e também na cultura nativa americana e no mediterrâneo. O simbolismo dos ovos é complexo, pois significam novas bênçãos, visto que é o início de uma nova vida, porém tanto representa crescimento, promessa ou uma vida nova, entre outros significados. Em curanderismo esfrega-se um ramo de alecrim ou arruda no corpo da pessoa antes de ou depois fazer o ritual do ovo (limpia de los huevos), outras vezes limões também. O ovo significa a alma da pessoa nestas tradições. Estes rituais são comuns em todo o mundo, especialmente em tradições africanas e latinas. Também existem tradições que fazem magia negativa com ovos.

"Um dos exemplos mais notáveis foi o filósofo grego Plutarco, que sugeriu uma explicação científica: que o olho humano tinha o poder de liberar raios invisíveis de energia, em alguns casos suficientemente potentes para matar crianças ou pequenos animais. Plutarco também afirmou que certas pessoas possuíam uma habilidade ainda mais forte de fascinação, citando habitantes do sul do Mar Negro como capazes de lançar a maldição. / E dizia-se que, na maioria das vezes, as pessoas com esse poder seriam as de olhos azuis, provavelmente porque essa é uma característica genética rara naquela área do Mediterrâneo." - Fonte (artigo sobre o amuleto nazar)

    O ritual de egg cleansing pode ser feito para diagnosticar uma situação, ajudar no mau olhado ou verificar se a limpeza correu bem. A leitura diz imenso sobre a pessoa, por isso as pessoas evitam mostrar as suas leituras, no entanto encontram-se imensos exemplos de leituras e recomendo procurarem pois ver as imagens é mais fácil do que apenas ler sobre a prática. A água utilizada deve ser de nascente ou alguma forma de água purificada ou abençoada como água da lua, depende da tradição. Em algumas tradições os ovos devem de ser de uma galinha preta. O ovo é esfregado a começar no topo da pessoa. Se o ovo se partir no processo é um mau sinal. Se não existir algo de errado com a pessoa, o ovo deve afundar normalmente. Quanto tempo se deve esperar até fazer a leitura dependerá da tradição. Em certas tradições utiliza-se água quente e/ou sal na água, sendo o sal purificador, parte do processo de limpeza. A forma mais básica é de interpretar as formas que se formam na água, como se fosse visível uma cobra então seria sinal de perigo. Esta prática foi observa na Grécia, na Escócia e nos povos nórdicos. Há escritos de tradições em que se esfregava o ovo na barriga de uma mulher grávida para se adivinhar o sexo do bebé, quantos bebés seriam ou se a gravidez iria correr.

    Portanto, no mundo encontram-se duas grandes tradições de tirar o mau olhado: azeite e água ou limpeza com ovos. Há muito tempo que a história de divinação com ovos é associada ao mau olhado. Em algumas tradições acredita-se que esfregar o ovo no corpo da pessoa absorve as más energias e depois é interpretada a leitura. Em algumas tradições o ovo é deixado em altares ou de baixo da cama por um dia antes de ser lido. Também existe uma variante em que se ferve o ovo e lê-se a casca do mesmo. Também existem tradições na Ásia em que se atiram ovos para se interpretar as formas. Algumas tradições são contra por sal no copo antes de fazer a leitura.

    Este método limpa energia negativa e mau olhado, mas não magia negativa! Parte disto é experiência, a primeira vez poderá ser confusa para vocês pois a parte difícil é a interpretação. Existem diversas interpretações que mudam de tradição para tradição. Para além disso, o método também difere imenso. Sobre as origens, existem pessoas que dizem que é um ritual mesoamericano antigo, no entanto a prática também existe na europa. Acima de tudo, este método de limpeza não é uma moda. É necessário respeitar esta prática pois é muito antiga comum tanto ao médio oriente como à europa. É necessário ter atenção e fazer o ritual com cuidado e respeito pois é muito importante para diversas tradições. A crença do mau olhado é muito forte no médio oriente, europa (especialmente sul da europa e anatólia) e na américa latina. Nas filipinas também existe essa prática. Portanto, façam com respeito e pesquisem antes de andarem a enviar fotos das leituras às pessoas pois primeiramente as leituras pagam-se e segundo tenham cuidado a exporem-se dessa forma a pessoas que não conhecem!

    A crença do mau olhado e os seus amuletos é mediterrânica. As práticas são mais comuns no sul da europa, anatólia e médio oriente. A crença foi trazida pelos europeus para o continente americano. Tudo aponta para isso visto que o mesmo aconteceu nas filipinas. Não há explicação lógica para existir esta crença nas filipinas sem ser pelo colonialismo. Apesar disto, imensas pessoas querem fechar a prática, ou dizendo que certos amuletos são fechados ou que a crença é fechada de todo. Isto não corresponde à verdade. Tentar fechar práticas milenares é um desrespeito a práticas que são vítimas de imperialismo e colonialismo nos dias de hoje. Não vamos conseguir encontrar a origem de todas as práticas para as fecharmos. Em Aethiopica os gregos já descreviam a crença do mau olhado. Com um pouco conhecimento histórico entendemos a antiga ligação entre a Turquia e a Grécia. Isto explica a crença ter origem no sul da europa/anatólia e que se tenha espalhado.

    É possível, sim, ter leituras 100% limpas em que não se vê nada no copo e o ovo assenta no fundo. Isso quer dizer que está tudo bem. Tal como o processo de tirar mau olhado com água e azeite, é possível ir repetindo a prática até a leitura ficar mais limpa. No entanto, se a leitura indicar magia negativa e não apenas mau olhado, então serão necessários trabalhos mais profundos, como fazer uma limpeza ou corta-bruxaria. Se indicar mau olhado, repetir o processo várias vezes pois o ovo absorve energia negativa. Existem tradições que usam dois ovos invés de um. Há pessoas que deixam os ovos num espaço comum para absorver a negatividade desse local. Também é possível realizar este ritual em animais. Atenção: ver sempre a leitura de lado e nunca de cima.

Instruções: um ovo, copo, água, sal (opcional); limpar o copo com incenso; rolar o ovo pelo corpo começando pela cabeça para absorver a energia negativa, o processo pode ser repetido várias vezes até passar por todas as partes do corpo e o ovo pode ser rolado sobre si para todas as partes terem tocado na pessoa; partir o ovo dentro do copo de água e deixar assentar por um bocado; fazer a leitura.

O que fazer após a leitura? No final da leitura deitar sal no copo e descartar a leitura na sanita ou enterrar. Se o ovo mostrar trabalhos muito pesados é recomendável livrar-se dele numa encruzilhada e deitar imenso sal no copo antes disso. É melhor ser longe da vossa casa, o mais longe possível, pois a leitura absorve energia negativa.


Manual de Interpretação

  • Bolhas: os significados diferem imenso de tradição para tradição, no entanto o ideal é que nunca apareçam bolhas, portanto qualquer sinal é mau sinal!

o   No topo: geralmente significam mau olhado e que energia negativa te rodeia e pior se estiverem ligadas a agulhas, no entanto há tradições que apontam que as bolhas no topo significam que o mau olhado foi lidado por intervenção divina.

o   Uma só bolha no topo: alguém em particular está de olho em ti; é mesmo alguém em específico com más intenções, essa bolha estará no centro e no topo do copo e aponta que alguém tem inveja ou lança-te mau olhado, é como se fosse um olho que te observa.

o   Pequenas bolhas: mau olhado, outras tradições acreditam que quanto menor as bolhas tal significa que a energia foi absorvida por entidades protetores, e quanto maior a bolha pior.

o   O número de bolhas é o número de pessoas que têm más intenções e inveja.

o   Bolhas ligadas à teia/agulhas no topo: pessoas que têm inveja e que te estão a prender, é pior sinal relacionado a bolhas; mau olhado.

o   Bolhas muito perto da gema podem indicar espíritos que te protegem.

  • Agulhas:

o   Formas apontando para cima e na vertical e indicam bloqueios, inveja, más intenções, trabalhos negativos; alguém lançou mau olhado e não quer que tenhas sucesso; as agulhas significam a má intenção, se estiverem ligadas a bolhas é mau olhado; há quem conte o número de agulhas como pessoas que te desejam mal.

o   Há tradições que dizem que as agulhas estiverem abaixo da gema ou não se vão até ao topo apontando para baixo significa conflitos emocionais, dano que causas em ti mesmo, ressentimento.

  • Nebulosidade/água turva: magia negativa, intenções negativas, pessoas não genuínas na nossa vida, necessário fazer curas ou limpezas, isto se não aparecerem símbolos/formas; este género de negatividade é geralmente não intencional e não é a situação mais grave, a não ser que a totalidade da água esteja turva; se estiver só turvo perto da gema significa que estás rodeado de energia pesada e negativa de pessoas ao teu redor (como família ou amigos); há quem acredite que se a nebulosidade for muito escura, ou seja a leitura está muito turva e escura, então foi feito um trabalho para evitar que a pessoa tenha prosperidade.

  • Rede/Malha/Teias: as teias significam bloqueios, alguma coisa te está a prender, pode ser inveja mas existe energia que te bloqueia!

  • Gema:

o   se a gema flutuar (não for até ao fundo do copo): problema em desenvolvimento ou trabalhos negativos, é mau sinal pois estão a trabalhar sobre ti naquele momento.

o   se assentar no fundo do copo: bom sinal.

o   se a gema parecer menos crua que o normal, ou seja um pouco cozida, mais clara, significa magia negativa ou muito pesada sobre ti.

o   se alguma coisa estiver a “tapar” a gema ou algum manto encobrir a gema: alguém te está a provocar.

o   se a gema partir: trabalho negativo.

o   gema vermelha ou cinzenta: magia negativa.

o   se a gema rebentar e fizer uma “bola” de gema ao lado: alguém invejoso muito perto de ti.

o   pontos brancos na gema: energia negativa que foi retirada nesta leitura.

  • Sangue ou marcas escuras: trabalhos negativos sobre ti, magia negativa; se as marcas forem perto da gema pode significar doença; é dos piores sinais possíveis.

  • Lágrimas a escorrer no interior do copo: preocupações muito fortes, estás a passar por um momento difícil.

  • Formas que podem ser observadas na leitura:

o   Caveiras: o teu nome foi usado em magia ou risco de morte.

o   Olhos: no decorrer alguém te está a enviar mau olhado; alguém está de olho em ti pois tem inveja.

o   Formas geométricas: algo guardado dentro de ti que tens de desabafar ou males físicos; triângulos significam mentiras que tens estado a dizer; quadrados significam que precisas de esquecer o passado.

o   Auréolas: tomas decisões muito rápido, tens de abrandar.

o   Nuvens: problemas emocionais.

o   Silhuetas: espíritos rodeiam-te e querem te mandar uma mensagem.

o   Animais: especialmente perto da gema significa que o teu nome foi usado em magia negativa e o animal é uma pista para quem foi a pessoa ou para o tipo de magia usada; pode ser um símbolo do problema que te incomoda; os animais mais perigosos são pássaros; patas de animal significam riscos de saúde.

o   Caras: é possível observar a cara de quem fez um trabalho negativo, se a cara for muito magra é um homem e se for mais redonda é uma mulher; esta é a cara do teu inimigo.

o   Iniciais de nome: inicial do nome de quem fez trabalho negativo sobre ti.

o   Flores: energia negativa está a ir embora.

o   Formas em espiral e círculos: doença ou vida estancada/paralisada.

o   Coração: algo bom a caminho.

o   Algo que se assemelhe a terra: trabalho negativo feito numa campa.

o   Cruzes: foi feito um trabalho no passado que ainda não foi cortado por completo.

 

Síntese:

  • Procurar por formas, iniciais, caras, olhos, etc.
  • Piores sinais possíveis: formas de animais ou caras/pessoas; ovo flutuar; gema partir; sangue ou manchas negras; agulhas ou bolhas ligadas a agulhas; o ideal é a leitura estar limpa!
  • Bolhas no topo: mau olhado.
  • Agulhas: inveja e bloqueios.
  • Nebulosidade: energia negativa.
  • Muitas tradições acreditam que se as bolhas estão perto da gema, então estás protegido; se existirem bolhas no topo que não estão conectadas a nenhuma agulha, estás protegido; se as bolhas estiverem ligadas a agulhas, mau olhado; outras tradições acham que qualquer bolha é mau sinal, pois quer dizer que foste protegido de alguma coisa, portanto sofreste um ataque recente. O significado das bolhas é o mais difícil de descobrir pois existe muita informação conflituosa, mas de forma geral é mau sinal. 

Fontes:

  • Artigo mencionado acima 
  • Muitos outros artigos que já li anteriormente; um pdf sobre a tradição da benedicaria que está na minha drive; muitos vídeos em espanhol sobre a prática; talk shows chilenos, garanto que foi interessante de ver; artigos italianos e em castelhano sobre a prática; as práticas que me foram ensinadas.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Ouija / Spirit Boards

A ideia de comunicação com entidades revela sentimentos contraditórios em praticantes. Se por um lado o uso de pêndulos é recomendado, por outro os tabuleiros de ouija estão repletos de mitos. Já falei imenso sobre isto no meu twitter - "angel boards" são boas, mas "ouija boards" são más. Vamos então desmitificar este método de divinação? O mundo inteiro já ouviu falar de tabuleiros ouija e o quão perigosos eles podem ser, afinal há muitos mitos sobre isso. Vou matar a vossa curiosidade sobre se estes são um mito ou um simples jogo e o que realmente acontece num seancé para leigos.

O que é um tabuleiro de ouija?
Um tabuleiro de ouija não é mais do que uma simples "spirit board", um dos métodos de comunicação com entidades mais populares e existem diversos formatos e feitios. Este método em si requer que praticantes pousem as mãos sobre um ponteiro (planchette) que depois é conduzida pela entidade que se estão a tentar comunicar. Estes tabuleiros inserem-se numa categoria de ferramentas utilizadas por pessoas que se comunicam com entidades. O sucesso com este método varia de praticante para praticante, pois cada pessoa tem os seus métodos favoritos de comunicação com espíritos. Este não é o único! Não se preocupem se não resultar tão bem como outros. Tal como há quem prefira runas a baralhos de tarot, cada praticante tem as suas ferramentas. Portanto, tal significa que o tabuleiro de ouija não é mais do que uma ferramenta entre muitas. Então, isto pode ser perigoso ou não? Absolutamente! Pode ser perigoso.

Porquê as histórias de terror sobre ouija boards?
As duas principais razões são: 1) mitificação, as pessoas naturalmente adoram este tipo de histórias e têm medo de espíritos; 2) inexperiência. Sobre as histórias verdadeiras de más experiências, tal deve-se a pessoas ignorantes utilizam o tabuleiro (ou fazerem qualquer outro jogo associado a espíritos como o jogo do copo) sem terem o devido conhecimento e as devidas proteções. Séance são rituais, especialmente para quem ainda não desenvolveu dons. A origem destas práticas provém da época vitoriana!* Não se invoca aquilo que não se sabe banir. Sabes te livrar de algum espírito? Conheces alguém que consiga te desapegar de um espírito? Não? Então não o faças. Simples!
*A comunicação com espíritos/ancestrais/divindades é uma prática milenar e transcendente a todas as culturas. Aqui refiro-me à origem de "séances" ou sessões espíritas.

Quais são os perigos reais associados?
O primeiro perigo é realmente ficarem com uma entidade apegada a vocês mesmes ou à vossa casa. Pior é se for uma entidade negativa. Para além disso, se vocês não querem se expor à possibilidade de ficar assombrados não façam trabalho com espíritos (isto exclui utilizar métodos divinatórios para entrar em contacto com divindades, pois são práticas diferentes). Geralmente essas mudanças não ocorrem de um dia para o outro mas poderão constantemente serem atormentades com entidades pois começaram a trabalhar com as mesmas sem terem esse compromisso em mente. Isto vai de encontro com QUALQUER forma de comunicação com espíritos - pêndulos, varas de radiestesia, spirit boxes, etc. É algo a ter em consideração. 
O segundo grande perigo associado é a inexperiência de forma geral. Trabalho com espíritos é muito complexo e requer muito estudo. Vocês precisam de saber o básico de proteção e manipulação energética para criarem um espaço seguro. Se isso não acontecer, vocês estão a convidar qualquer entidade a se comunicar com vocês. Resultado? Não estão a barrar as entidades negativas. Daí existirem muitas experiências negativas com pessoas que utilizaram o tabuleiro sem terem qualquer proteção mínima. É mais fácil atrair entidades de frequência baixa. A inexperiência também leva ao facto das pessoas acreditarem em tudo o que as entidades dizem, pois não têm conhecimento de spirit work e não sabem que espíritos mentem. Isto leva a deixarem as entidades abusarem das pessoas e ficarem agarradas às mesmas. 

Mitos acerca do tabuleiro de ouija:
A possessão é possível? Pouco provável, se não que é impossível. Era preciso ter azar. Nunca vi uma história realista disso a acontecer. Demónios possuem pessoas e geralmente com autorização das mesmas. Espíritos humanos não possuem pessoas. Para não ficarem com obsessores / encostos recomendo terem atenção para não estarem vulneráveis enquanto fazem o ritual.
Todos os espíritos que falam através da ouija board são inferiores ou negativos. É possível encontros com espíritos inferiores, de frequência baixa, negativos ou até demónios. Se vocês estiverem a chamar qualquer entidade, então é mesmo qualquer entidade que possa estar nas redondezas (os demónios também têm os seus territórios, a casa pode estar assombrada, alguém presente tem um encosto...). 
Ouija boards são portais. Não, são bocados de madeira, papel, cartão. Os espíritos estão ao nosso redor, nós é que os chamamos. O tabuleiro não é um portal mais do que qualquer outra ferramenta de comunicação com espíritos. 
Existem demónios associados à ouija board (zozo, etc). Tudo aponta a serem mitos urbanos. Os espíritos gostam de assustar pessoas, logo provavelmente não significa nada. Se um espírito disser algo que não faz sentido pode dever-se a ser uma entidade fraca ou então está a gozar contigo. Se esses demónios realmente existissem, qual é a pancada deles com o tabuleiro? Por que razão se limitam ao mesmo?

Instruções: como usar; sinais de alerta
PS: isto não é a ensinar como fazer uma sessão espírita, podem perder a esperança nisso; não ensino tal coisa pois quem pode estar a ler é inexperiente. 
É necessário aprender proteção de vocês mesmos e do vosso espaço. Não consigo ensinar como utilizar de forma segura a não-praticantes, pois falta-vos imensas bases. Se querem um dia trabalhar seriamente com espíritos, investiguem as várias tradições com práticas de necromancia. Falem com praticantes, mediuns, etc. Eu só posso falar pela minha tradição. Se querem só matar a vossa curiosidade esperem conhecer algum praticante que tenha disponibilidade de fazer uma sessão com vocês. Estas minhas instruções servem de trouble shooting caso vocês alguma vez tenham tentado comunicar com alguma entidade de forma geral ou através de um tabuleiro.

Primeiramente aqueles básicos que qualquer praticante sabe: limpeza, proteção; tanto do espaço, de vocês mesmes, do tabuleiro, do ponteiro, todos os objectos relacionados. As proteções pessoais são importantes, o estabelecimento de um espaço seguro como um círculo mágico. Vocês não podem estar desprotegides espiritualmente nem podem deixar que energias negativas entrem no vosso espaço. Podem fazer a sessão fora de vossa casa, no exterior talvez, mas não façam num cemitério pois estão rodeados de imensas entidades e ficará confuso. Fazerem a sessão fora de casa pode baixar as chances de ficarem com algo agarrado, no entanto isso não vos salva de ficarem com algo agarrado a vocês. Se vocês fizeram a sessão num local com muita actividade paranormal, antes de voltarem a casa façam três paragens no caminho para evitarem que alguma entidade vos siga. Mas é melhor evitar do que remediar, pois isto não é um método infalível sem proteção. Se puderem trazer incenso de limpeza com vocês para utilizarem também depois da sessão ainda melhor. Isto é senso comum mas tentarem fazer uma sessão num sítio onde sabem que ocorreu uma morte brutal e violenta não é a coisa mais inteligente de se fazer. Há espíritos em todo o lado, por que raio querem se comunicar com alguém que não vão conseguir ajudar? 
Também recomendo não fazerem comunicação com espíritos sozinhes no início da vossa prática. E se vocês têm medo ou paranoia ou alguém do grupo sente isso, não participem. Essas pessoas são vulneráveis e vão atrair entidades inferiores que se alimentam desses sentimentos. Também jamais forcem alguém a participar contra a sua vontade. Não façam comunicação com entidades se: estão doentes, enfraquecides, tristes, sob o efeito de álcool ou drogas, tendo em vista que estas situações te tornam vulnerável a perigos. 
Têm de saber como abrir uma sessão espírita e chamar entidades positivas e pedir que se comuniquem. 

Alertas durante a sessão (alguns de acordo com mitos urbanos - mais vale prevenir do que remediar - e coisas realmente factuais)
  • Nunca permitir que o ponteiro vá para as extremidades do tabuleiro de forma que possa sair/cair do mesmo. O mito urbano diz que pode ocorrer possessão, algo que eu duvido pois não acho que as entidades "escapem" do tabuleiro pois elas não estão realmente no tabuleiro, mas pronto. O tabuleiro não é um portal.
  • Similar, se o ponteiro se mover para os quatro cantos do tabuleiro pode indicar que têm uma entidade engativa ou instável com vocês. Outros mito urbanos incluem: se o ponteiro apontar o número oito repetidamente, um mau espírito está a controlar o tabuleiro; os famosos espíritos maus do tabuleiro são zozo e mana; se o ponteiro começar a contar de forma decrescente as letras do abecedário ou os números quer dizer que o espírito está a tentar sair do tabuleiro; não deixar cair ou voar o ponteiro; jamais deixar que alguém retire as mãos do ponteiro durante a sessão, têm de estar todos a tocar até a sessão acabar, e se alguém precisar de se ausentar sem a sessão acabar podem "subsistuir" com outra pessoa que fica no lugar dela. 
  • Factualmente, se alguém se sentir mal durante a sessão parem imediatamente. Digam adeus e fechem a sessão. Se o vosso sentido de passagem do tempo estiver alterado, parem. É por isso que alguém deve estar a ver e a alertar estas coisas, sendo também útil alguém que vá apontando o que a entidade está a dizer. 

Finalizar a sessão
Isto é das partes mais importantes para não sofrerem consequências após a sessão - despeçam-se sempre das entidades. A entidade também deve se despedir de vocês, idealmente. O ponteiro deve ir até ao adeus. Digam sempre adeus às entidades, o tabuleiro deve ser fechado correctamente após a sessão. Antes de entrar na sessão e antes de sair é preciso pedir permissão, desejar a continuação de bom descanso, informar que a sessão chegou ao fim, e ao longo da sessão é importante verificar se a entidade gosta de falar com vocês ou se deseja encerrar a sessão. 

- Trabalho com espíritos e entidades: métodos, precauções

Sobre precauções gerais com espíritos, estes vão mentir. Isto é o que qualquer pessoa com experiência vos irá dizer. Se vocês não conseguem sentir espíritos, ouvi-los, etc. e perguntarem “és a minha falecida avó?” garanto-vos que um espírito “trickster” (ou pior, malévolo) irá dizer que sim. Não assumam coisas. Façam as perguntas. Se alguma entidade disser que é da vossa família, façam perguntas de despiste. Os espíritos contactados através do tabuleiro, especialmente se a sessão não for feita correctamente, tentarão ganhar a tua confiança através de mentiras. Por exemplo, um mau espírito irá obviamente alegar que é bom. Nunca confiar no que as entidades dizem.

É muito importante manter o contacto sempre de forma respeitosa e só convidar para a sessão pessoas de confiança, seguras e que o farão seriamente. Pessoas que fazem piadas ou gozam vão irritar a entidade não são boas companheiras. Mais vale não fazerem a sessão se não têm ninguém de confiança para fazer com vocês. Sessões sozinhes é mais avançado, não utilizem o tabuleiro sem um mínimo de duas pessoas.. Reforço também para não forçarem pessoas a utilizarem o tabuleiro contra a sua vontade, quem não quer participar fica a ver. Até é importante terem alguém que fique a ver pois é bem complicado ler o que está a ser soletrado. A pessoa que fica a ver pode apontar as letras para poderem formar uma frase.

Outras dicas:

  • Não façam perguntas com ironia. Não tentem “alertar” a entidade de que está morta. Maus espíritos também poderão fazer piadas obscenas. Jamais se riam ou se irritem. Encerrem a sessão.
  • Também evitem perguntar coisas relacionadas ao futuro ou perguntas filosóficas. Vocês não têm experiência para isso. Não perguntem se Deus existe, etc. 
  • Nunca insultem um espírito. Terem um espírito chateado apegado a vocês é bem chato, aviso já.
  • O grande aviso é que necromancia (divinação com espíritos) NÃO É trabalho de iniciantes.
  • Apenas uma pessoa deve de falar com o espírito – é o porta-voz. Nunca retirem as mãos do ponteiro. 
  • Primeiro têm de se despedir do espirito antes de encerrar a sessão. É muito importante despedirem-se das entidades após uma sessão espírita.
  • Se tens um tabuleiro que te assustou, pára de usar e guarda-o simplesmente. Nunca deixar o ponteiro sozinho sobre o tabuleiro se não o estiveres a utilizar. Guarda o ponteiro separado do tabuleiro.
  • O mito urbano diz que POSSUIR um tabuleiro de ouija é um compromisso para a vida. Tabuleiros de ouija que são deitados fora incorrectamente libertam diversos espíritos que poderão assombrar o dono, especialmente se vocês não limpam o vosso tabuleiro. Dizem que a forma correcta é dito que devem de partir o tabuleiro em sete bocados e enterrar em sete locais diferentes. No entanto, as tradições variam. Muitas pessoas dizem que não é realmente possível te livrares do tabuleiro. Não vos consigo confirmar se é verdade, nunca me tentem livrar do meu.

Últimos avisos:

1- Não façam do uso de qualquer forma de comunicação com espíritos um vício. Se vocês se sentem sozinhes, estão a passar por luto, etc não o façam.

2 - Último aviso é que trabalho com espíritos não é um jogo!


sábado, 2 de janeiro de 2021

Etiqueta de cemitérios

 Num post anterior Bruxaria e a Morte escrevi sobre a relação entre estes dois assuntos mas esse texto era mesmo muito longo. Pelo meio desse texto toquei na etiqueta de cemitérios, mas decidi fazer um post mais aprofundado sobre a mesma. Se tiverem interesse em trabalhar com espíritos e gostarem de saber algumas formas de o fazer, tal como trabalhar nos cemitérios recomendo esse texto. Se vocês tiverem zero experiência com espíritos não recomendo tentarem avançar para trabalho com os mesmos, mas se já estiverem com algumas leituras e quiserem saber pequenas dicas, superstições e crenças populares, bem tentei aglomerar algumas dicas. Se pretendem seguir uma etiqueta espiritual numa ocasional visita a um cemitério ou simplesmente algum censo comum, espero conseguir ajudar com algumas coisas que me foram ditas e outras que vejo serem passadas pela comunidade.

  • Existe a crença de que são vários os espíritos importantes nos cemitérios mas no que consta esses mesmos espíritos é algo variado. Fala-se no guardião do cemitério que podem ser entidades que guardam os portões do mesmo (e todos os espíritos e o espaço) ou então o espírito mais velho do cemitério (ou os dois casos misturados). Por conta disto há quem deixe oferendas na entrada do cemitério para os guardiões ou pedem autorização ao espírito mais antigo para retirar algo da propriedade como terra do território do cemitério (diferente de terra de campas, algo que eu explico no texto que tenho referido - recomendo a leitura para interessados). 
  • Os guardiões do cemitério costumam gostar de moedas ou bebidas alcoólicas (libações, por exemplo). Outras oferendas comuns são pequenas ervinhas como alfazema. A comida não costuma ser muito apreciada pelos trabalhadores dos cemitérios, logo não recomendo, pois o cemitério não é uma floresta mas sim um espaço que tem manutenção e muitos visitantes. A etiqueta comum é deixar moedas nos portões do cemitério e cumprimentar estas entidades. Se as moedas forem de prata ainda melhor, mas basta algumas moedinhas como pagamento. Muitas pessoas tentam se familiarizar com estes espíritos e criar uma ligação, como explico no post que referi sobre trabalho com a morte e espíritos em geral.
  • Recomendo não retirar absolutamente nada de um cemitério sem pensar duas vezes. Algo que jamais se deve retirar de lá são oferendas de famílias de defuntos. Podem parecer apenas pedras mas vocês não sabem se não serão uma oferta de alguém que conhecia a pessoa. Não retirem nada de campas de defuntos! Pensem que vocês deixavam algo com grande valor sentimental na campa de alguém querido e alguém roubava, como se iriam sentir? 
  • Peçam permissão aos espíritos para fazer alguma coisa que planeiam fazer. Falem com os mesmos. Pensem no local em que estão e que se fazer o que pretendem fazer pode ser ofensivo ou pode não ser o momento ideal para as entidades. As coisas nem sempre são como e quando nós queremos, é preciso trabalhar para elas. Entidades também têm as suas vontades, daí pedirmos permissão e consentimento. 
  • Sair de um cemitério com um encosto ou a ofender entidades não é uma experiência divertida. Retirar terra de campas é um processo mais longo e requer uma conexão com a entidade em específico e também não deve ser de uma sepultura qualquer. Não façam se são iniciantes, podem pedir serviços a praticantes mais experientes para casos destes. Não recomendo comprarem essa terra se for de uma grande superfície como uma loja esotérica que vem com a terra já embalada, peçam mesmo a um praticante. Geralmente nas lojas vende-se terra de cemitério apenas, mas se virem terra de campa jamais comprem, não parece ser muito inteligente pois vocês nem sabem de que campa poderá ser (ou se é mesmo real). 
  • Algumas pessoas cobrem a cabeça (veiling) como forma de proteção espiritual. Sobre roupa é recomendado algo mais simples e há a crença de não usar roupa nova quando se vai a cemitérios. Há praticantes que consideram a cor branca e/ou a cor preta de proteção. Escolham o que acharem melhor, mas recomendo roupa minimamente apropriada. 
  • Tirar fotos a campas não costuma ser problema e nem ao cemitério em si, mas não tirem fotos a funerais ou a pessoas em luto pois acham "estético". Nada de selfies ou selfie sticks. Não pousem em cima de campas, isso é muito desrespeitador.
  • Frisar: Não interrompam funerais também; Não interrompam o luto das pessoas nos cemitérios. Cuidado com conversas com pessoas estranhas pois muitas pessoas que lá vão não estão para conversas. Podem estar de luto, não a passear. 
  • Não façam coisas indecentes como barulho, pôr música, uma festa, seja o que for. Podem fazer atividades com respeito tais como ler um livro, passear, tudo mais. No entanto o que é aceitável muda de cultura para cultura, pois há países em que os cemitérios parecem quase parques e têm estradas onde passam carros. 
  • Podem existir sinais que indicam as regras do cemitério. Sigam essas regras. Tenham em atenção as horas de fecho do cemitério pois muitos fecham bastante cedo. 
  • Cada cemitério que visitam é uma parte da história bastante real pois quem está lá a descansar são pessoas reais com família. Pensem bastante nisso. Tratem cada cemitério como um local de descanso. Profanação é muito mal vista aos olhos de bastantes religiões. Recomendo sensibilidade cultural em cemitérios especialmente se forem visitar cemitérios em outros países. Também recomendo manterem o mesmo respeito caso seja a campa de alguém famoso que está sepultado ou alguma pessoa estranha e até um familiar. Todas as pessoas merecem o mesmo nível de respeito. Em diversos países a cultura em volta de cemitérios é diferente também. 
  • Se virem alguma campa muito mal cuidada com ossadas expostas e tudo mais não tentem simplesmente "resolver isso" e consertá-la.  Podem arranjar flores caídas, atender às campas, mas sejam cuidadosos se pegarem em pedras pois podem se magoar ou partir ainda mais. A manutenção de cemitérios requer cuidado pois as pedras podem já estar fragilizadas e os cuidadores do cemitério podem achar que estão a vandalizar. Não mexam em ossadas, não entrem dentro de jazigos que estão abertos devido a degradação, nada disso.
  • Não sujem o cemitério e isso inclui tentarem fazer rituais lá e deixarem lá restos e tudo mais. Não façam isso. Retirem lixo e deixem o terreno limpo mas não confundam lixo com oferendas. Nem toda a Arte requer itens sequer.
  • Jamais pisem campas de alguém, nem se sentem lá, não tirem fotos em cima de campas, não passem por cima de campas. Tenham cuidado a passar em locais de relva pois pode estar alguém a descansar lá de baixo. Se isso acontecer peçam desculpa.
  • No assunto de não tirarem fotos em cima das campas, além de ser horrível também é perigoso pois muitas pedras são mesmo antigas e podem danificar a campa, magoarem-se, entre muitas coisas erradas que podem acontecer se se puserem em cima de campas. Não façam isso. A pior coisa sobre se encostarem em alguma campa é acabarem por partir a mesma. Imaginem o quão horrível isto seria. Por favor nem tentem. 
  • Muitas pessoas creem que não se deve assobiar em cemitérios.
  • Agradeçam aos espíritos (incluindo os guardiões). Despedirem-se também ajuda para não ficarem com alguma entidade a seguir-vos até casa. Isto é um pouco básico de trabalho com espíritos mas digam sempre adeus e desejem a continuação de bom descanso.
  • Recomenda-se no caminho de volta a casa fazerem diversas paragens para confundir alguma entidade que vos estejam a seguir, isto especialmente se estiveram a trabalhar com entidades ou se por acaso foram desprotegidos a um cemitério (ou se estão fragilizados de alguma forma). Podem também fazer algum banho de limpeza quando chegarem a casa.
  • Não incomodem o descanso dos defuntos em vão. Devem ter um motivo, os espíritos não são brinquedos.
  • Sobre ingredientes e diferentes trabalhos que podem ser realizados em cemitérios recomendo lerem o meu post. Existem praticantes que são desrespeitosos em cemitérios sim! Houve casos de praticantes roubarem ossadas de cemitérios, jamais façam isto! 

  Há que frisar que devem saber também qual é a cultura daquele cemitério ou se possui divisões para diferentes culturas pois isso vai alterar imenso aquilo que é aceite se fazer lá tanto por respeito ao descanso dos defuntos como também à família das pessoas que lá estão sepultadas. Devem sempre respeitar os desejos dos mortos se creem em entidades. Seria contraditório acreditar na vida para além da morte, na alma, o que quiserem chamar, no entanto não achar que as pessoas têm vontades na outra vida. Tenham isto em consideração quando lidarem com espíritos em particular (como falo naquele post que referi) e tentem aprender sobre essas pessoas, a sua história, a religião ou cultura a que pertencem, e também tendo em consideração a época em que viveram. Eu acredito que as pessoas na outra vida ganham alguma iluminação espiritual, especialmente ancestrais, mas nem todos os espíritos são bons e têm de ter isso em consideração! Mais uma vez, trabalho com espíritos 101 básico mas reforço para não serem ingénuos. Uma dica é não se apresentar a entidades como praticantes de bruxaria, fica um conselho ("Olá Espírito, sou bruxa, queres falar?"). Apresentem-se com quem vocês são e só deem explicações se já tiverem alguma ligação com as entidades e tenham cuidado com as palavras. A forma de falar com entidades é importante, devem apenas chamar aquelas que pretendem se comunicar (como aquelas que são do bem, se for esse o caso) e também esclareçam que têm boas intenções, pois isso é muito importante. Além disso cada entidade é diferente. Um à parte, cemitérios não são um local "fixe", poderão assistir a cenas muito duras como o luto de pessoas que acabaram de perder uma criança. Tenham respeito pois um cemitério é um lugar pacífico, de luto, de culto e de descanso. 

PS: algumas destas práticas que descrevi entram em "superstições"; vocês não são obrigados a seguir as coisas como eu vos disse, apenas transmiti informação, pois cada praticante é diferente e vocês podem não acreditar nas mesmas coisas (como no caso dos guardiões dos cemitérios e tudo mais).