domingo, 12 de abril de 2020

Breve introdução à bruxaria

Este texto faz parte da minha série de introdução a vários temas. No nome está "breve" pois é isso mesmo: é o básico dos conceitos e da história para aqueles que não fazem ideia do que são práticas de bruxaria fora do contexto de fantasia! Este texto estará dividido em pequenas partes para facilitar a compreensão.

Aviso que não consigo falar por todas as tradições e, sendo uma introdução, não vou falar das minhas práticas, no entanto estas influenciam o texto pois sou uma bruxa neo-pagã. Considero, e espero mesmo, que seja um texto útil para iniciantes e pessoas curiosas. Respeitarei ao máximo todas as tradições, culturas, espiritualidades e religiões associadas e que irei mencionar, portanto peço que façam o mesmo. Não aceito comentários intolerantes, racistas, discriminatórios, entre outros. Para além disso, não consigo tocar em tudo o que envolve práticas de bruxaria, pois existem imensos conceitos: altares, livros das sombras, espiritualidade, ferramentas, entre outros.

PS: também poderei ter alguns termos que não sei bem traduzir

Conceito

A bruxaria é um conjunto de práticas difícil de definir. Podendo, portanto, envolver manipulação da realidade, manifestação de intenção, divinação, entre outros. No fundo, a bruxaria é a prática da magia e muitos dos seus aspectos estão intercalados com filosofia e religião, mas não há nenhuma restrição. Sendo uma prática, a bruxaria não tem, portanto, religião ou cultura associada de forma intrínseca. E, mais uma vez, sendo uma prática, qualquer pessoa pode praticar aspectos de bruxaria e magia, sendo comum a várias culturas, tradições e religiões. Em suma, não existe um único caminho para a bruxaria. A magia é a prática de manipular energias. No entanto, nem todas as práticas mágicas são consideradas bruxaria. A bruxaria pode ser considerada um sistema por si ou um estilo de vida. Existem pessoas que praticam outras vertentes da magia e que utilizam outros títulos como magistas. Recomendo a leitura da minha publicação acerca de alta magia vs. baixa magia. Aí pode entrar a questão que curandeiras, benzedeiras, herbalistas, médiuns e adivinhos têm um pé no mundo na magia e bruxaria, mas podem não utilizar o título. O mundo da espiritualidade alternativa é muito vasto. 

Para deixar aqui algumas distinções, de forma a me fazer entender da melhor forma: quando digo religião estou a referir-me a espiritualidade organizada; quando falo de diversas espiritualidades e religiões, quero deixar bem claro para não as confundirem com bruxaria. Quando digo que bruxaria não tem religião, estou a querer dizer que é de todo separada da mesma, podendo ser adaptada a todos os credos. Portanto, bruxas cristãs também existem e afirmo que são muito comuns em Portugal (a minha avó era uma). Isto deve-se à bruxaria e a sistemas mágicos originarem das religiões europeias iniciais. Quando o cristianismo foi levado para a Europa, estes sistemas também foram apropriados. Isso não quer dizer que o culto pagão não se tenha mantido, pois existem vários registos do mesmo. Existiram vários grupos de praticantes de bruxaria pagã na Europa, mas também existiram praticantes cristãos de algum sistema similar que foram perseguidos. No fundo, o cristianismo tinha medo de muita coisa e não discriminava, fossem pessoas com dons, padres que praticavam magia e escreviam grimórios, ou grupos pagãos. E a bruxaria, sendo um conjunto de práticas heterogéneas, a mesma encontra-se em todo o mundo e em todas as culturas, não tendo nenhuma em específico associada. Alguns nomes de tradições que entram dentro da enorme abrangência de bruxaria são voodoo, hoodoo, brujeria, santeria, umbanda, magia tradicional nativa americana e nativa-tribal africana e os seus sincronismos, como também a enorme relevância das tradições pagãs e folclóricas europeias, especialmente nos locais em que o cristianismo chegou de forma menos tardia, logo a sua influência foi menor. Portanto, não é uma prática uniforme e varia consoante o fundo cultural e a tradição de cada praticante. E a bruxaria também pode envolver práticas que nem todos poderiam considerar como bruxaria por si, mas que são comuns entre os praticantes, como por exemplo: astrologia, divinação no geral, reiki, entre muitos outros.

Na Europa podemos encontrar raízes da bruxaria actual no paganismo, com a prática de feitiços, oráculos, medicina tradicional, religiões de mistério, xamanismo, entre outros. Após a implantação do cristianismo, várias práticas continuaram vivas como pelos termos de cunningolk, as mezinhas e ervinhas, tirar o mau olhado, utilização de pêndulos, magia popular e simpática (simpatias), muitas destas que foram comuns até aos tempos dos nossos avós - pela minha experiência e falando da minha geração. Ao longo do tempo, estas práticas foram se tornando menos comuns, também pela forma com são retratadas como sendo apenas fantasia nos media.

Existem vários livros e fontes acerca da história do ocultismo e misticismo em Portugal, mas também no contexto mundial. Neste país tivemos muitos momentos em que a história do ocultismo se intercalou com a história comum, como por exemplo Fernando Pessoa ter sido um ocultista e astrólogo conhecido por ter ajudado Aleister Crowley, um dos ocultistas mais famosos, a fingir o seu suicídio na Boca do Inferno, e Pessoa ajudou-o com todo o esquema mediático que veio por de trás, para além de ter sido afirmado que Pessoa corrigiu o próprio mapa astral do Crowley. 

O ocultismo eventualmente caiu nas sombras mas começou a sair das mesmas utilizando os media da altura, tornando estas figuras famosas. Já na época vitoriana havia um crescente interesse pelo misticismo, especialmente pelo trabalho com espíritos, tal que eventualmente culminará na escola de kardecismo e espiritismo, com ideias de mediunidade, entre outros. No entanto, grandes ordens ocultistas que praticavam alta magia sempre existiram. Foram estas figuras que moldaram o ocultismo moderno, mas isso não quer dizer de todo que seja um assunto recente. 

Em inglês, bruxaria (witchcraft) também é apelidado de "the craft" e é uma prática em si não religiosa que pode ser combinada com qualquer espiritualidade, em que muitas vezes se é pedido o auxílio de divindades, espíritos, entidades, anjos, universo, entre outros. A bruxaria manipula a energia à nossa volta para iniciar mudança. Em português, a bruxaria é chamada de A Arte. A mesma pode envolver rituais, feitiços, propriedades das ervas, velas, cristais, rezas, meditação, manipulação energética, entre muitas outras coisas. A ação da mesma costuma subtil e os rituais podem durar umas horas, dias, semanas ou meses.

Wicca

Para não me alongar muito na história, saltarei para o século passado: vamos falar de uma religião recente cuja crescente popularidade tem intrigado as pessoas - vamos desmistificar a Wicca. O chamado criador de Wicca, Gerarld Gardner, britânico, começou por ter de lançar o seu livro Com o Auxílio da Alta Magia (High Magic's Aid - 1949) como se fosse uma narrativa fantasiosa, pois o seu coven* não o autorizou a falar do assunto abertamente no início. No entanto, há muita questão acerca desta figura, e que se terá sido ele o criador da religião moderna. Regra geral, pelo que eu compreendi, Gardner foi iniciado num coven desta religião, mas não sabemos ao certo a data de criação da mesma. 

*Coven: um grupo de praticantes de bruxaria; hoje em dia, um coven é mais entendido como um grupo organizado e hiearquizado que se junta para celebrar datas relevantes para a religião do mesmo ou para fazerem trabalhos em conjunto; comum na bruxaria tradicional, podendo ter sacerdotes e sacerdotisas; em português, a expressão é Conventículo; outro nome em inglês é Convenant; já um Círculo é como alguns praticantes chamam a grupos de amigos e conhecidos que se encontram casualmente, no entanto estes significados podem variar consoante as pessoas e as tradições, pois o termo mais comum aplicado é Coven. 

Apesar de ser um velho nudista (estou a tentar ser humorosa), Gardner conseguiu popularizar bastante a religião, esta que já se dividiu em várias tradições e evoluiu ao longo do tempo.  Então, o que é que a Wicca se relaciona com este assunto do texto? 

Não me irei alongar demasiado sobre esta religião, pois seria injusto só me focar neste elemento, para além de não ser praticante nem adepta desta religião em específico (e também é um tópico digno de uma publicação por si), mas o facto é que a bruxaria é relevante para aqueles que já ouviram falar de religiões neo-pagãs como Wicca, esta mesma que envolve práticas de bruxaria. Originalmente dualista, a religião prega o culto de um Deus e de uma Deusa, mas o politeísmo coexiste dentro da mesma de diversas formas, algo que varia consonante o praticante e a tradição - este assunto é um pouco controverso dentro da comunidade, mas estou a falar de forma geral, pois os praticantes não têm um só entendimento acerca deste assunto. Wicca original pode ser chamada de Wicca Tradicional e cujas ramificações mais comuns são a Wicca Gardneriana (segue a tradição de Gardner), Alexandriana (tradição de Alex Sanders), Feri (fundada por Victor Anderson), Dianica (mais focada na Deusa), entre outras. Porém, também surgiu a Wicca solitária, popularizada por Scott Cunningham com o seu livro Guia Essencial da Bruxaria Solitária (A Guide for the Solitary Practitioner - 1993), tão popular que até teve um seguimento. Recomendo muito este autor, pois todos os seus livros são excelentes, quer os leitores pratiquem ou não a religião Wicca.

Algumas diferenças entre estas duas formas da religião é que a Wicca tradicional é praticada em grupo (coven) e requer iniciação. Já a Wicca solitária é uma forma de prática individual, com as "divisões" mais populares da bruxaria no geral, tais que irei falar mais à frente, como bruxaria natural ou elemental. Esta é mais flexível em termos de práticas. É também falado de auto-iniciação destes crentes. 

Wicca, sendo uma religião, tem princípios e dogmas e práticas que lhe são característicos, e como qualquer religião exige prática e estudo. Na Wicca, os Sabbats são as celebrações do sol, portanto do Deus, e os Esbats as celebrações da lua, portanto da Deusa que é considerada tripla. Existem muitos mais aspectos desta religião, atenção que não estou a referir tudo! A Wicca vai beber muito do que seria a mitologia e espiritualidade dos povos celtas maioritariamente, mas existem outras tradições populares no neo-paganismo que não se limitam a estes povos, incluindo inspirações na antiga religião egípcia, suméria, grega, entre outros. Fazendo uma ponte ao próximo tópico, muitos dos países destas religiões experienciam um movimento crescente de adeptos das religiões antigas, estas que "morreram" há séculos. 

Neo-Paganismo

Para poderem compreender melhor o que eu disse, tenho de falar um pouco de paganismo vs. neo-paganismo, visto que é uma associação comum na bruxaria, no entanto é preciso destacar a ideia de que nem toda a bruxaria é pagã! Neo-paganismo seria uma designação abrangente para diversas religiões e espiritualidades. Difere de certa forma de reconstrucionismo politeísta/pagão, daí o termo "neo", o que não quer dizer que todos os pagãos gostem de utilizar os mesmos termos. Regra geral, neo-paganismo inclui tradições como Wicca e Druidismo, enquanto outros pagãos podem não se sentir tão confortáveis a utilizar o termo neo pois querem recriar, da melhor forma e dentro do possível, as religiões originárias pagãs, tais como tradições que seguem politeísmo nórdico ou greco-romano. 

O neo-paganismo é um movimento moderno que incorpora práticas e crenças fora do espectro das religiões abrâamicas, tendo especial atenção ao culto da natureza. No entanto, nem todos os pagãos são praticantes de bruxaria, e até muitos Wiccans seguem mais os aspectos espirituais do que práticos. O paganismo é focado na interconetividade e sacralidade do mundo natural e do universo. Muitos pagãos consideram que a humanidade está desconectada da natureza e isso resulta em muitos problemas sociais actuais. Muitos pagãos também são panteístas pois acreditam que o divino é algo de que também fazemos parte, no entanto paganismo também se refere ao politeísmo (por vezes usado como sinónimo) e ao animismo. Paganismo é, portanto, uma vertente espiritual. 

Para explicar melhor, a Wicca é uma religião por si, portanto nem todos os neo-pagãos são wiccans, como já enumerei tradições dentro dessa espiritualidade como Druidismo. Para além disso, muitos neo-pagãos não aderem a nenhuma tradição específica. Neo-paganismo é um conjunto de espiritualidades, neste que se inserem algumas religiões modernas! Esta confusão é comum, pois Wicca é tão popular que é difícil escapar da sua influência nos livros e nos media. E, como já afirmei, nem todos os praticantes de bruxaria são pagãos ou sequer wiccans, pois a bruxaria é uma prática sem religião associada. Já todos os wiccanos (se for assim que se diz em português) são neo-pagãos, e muitos reclamam o termo de bruxos, devido às práticas da mesma religião. 

Cada tradição vai, portanto, ter práticas muito diferentes das outras quando misturadas com bruxaria.

Sincronismos

Quanto ao cristianismo, a mistura deste com a bruxaria vai para além do que seriam simplesmente bruxas cristãs, podendo se encontrar sincronismos do mesmo. Falando brevemente de duas distintas tradições, temos o Voodoo que é uma tradição que se divide em New Orleans / Louisiana Vodou e Haitan Vodou, sendo uma tradição mais organizada que requer iniciação, e depois também existe o Hoodoo que tem na sua base o que seria folk magic originária do continente africano, tal como Voodoo, no entanto este segundo chama os Loas/Lwa (semelhantes aos Orixás) por via de santos católicos, enquanto Voodoo utiliza as divindades africanas. Hoodoo também é chamado de rootwork ou conjure. Outras práticas semelhantes seriam a religião yorubá que influenciou práticas como Candomblé e/ou Santería. Existem imensas tradições de que poderia falar, no entanto só pretendia dar uma imagem geral para as pessoas entenderem que de facto estamos a falar de um assunto muito vasto e que se encontra em todo o mundo.

Aviso: por favor não apropriem estas práticas! O básico da magia branca já o fez sem dar créditos e vocês não precisam de o repetir também. E também não vou tolerar comentários racistas em relação a estas práticas que são lindas e cuja base é o trabalho com ancestrais, divinação, entre outras, e não há nada maligno sobre estas mesmas. Por favor repensem o quão racistas são as representações das mesmas nos media, como por exemplo quando mostram as espiritualidades dos nativos americanos e povos indígenas como sendo só acerca de maldições. Basta entrarem em qualquer loja esotérica em Portugal para verem a enorme diversidade de tradições representadas e podem reparar na quantidade de artigos que são específicos para cristãos e outras tradições como afro-brasileiras, nem tudo é só sobre práticas mais modernas ou apenas influências europeias. Eu foco-me mais em tradições ocidentais / europeias, mas não permito que o meu blog tenha espaço para intolerantes.

Divinação

Muitas das questões que recebo são acerca de divinação, pois as pessoas acham este assunto muito fascinante. É uma forma de sabermos mais acerca de nós mesmos e também sobre o futuro. Algumas formas comuns de divinação:

Cartas: a utilização de cartas pode se dividir em vários grupos, mas os mais comuns são as cartas de jogar, oráculo e de tarot. Tarot é das formas de divinação mais populares, sendo este um método de divinação e ferramenta espiritual que utiliza um oráculo específico composto por 78 cartas. Já fiz uma publicação acerca de tarot, podem carregar aqui se quiserem ler. Foco-me no tarot tradicional mas também toco um pouco em outras tradições como Lenormand. Também está para sair uma breve publicação acerca de cartas de oráculo.

Runas: um oráculo moderno geralmente utilizando antigos alfabetos nórdicos (rúnicos), sendo o mais comum elder futhark, mas também podem ser inscritos outros símbolos que derivam ou não destes. Há muito debate acerca desta prática, no sentido de se é possível comprovar o uso histórico das mesmas, ou se é apenas uma recriação moderna. O uso das runas também evolui na época medieval, como por exemplo com as runic staves.

Similar a runas, também existem tradições que "lançam" pequenos objectos como conchas e ossos, comuns em tradições afro-brasileiras. As leituras deste tipo de oráculos podem ter origem na intuição do leitor, na posição e formas que os objetos fazem e/ou nos significados associados a cada um destes. Há quem não lance as runas, mas sim abane um saco e tire algumas, e ainda há quem as posicione como se fossem cartas em diversas formações.

Pêndulos: uma forma simples de divinação utilizando um objeto pesado suspenso por um fio. Os usos são variados, como responder a perguntas de sim/não, encontrar objectos perdidos, comunicação com espíritos, entre outros. O seu uso é antigo e muitos dos vossos familiares devem de o praticar ainda nos dias de hoje. Parece ter origem na tradição de dowsing.

Borras: ler borras de chá e café também é uma forma antiga de divinação. A interpretação provém da intuição do leitor, das formas que as borras fazem e/ou do seu posicionamento na chávena. Regra geral, primeiramente a pessoa a quem se vai fazer a leitura pede um pouco do líquido.

Scrying / Perscrutar: tem a ver com entrar num estado de trance olhando para uma superfície reflectiva (geralmente água, espelhos negros e/ou feitos de obsidiana ou bolas de cristal feitas de diversos cristais - se forem transparentes, costumam ter uma percentagem de vidro; muitas vezes também são feitas de obsidiana). Também já li quem o fizesse através de fumos, apesar de ser discutível se essa prática pertence a esta categoria.

As práticas de divinação são imensas. A lista nunca mais iria acabar, para além de se poder escrever imenso acerca de cada uma delas.

Necromancia, dons e fadas

O objectivo da divinação é variado, mas um deles é a necromancia, ou seja, a comunicação com espíritos / spirit work. Tal é feito de ainda outras formas diversas. A mais popular são ouija boards. Apesar da imagem moderna ser sobre "ressuscitar os mortos", na realidade necromancia seria apenas uma forma de divinação através dos mortos, obtendo respostas através da comunicação com espíritos. Falar com os mortos pode trazer-nos muito conhecimento. Este tipo de divinação pode ser feita de diferentes formas como invocações, divinação com ossos, pêndulo, e muitos outros rituais.

Isto levanta a questão: para alguém se envolver em bruxaria, seria necessário algum dom? Quais são os requisitos? Apesar da meduinidade ser um assunto comum e existirem diversas formas da mesma, a nossa percepção actual foi muito influenciada pelo espiritismo. Existem certos dons, mas qualquer pessoa pode trabalhá-los, juntamente com a sua intuição. Portanto, eu afirmo que não há requisito de dons psíquicos, ou qualquer requisito de todo. Não é necessário pertencer a uma família de bruxos ou a alguma tradição de todo. Para além disto, a comunicação com espíritos não se limita apenas a espíritos humanos. Muitos praticantes trabalham com diversas entidades e divindades, como ancestrais, elementais, fadas (não são as da Disney), espíritos guias, anjos, santos, daemons, entre outros.

Bruxaria no dia-a-dia 

A bruxaria é algo que pode envolver o quotidiano de uma pessoa, especialmente se esta estiver ligada a alguma prática ou tradição espiritual/religiosa. Quando falamos de algo que envolve o nosso dia-a-dia, tal vai depender da visão que essa pessoa tem do mundo. Fazendo uma ponte para o nosso próximo tópico, uma das religiões e espiritualidades mais populares que utiliza práticas de bruxaria é o neo/paganismo - e esta é a tradição que me sinto mais confortável a falar sobre. Apesar de nem todos os crentes se envolverem em práticas de bruxaria, uma grande maioria considera-se um ávido praticante da mesma. Portanto, a espiritualidade e estas práticas acabam por se misturar bastante. Um crente irá chamar pelos seus deuses durante as suas práticas e rituais para pedir auxílio ou irá fazer um altar consoante aquilo que acredita.

Altares é algo abrangente a todas as religiões. Os crentes costumam criar altares consoante aquilo que acreditam. Basta tirar o exemplo dos altares do Dia de Los Muertos, ou os altares específicos da religião Wicca, estes com um esquema específico orientado para a visão dualista da religião. Altares servem para honrar deuses / divindades, ancestrais, para realizar trabalhos e rituais, para honrar a roda do ano, ou simplesmente para depositar as ferramentas que os praticantes usam. Também são criados altares de foco / manifestação.

O tópico da bruxaria no dia-a-dia seria bastante longo, mas quis deixar aqui este pequeno texto pois nem todos os praticantes apenas fazem rituais de alta magia a cada mês. Muitos praticantes têm um culto constante que se interliga com a bruxaria.

Sobre a roda do ano 

Este é um conceito do neo-paganismo europeu que pega em diversas festividades de diversos politeísmos ocidentais, na sua maioria. O conceito de roda é muito familiar aos celtas. Estas festividades consistem em eventos astronómicos, mas também culturais. O tema mais comum destas festividades é o culto da natureza nas suas diversas formas ao longo do ano, algo comum na bruxaria pois a maioria das práticas envolvem muitos objectos naturais como cristais e ervas.

Estas datas são sagradas e também utilizadas como altura ideal para diversos rituais. Estas festividades têm, na sua maioria, origens comprovadas nos paganismos originários europeus. Estas festividades na Wicca chamam-se de sabbath e são as celebrações do Sol. É possível mencionar as festividades mais comuns, no entanto há praticantes que seguem certas tradições como o politeismo romano que tem festividades próprias que não se encontram nas imagens populares do instagram da roda do ano. De forma geral, o solstício de inverno é a noite mais longa do ano (Yule, nome de origem nórdico) e tem o seu oposto que é o solstício de verão (Litha, nome nórdico; Midsummer, apesar desse nome nem sempre se referir ao fenómeno astronómico específico), sendo o dia mais longo do ano. Entre estes teremos os equinócios de outono (Mabon, nome celta) e da primavera (Ostara, nome anglo-saxónico/germano) em que se atinge o equilíbrio. Estes seriam os quatro festivais principais do sol. O nome destes festivais pode variar e nem todos os praticantes seguem estes mesmos. Ainda existem outros festivais, como Samhain (não se pronuncia como se escreve, já agora) proveniente da cultura celta, sendo esse o último dos 3 festivais de colheita (Sendo estes Lammas / Lughnasadh, nome celta, seguido de Mabon, e por fim Samhain), ligado ao culto dos mortos, entre outras associações. Também existem os festivais do fogo, como Beltane, outra altura em que o designado véu entre os espíritos e os vivos está mais fino, sendo este no oposto da roda do ano a Samhain. É aconselhável ver imagens online pois ilustram bem a ideia de "roda" do ano, esta que tem origem na visão cíclica celta e não seria uma visão comum a todos os povos pagãos, apenas uma recriação moderna.

Os eventos astronómicos iriam depender se eram ou não observados pelos povos em questão. E, como referi, há muitos outros festivais que apenas têm um fundo cultural destes povos, muitas vezes ligados a divindades específicas dos politeísmos antigos. Logo, a roda do ano não reflete todos os neo-pagãos, apenas é comum na Wicca e é uma forma de uniformizar as práticas, mas nem todos os crentes seguem ou festejam os mesmos festivais. No hemisfério sul, as datas destes festivais seriam, em teoria, invertidas - quando estamos a festejar o solstício de inverno, o hemisfério sul festeja o de verão; no entanto, nem todos os praticantes do sul invertem as datas de todos os festivais, uns apenas o fazem nas datas astronómicas e não nas datas culturais.

Astros

Quando falamos de eventos astronómicos, também não nos podemos esquecer da influência da astrologia na bruxaria. Nem todas as tradições de bruxaria utilizam o sistema ocidental de astrologia, mas é um tópico comum na bruxaria moderna. Na Wicca, os Esbats são os rituais de lua cheia. A lua é um dos tópicos mais populares! Um conceito interessante é o de astrolatry ou astrotheoloy, sendo este o culto e divinação de astros e outros corpos celestes, muito comum nos politeismos antigos, como na antiga religião greco-romana. Um artigo muito interessante sobre isso seria este aqui.

"The thesis that these bone markings also reflect the “moons” or menstrual periods of women is likewise sound; hence, it has been suggested, women were the “first mathematicians.”
Retirado do link que deixei acima

Muitos praticantes seguem as fases da lua e consideram que certas fases são ideias para fazer certos rituais ou para a manifestação de intenções. Originalmente, a astrologia e a astronomia foram um só saber, logo os eventos astronómicos também têm o seu significado na astrologia, como os eclipses. O básico da astrologia, mas mesmo básico, começa pela leitura do mapa astral, como se fosse um "print" do céu no dia, hora e local exacto do nascimento de uma pessoa. No entanto, os astros movem-se todos os dias, e são estas posições e os aspectos que os planetas/astros fazem que a astrologia analisa de forma diária, dessa forma fazendo previsões, criando horóscopo, entre outros. Para além disso, a astrologia tradicional é muito diferente da astrologia moderna, sendo que a primeira tinha um foco mais exterior, enquanto a mais recente tem um foco na personalidade das pessoas, e não tanto em previsões. As bases da astrologia provêm da antiga babilónia. A astrologia costuma se dividir nos planetas e nas casas. Os planetas costumam ser categorizados em planetas pessoais, sociais e transpessoais / geracionais.

Como a bruxaria utiliza muitas correspondências, não só as fases da lua, há quem pense até ao pormenor da hora e o dia da semana para os seus rituais. Os dias da semana são todos pagãos, excepção em português por uma razão muito idiota que nem vale a pena mencionar. Dando o exemplo: Monday, seria o dia da lua, em espanhol Lunes; a Terça-Feira está ligada a Marte, como em espanhol Martes e em inglês Tuesday vem do deus germano Tyr.

Ferramentas

Quando mencionei os altares também falei de ferramentas, estas que vão mudar, como já devem de esperar, consoante a tradição. Eu sigo a ideia de que qualquer coisa pode ser uma ferramenta de bruxaria, desde que seja separada do uso mundano (e desde que o praticante a sacralize da forma que achar melhor). Não posso falar das ferramentas de todas as tradições, e já mencionei algumas no trecho da divinação, mas deixo aqui um exemplo de uma ferramenta comum na Wicca que é a Bowline, esta que serve para o corte físico de coisas como ervas, e o Athame para cortar e direccionar energia em termos ritualísticos. Isto foi apenas um exemplo, pois nenhuma ferramenta é estritamente necessária, pois as práticas de cada um são totalmente diferentes e ninguém é obrigado a seguir nenhuma tradição. Agora em Wicca, mais cerimonial, várias ferramentas são necessárias. Outras coisas que não seriam consideradas propriamente ferramentas como já mencionei são objectos como incensos, cartas, cristais, ervas, velas, entre outros. Estes itens são chamados de "props" em rituais.

Cristais são itens comuns na bruxaria mas não são específicos da mesma, pois as práticas são muitas. Há quem os utilize em rituais para representar energias e também podem ser utilizados em meditações, em curas, em trabalhos, entre outros. Já ervas são utilizadas em rituais de diversas formas para representar a intenção que pretendemos alcançar ou então mesmo para as suas propriedades medicinais. Aconselho sempre verificarem as tags do blog se quiserem ler sobre algo em específico.

Bruxaria: a variedade

Outros conceitos comuns na bruxaria moderna e na teoria mágica é a manipulação energética, como grounding, centering, curas energéticas, fazer círculos mágicos, entre outros. Estou completamente a me esquecer das traduções destes termos em português, mas vocês entendem a ideia. O uso de círculos energéticos é mais comum na Wicca, sendo uma das suas práticas mais cerimoniais, com a função de proteger um ritual de energias que possam interferir, como também para criar um espaço para conter a energia que é elevada durante o mesmo ritual, especialmente em rituais de grupo. No entanto, não é necessário o fazer, mesmo que todos os wiccans do mundo digam que sim, visto que existem tradições mágicas desde sempre que não utilizam este conceito. É aconselhável proteção nos rituais, mas essa pode ser alcançada de diversas formas, consoante a tradição de cada um. Não estou informada até que ponto existe o conceito de manipulação energética noutras tradições para além da europeia.

Os trabalhos mais comuns de bruxaria em termos de feitiços e rituais podem envolver qualquer um dos elementos (em Wicca é comum dividir os trabalhos pelo elemento principal, e também na bruxaria elemetar), como utilização de fogo (velas, por exemplo), no entanto utilizam-se muitas outras coisas, como jarros, frascos, pequenas bolsas, fetiches / poppets / bonecos, entre outros. A variedade de rituais é imensa e podem ser tão simples ou tão complicados e cerimoniais como uma pessoa os quiser fazer. Aconselho lerem a minha publicação acerca de alta magia cerimonial vs baixa magia! Os objectos utilizados podem ser quaisquer, como espelhos, fios, cristais, ervas, petições, entre outros.

A bruxaria pode se distinguir por diversos elementos, tais como: a religião (cristã, pagã, etc); tradição específica a que pertence (paganismo pode se dividir em politeísmo grego, wicca, druidismo, etc); solitária ou em grupo; alta magia ou não; entre muitos outros termos. Um dos tipos mais comuns de bruxaria é a chamada de ecléctica, isto que significa que retira práticas e elementos de diversas tradições. A bruxaria cerimonial ou alta magia bebe muito das ordens ocultistas ocidentais e incluí termos como cabala mística ou thelema. Também existe a bruxaria hereditária, ou seja, praticantes que descendem de uma família de praticantes, no entanto não existe exclusão mútua (existem bruxas hereditárias wiccanas). Ainda existem muitos outros rótulos criados pelos praticantes com o objectivo de 1) encontrar pessoas com práticas semelhantes; 2) focarem-se em algum tópico que gostam; 3) melhor se entenderem na comunidade. Esses rótulos incluem bruxaria cósmica, lunar, natural, elemental, entre outros. Os diversos tipos de wiccans também se aplicam aqui, muitas vezes chamados de "paths" (caminhos).

Tudo o que toquei neste post merecia uma publicação por si mesma, mas penso que um post de introdução a um tópico tão variado seria útil.

Perguntas frequentes
  • A bruxaria tem algo a ver com Satanás?
Apesar de existirem tradições do que seria chamado "left hand path" em alta magia cerimonial, e de também existirem praticantes de luciferianismo (satanismo teísta) ou satanismo de la vey, o conceito de Lúcifer / Satanás é cristão, logo nem todos os praticantes de bruxaria acreditam no mesmo sequer, e daqueles que acreditam poucos fazem culto ao mesmo. Nada contra quem faz trabalhos com essa entidade, no entanto não afirmo que seja o mais comum. Dentro do "left hand path" existem muitos outros caminhos, como o trabalho com demónios de forma geral. Se na crença de alguém a prática de bruxaria é um pacto com Satanás, quer a pessoa o esteja a fazer de forma consciente ou não, diria que tal não é razão para hostilidade, pois isso é uma interpretação pessoal. Ninguém é obrigado a se comunicar com uma certa pessoa, no entanto o respeito é uma obrigação para podermos conviver em sociedade, pois se formos por essa interpretação, muitas coisas que as pessoas fazem seriam pactos com o Diabo, logo não podemos ser selectivos nas pessoas a que mostramos respeito.
  • É possível se praticar sozinho? É necessário se praticar para se ter algum interesse e ler sobre o assunto?
Sim! E não! É possível alguém investigar, começar os seus estudos e práticas, mesmo que estejamos a falar de tradições de grupo, pois muitos destes implicam um ano e um dia de estudo sem contar com um ano de experiência para poderem pertencer ao mesmo grupo - tal vai depender. No entanto, existem religiões fechadas a iniciação. Ninguém pode impedir outra pessoa de ler sobre algo e de se interessar.
  • O que é necessário para se ser praticante? E por onde começar? Quais são os primeiros passos para quem tem interesse e quer experimentar? Há algum requisito?
1. Muita pesquisa, muito estudo, muitas leituras, documentários, entre outros. Apesar de bruxaria ser entendida como algo que empondera as pessoas, é preciso ter muito cuidado com utilizar o termo sem o praticar, pois isso vira a comunidade uma contra a outra, para além de nem toda a gente levar a bem. É tentador começar a utilizar o rótulo mal se descobre algo novo e fascinante, no entanto, tal como em qualquer tradição / religião, é preciso muito estudo e muita prática. Estamos a falar de práticas que muitas vezes estão envolvidas com espiritualidade. Tal como um cristão tem de saber os seus textos sagrados, a mitologia e a teologia, seguindo também as doutrinas da religião e prestando culto sério, com qualquer outra religião passa-se o mesmo. Como referi, muitas tradições têm o requisito de um ano de estudos para sequer se poder fazer iniciação / auto-iniciação.

2. Tentar encontrar comunidade, pois é muito mais fácil assim. Existem muitos sites, blogs, fóruns, entre outros. Eu própria estou a tentar unir a comunidade cá em Portugal (e fora também!) e tenho parcerias neste blog com pessoas da comunidade. Apps comuns são os Aminos de bruxaria. Existem óptimos sites para se pesquisar, como o learnreligions. Há também locais em Portugal onde os praticantes se costumam encontrar. É muito mais fácil aprender com a ajuda de outras pessoas, mesmo que pretendam manter uma prática solitária

3. Escolher uma tradição em que se focar, lendo um pouco acerca de várias, para ser mais fácil afunilar o conhecimento inicial. Não é necessário desistir da fé cristã para praticar bruxaria ou acreditar em algo que a pessoa não acredita como astrologia, usando como exemplo. Tendo sempre sensibilidade que existem religiões fechadas e abertas. É necessário compreender as várias tradições dentro da comunidade da bruxaria e respeitá-las. É preciso ser muito sensível com assuntos de apropriação cultural e tentar usar o vocabulário mais adequado que consigamos. Muito cuidado com os termos. Existem conceitos transversais a várias tradições, cujos termos, no entanto, são limitados a essas mesmas. Um exemplo disso seria "smudging", um ritual nativo americano utilizando fumos. Não é que o conceito de limpeza através da queima de ervas ou incenso seja exclusivo do mesmo de todo! Simplesmente este ritual é específico da sua espiritualidade. Ninguém fora destes povos é capaz de fazer o ritual, pois nem sequer o sabem fazer. Não se pode chamar de "smudge" a um líquido/spray de limpeza, por exemplo. Seria melhor utilizar termos abrangentes e que não ofendam as pessoas da comunidade. É, por isso, aconselhado fazer muita pesquisa. Também aconselho terem cuidado ao chamar de "fantasia" às histórias de certos povos, pois isso é muito ofensivo. Ter um interesse vasto é muito bom, mas não é demais reforçar o cuidado que devemos ter com a nossa linguagem.

4. Ter em atenção que conhecimento teórico lido no tumblr ou num amino não é o mesmo que ser praticante. Uma coisa é ter interesse pelo ocultismo, misticismo, esoterismo, mitologia, entre outros, outra coisa é praticar bruxaria - e bruxaria é uma prática. O básico é praticar aquilo que pregamos. Sendo uma prática, o tempo leva à perfeição. É preciso praticar muito e criar uma prática só nossa (já repeti esta palavra muitas vezes). Há quem passe anos para formar o seu caminho e descobrir o que funciona com eles. Sem contar que as nossas crenças pessoais estão sempre a se alterar - e isto implica respeitar as escolhas dos diferentes praticantes. Portanto, ser um investigador e ter muito afecto e interesse pelo paranormal não é ser um bruxe!

5. Não comprem coisas logo no início. Eu tenho uma drive de livros sobre ocultismo e bruxaria que disponibilizo neste blog. Poupem o vosso dinheiro e pensem nas fotos para o instagram depois! Não sejam alimentados pela ideia que têm de comprar cristais se, por exemplo, nem os vão utilizar nas vossas práticas - pois nem todos os bruxes os usam. Já partilhei na conta twitter do blog várias coisas sobre o materialismo na bruxaria. Forço muito esta ideia acerca de ferramentas, pois muitas pessoas compram as ferramentas da Wicca cerimonial para ficarem numa prateleira abandonadas. Recomendo primeiro lerem sobre o assunto, para entenderem aquilo que vos interessa, e comprem uma coisa de cada vez, à medida que vão estudando.

6. Não existem requisitos de religião, género, etnia, seja o que for. Qualquer pessoa pode praticar. Tudo está ao alcance de alguém aprender.
  • A bruxaria é real? Feitiços funcionam mesmo?
Não estou aqui para convencer que misticismo, paranormal, etc. são reais, só afirmo que estas práticas são comuns a diversas culturas e ainda estão presentes hoje em dia. Poucas pessoas fazem ideia, mesmo com a crente popularidade.
  • O culto à natureza é necessário?
Não. A bruxaria não tem religião associada. É um conjunto de práticas que não são uniformes.
  • X é moralmente correcto?
A moral é algo que vai depender de cada pessoa e da sua tradição. Não devemos impor as nossas crenças nos outros. Há que ser tolerantes, é uma obrigação num estado de direito democrático. Se na dúvida, verifica com a tua tradição se X é aceite se fazer (exemplo: a Wicca tem vários dogmas, uns que afirmam serem modernos ou não, tal dependerá da pesquisa individual de cada um).
  • Existe alguma interpretação de "como funciona"?
Muitos crentes que praticam bruxaria irão interpretar os rituais como similares a orações para os seus deuses/deus/divindade, outros vão interpretar como uma forma de manifestar intenção com o uso de manipulação energética e correspondências, entre muitas outras interpretações. É complicado de explicar a um público que não conhece teoria mágica. Não há uma única interpretação, em suma. Tudo irá depender da religião ou espiritualidade, se existir, e ao que a pergunta se referir (feitiços? cartas? astrologia?) para se responder de forma apropriada.
  • O que é o livro de São Cipriano?
É um grimório (termo que não mencionei no texto - era impossível referir tudo numa só publicação), ou seja, uma colectânea de rituais e feitiços. A sua má fama vem de ter alguns rituais duvidosos, como a famosa costura de boca de sapo. Não diferente muito dos outros grimórios. Os cristãos não gostam de bruxaria, logo há essa má fama, mas no fundo é um grimório cristão. É irónico. Não há nenhum perigo associado em tê-lo em casa.

Não toquei nem em um terço do que significa ser um praticante de bruxaria. Não falei nem metade das ferramentas, práticas, crenças. Se vocês são iniciantes ou baby witches, vejam a conta twitter do blog. Escrevi já uma thread de dicas para iniciantes com diversas sugestões de tópicos de pesquisa, de sites para consultarem, etc. Carreguem aqui para lerem a thread.

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